Quando Felipe Nasr anunciou, lá em 2017, que iria correr na Imsa após perder a vaga de titular da Sauber na F1 e as conversas com a Force India não terem dado certo, acabou sendo uma surpresa.

Naquela época, ainda começava-se a falar na convergência de regulamento dos protótipos dos EUA com os de Le Mans e era incomum alguém que deixava a principal categoria do automobilismo mundial seguir caminho no endurance americano.

DTM, Formula E e WEC (ou uma combinação deles) apareciam como alternativas favoritas. Para Nasr, faria sentido até mesmo ir para a Indy, mesmo que a popularidade do campeonato não estivesse tão em alta naquele momento, por causa do histórico brasileiro por lá.

A Imsa, assim, surgia como uma aposta arriscada para o brasileiro. Caso os resultados não aparecessem ou a categoria não engrenasse, ele poderia sumir do radar das principais equipes e montadoras do automobilismo mundial e teria dificuldades para abrir portas mesmo sendo um ex-F1.

Mas, se era uma aposta arriscada, também era uma que fazia sentido. Em primeiro lugar, a Imsa era um campeonato que o brasileiro já conhecia e gostava. Ele tinha corrido nas 24 Horas de Daytona de 2012 como prêmio por ter sido campeão da extinta F3 Inglesa no ano anterior. Já sabia que era um ambiente mais informal e descontraído, típico dos EUA, bem distante das politicagens que viveu na Sauber, como companheiro do sueco Marcus Ericsson em uma escuderia controlada por investidores da Suécia. Mas também era um torneio que as montadoras levavam bastante a sério, com profissionalismo e investimento.

A outra vantagem era que já havia um zumzumzum sobre um possível retorno de grandes montadoras às provas de longa duração, com o regulamento DPi, da Imsa, tendo caído no gosto das fabricantes, incluindo as europeias.

Se os dominós caíssem como esperado, o acerto de Nasr com a Cadillac na Imsa poderia alçá-lo para voos maiores no futuro.

A passagem de Felipe Nasr pela Imsa

Parte das pecinhas realmente foi derrubada favorecendo o brasileiro. Em seus quatro anos na Imsa, foi campeão duas vezes. A primeira, em 2018, ao lado do americano Eric Curran, e a segunda, agora, com o compatriota Pipo Derani como parceiro. Em 2021, o título foi conquistado de forma emocionante, com uma virada espetacular em cima do Acura da dupla da Wayne Taylor, formada por Ricky Taylor e Filipe Albuquerque.

Desde o começo do ano, já estava claro que o Cadillac de Nasr e Derani era o favorito. Mas um problema mecânico nas 24 Horas de Daytona e um toque logo no início das 12 Horas de Sebring colocaram os brasileiros na parte de trás da tabela.

A partir daí, os problemas ficaram para trás. Na sequência, terminaram em segundo em Mid-Ohio e em Detroit e em quarto em Watkins Glen. Estavam definitivamente de volta à briga. Mas como a Wayne Taylor estava terminando constantemente no pódio, os brasileiros precisavam começar a ganhar corridas o quanto antes se quisessem terminar com a taça.

Dito e feito. Nas quatro corridas seguintes, foram três vitórias: Watkins Glen, Road America e Long Beach. Sendo assim, chegaram à decisão da temporada 2021 da Imsa, a Petit Le Mans, com uma matemática fácil: quem terminasse na frente entre o Cadillac brasileiro e o Acura seria o campeão.

Nasr estava em segundo e o equipamento da Wayne Taylor, em terceiro até a penúltima curva da última volta, quando Ricky Taylor arriscou um torpedo para ultrapassar o brasileiro. Como resultado da manobra, perdeu o controle e escapou da pista, permitindo que o ex-F1 retomasse a posição e, por 0s5, garantisse o bicampeonato da Imsa.

Em meio ao sucesso na Imsa, o brasileiro também precisou lidar com momentos não tão bons (os dominós que caíram errado) quando se aventurava em outras categorias.

Sua passagem pela Formula E foi para esquecer. Estava escalado para participar do treino dos novatos de 2018, pela Dragon, mas nem sequer saiu dos boxes por causa de problemas contratuais. Ainda conseguiu correr em três provas pela equipe, mas teve como melhor resultado somente um 19º lugar. Acabou substituído pelo alemão Maximilan Gunther.

Também ensaiou uma ida para a Indy com a Carlin, mas os planos não saíram do papel. Pela esquadra britânica, participou somente das corridas virtuais quando o mundo se fechou no início de 2020.

Enquanto os flertes com Formula E e Indy não deram certo, Nasr agora terá uma nova oportunidade nas corridas de longa duração: deverá competir pela Porsche quando o regulamento LMDh entrar em vigor. O anúncio oficial deve ser feito ainda neste ano, tanto que já se despediu da Action Express, que terá o americano Tristan Nunez como seu substituto.

E, assim, a aposta feita quando assinou contrato com a Imsa lá em 2018, em busca de voos maiores, terá dado certo e será paga.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da etapa decisiva da Imsa, a Petit Le Mans, assim como as das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Imsa, 2021, Felipe Nasr, Cadillac, Action Express, campeão, Pipo Derani
Felipe Nasr foi campeão da Imsa em 2021 ao lado do também brasileiro Pipo Derani – foto: eric klauser/cadillac/divulgação