Antonio Giovinazzi recebeu nesta semana a notícia que nenhum piloto quer: viu a equipe para a qual compete, a Alfa Romeo, anunciar outro competidor na vaga que ocupa para a temporada 2022 da F1.

O italiano será substituído por Guanyu Zhou, após as negociações entre Sauber e Andretti não terem dado certo.

Tão logo Zhou foi confirmado na Alfa Romeo, algumas notícias foram publicadas com Giovinazzi atribuindo estar deixando a F1 por causa do dinheiro levado pelo seu substituto. Não deixa de ser verdade. Zhou está chegando à principal categoria do automobilismo mundial porque leva patrocinadores, além de estar vindo da China, maior economia do mundo e com mais de 1 bilhão de habitantes. Há interesse da F1, das equipes e de outros parceiros comerciais por esse mercado.

Ao mesmo tempo, Zhou é o atual vice-líder da F2 e também o piloto mais talentoso surgido na China nas últimas décadas. Por outro lado, também carrega certa desconfiança: apesar de estar no terceiro ano de F2, está atrás de um novato na tabela de pontos e venceu muito pouco em sua carreira nas categorias de base. De 2015 a 2020, foram somente sete triunfos em mais de 180 corridas.

Só que Giovinazzi também não fez a parte dele. A expectativa era que o italiano tivesse em 2021 um ano para se firmar na F1 e para liderar a Alfa Romeo.

O que aconteceu foi o oposto. Giovinazzi tem no máximo conseguido igualar o desempenho de Kimi Raikkonen, um competidor de 42 anos de idade e que está em sua última temporada na principal categoria do automobilismo mundial.

O italiano vem vencendo a batalha nas classificações por 11 a 6 contra o finlandês, mas terminou atrás do companheiro de equipe em nove das 17 provas em que estiveram na pista – Robert Kubica correu outros dois GPs no lugar de Raikkonen.

Na tabela, a diferença é ainda maior, com o campeão do mundo de 2007 tendo somado dez dos 11 pontos da Alfa Romeo até aqui na temporada 2021 da F1.

O ponto fraco de Antonio Giovinazzi na F1 2021

Mas o que pesa contra Giovinazzi tem sido não conseguir trabalhar em equipe. Se a expectativa para 2021 era vê-lo liderando a Alfa Romeo, a realidade é que ele tem criado polêmicas desnecessárias. No GP da Turquia, por exemplo, se recusou a deixar Raikkonen passar quando o finlandês estava com um ritmo mais forte e poderia brigar com Esteban Ocon, da Alpine, por pontos.

É comum que as equipes adotem a inversão de posições quando um piloto está mais rápido que o outro – principalmente por causa da estratégia. A ideia é que quem está em condições melhores possa atacar os rivais das outras equipes. Se der certo, são mais posições ganhas e mais pontos somados. Se der errado, geralmente as escuderias desfazem a troca na última volta para que ninguém acabe privilegiado.

No GP do Brasil, por exemplo, a Alpine chegou a inverter as posições de Fernando Alonso e de Ocon na parte final, mas desfez a mudança, uma vez que o espanhol não conseguiu desafiar Pierre Gasly na luta pelo sétimo lugar.

Giovinazzi, portanto, sabia que, mesmo com a ordem da equipe, terminaria na frente de Raikkonen em Istambul caso o finlandês não ganhasse mais colocações, mas mesmo assim preferiu não deixá-lo passar, e ambos ficaram fora da zona de pontos.

Outro momento negativo foi o italiano ter ironizado a estratégia da Alfa Romeo no rádio logo após o GP do México – o italiano foi o 11º em Hermanos Rodriguez, enquanto Raikkonen fechou em oitavo.

Sem desempenho nem patrocínio e comprometendo o clima dentro da equipe, ficou complicado para Giovinazzi justificar por que deveria ter continuado na Alfa Romeo na F1 2022. Agora resta ver se o Jesus italiano, como seus fãs o chamam, conseguirá amadurecer e liderar a equipe Dragon Penske, a qual vai defender no ano que vem, rumo à parte de cima da tabela da Formula E.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da F1 2022 foi formado.

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Guanyu Zhou, da academia de pilotos da Alpine, ficará com a segunda vaga na Alfa Romeo na F1 2022 – foto: alpine/divulgação