Parecia F3 Brasil nos piores dias, mas era nos EUA

Parecia a F3 Brasil em seus piores dias. Apenas quatro carros alinharam para a primeira corrida do fim de semana. A lista de inscritos mostrava cinco participantes, mas um desistiu de correr de última hora e preferiu se concentrar na F4.

Só que essa cena aconteceu em Pittsburgh, na primeira etapa da história da F3 Americas, categoria criada neste ano, com apoio da Honda, para aproveitar o sucesso recente da F4 USA, com grid com mais de 30 participantes em média.

Mas uma série de problemas transformou a ideia promissora de levar a F3 aos EUA em uma decepção na primeira etapa. Um deles é começar só agora, em agosto.

Como o automobilismo geralmente se inicia no primeiro semestre (de março a outubro, na Europa), essa abertura tardia significou que eventuais participantes precisaram ficar mais de oito meses parados até o pontapé inicial. Para evitar esse tempo longe das pistas, eles podiam optar por gastar seus orçamentos e disputar algum campeonato com calendário mais convencional.

Não é que a SCAA, que chancela a categoria, pretendia começar a temporada tão tarde. Mas houve atrasos no desenvolvimento e na homologação do equipamento – chassi Crawford, motor Honda e com o halo. Tanto que a versão final do carro é um pouco diferente da que fora apresentada no ano passado.

Assim, dá para considerar a primeira etapa como um “soft opening”, mas com calendário completo. Até o fim do ano, são seis rodadas marcadas, sempre acontecendo aos pares. Por exemplo, depois da abertura em Pittsburgh, no último fim de semana, os carros já voltam à pista nesta quinta para os treinos em Mid-Ohio, onde correm na sexta e no sábado. Depois ainda visitam NJMP, Road Atlanta, Nova Orleans e o Circuito das Americas, em Austin, como preliminar da F1.

A expectativa é que o número de pilotos aumente até o fim do ano. Neste fim de semana, apenas a F3 corre em Mid-Ohio, enquanto a F4 folga. Ou seja, é a chance de competidores da categoria menor conhecerem o certame de cima. A preliminar do GP dos EUA também deve atrair mais inscritos.

E, se servir de exemplo, a própria F4 USA teve um início difícil. Ela estreou em 2015, chamada de F-Lites. O campeão foi o brasileiro Vinicius Papareli, e aquele grid tinha apenas seis carros e, em apenas uma etapa, houve um sétimo competidor.

A F4 em si começou no ano seguinte, com 12 participantes tomando parte de todas as etapas. Outros três pilotos só ficaram de fora de uma rodada. Para 2017, o número de inscritos praticamente triplicou, e a categoria americana se tornou uma das F4 com mais competidores no mundo – rivalizando com a Japonesa.

É esse mesmo caminho que a F3 pretende seguir, embora com algumas diferenças. Ela começou do nada, isto é, não teve uma F-Lites para ser absorvida. Por outro lado, tem uma F4 que serve de alicerce e até mesmo de fornecedora de pilotos e equipes.

F3 ASIÁTICA

É um pouco natural comparar a F3 Americas com a Asiática, cuja etapa de estreia também aconteceu neste segundo semestre de 2018, mas com 17 pilotos – incluindo dois americanos.

Contudo, a categoria da Ásia não enfrentou atrasos de homologação e surgiu para substituir a antiga F-Masters China, que já existia. Então, para algumas equipes, era só mudar o nome do torneio em que estavam e adquirir o novo equipamento, o que facilitou a formação do grid.

E, por lá, há até uma divisão Masters, dedicada a gentleman drivers.

Ainda assim, 17×4 é goleada. E tomara que os números estejam mais próximos até o fim do ano.

EM TEMPO: Nas últimas semanas, surgiu a polêmica que Dan Ticktum, atual vice-líder da F3 Euro, foi proibido de andar pela Red Bull nos testes coletivos de Hungaroring, porque não tinha os pontos necessários na superlicença. Acabou substituído por Jake Dennis.

Da mesma forma,  é improvável que seja titular da Toro Rosso em 2019, em um eventual dominó causado pela saída de Daniel Ricciardo. Caso vença o certame europeu, o britânico somará 30 dos 40 pontos necessários para ser titular na principal categoria do automobilismo mundial. Faltariam dez. Coincidentemente, o campeão da F3 Americas leva dez pontos. Ou seja, ele perdeu a chance de disputar os dois torneios ao mesmo tempo e tentar cumprir o requisito.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da F3 Americas e da F4 USA em Pittsburgh, assim como os das principais categorias do esporte a motor no último fim de semana.

Foto: F3 Americas

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3 comentários sobre “Parecia F3 Brasil nos piores dias, mas era nos EUA

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