Daniel Ricciardo na Renault

Quando a Red Bull renovou o contrato de Max Verstappen – e não o de Daniel Ricciardo – no fim do ano passado, a mensagem tinha sido clara. O plano era que o holandês é que liderasse a equipe no rumo de volta às vitórias e, quem sabe, ao título da F1.

A equipe só não esperava que Verstappen cometesse uma série de erros nas primeiras corridas deste ano, período no qual o australiano ganhou duas provas. Nesse momento, a renovação de Ricciardo com a fabricante de energéticos parecia o caminho natural: enquanto o holandês amadurecesse, ele teria condições de disputar as primeiras colocações.

Mas, mesmo com a boa fase, Ricciardo sabia que não era mais prioridade. Ficar na Red Bull significaria ver a equipe se fechar em torno do companheiro, da mesma forma que Ferrari e Mercedes fazem com Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, respectivamente.

Aliás, renovar com a equipe austríaca nem era a melhor opção em termos de desempenho. As duas vitórias de Ricciardo foram seus únicos pódios na atual temporada. Ou seja, em condições normais, ele não tem equipamento para brigar pelo top-3.

E outro bom motivo para o australiano trocar de equipe é que, aos 29 anos e com sete triunfos nas última cinco temporadas, essa era a grande chance de aproveitar a boa fase para conseguir um bom contrato – em termos de dinheiro e/ou de equipamento para ser campeão.

Em um primeiro momento, ele tentou Ferrari e Mercedes, mas as portas se fecharam. Foi aí que apareceu a Renault.

A equipe francesa era o melhor dos mundos para os objetivos do australiano. Sendo uma das três maiores fabricantes de carro do mundo, dinheiro não é problema para ela. E, por se tratar de um time de fábrica, a expectativa é de brigar na frente.

Quando a Renault voltou à F1 em 2016, ela se comprometeu a investir 1 bilhão de euros em dez anos. Mas isso não significa 100 milhões por temporada. O dinheiro aumenta gradativamente conforme a casa é arrumada. Ou seja, Ricciardo chegará a uma equipe com mais recursos que a da época de Kevin Magnussen e Jolyon Palmer.

Por enquanto, trocar a tetracampeã Red Bull por uma Renault que nem seque foi ao pódio desde seu retorno à F1 ainda é uma aposta. Mas é exatamente a mesma feita por Lewis Hamilton quando ele deixou a McLaren por uma Mercedes que ainda tentava se firmar. E foram três títulos do britânico desde então.

Para a Renault, contratar Ricciardo também é uma vitória dupla na F1. Contra a Red Bull, obviamente, ainda mais depois de tantas críticas que a montadora tem sofrido por causa de seus motores – frágeis e menos potentes que os de Ferrari e Mercedes – nos últimos anos.

E também contra a Mercedes. Desde o GP da Alemanha se especulava Esteban Ocon como companheiro de Nico Hulkenberg na Renault. Agora, com Ricciardo nessa vaga, para o francês protegido da montadora alemã permanecer na F1 precisará que a Force India saia da administração ou então que apareça vaga em outra equipe, como a Williams.

É uma forma de dar um golpe na Mercedes, depois que a montadora germânica aumentou sua influência nos últimos anos, principalmente com a aliança com a Ferrari, tendo até sendo uma das coautoras do pedido de administração da Force India.

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