Felipe Drugovich não gosta mesmo de perder tempo. Dois dias depois de ter conquistado o inédito título da F2 por um piloto brasileiro, foi anunciado como reserva da Aston Martin na F1. A estreia acontece já neste ano, no primeiro treino livre do GP de Abu Dhabi.

Mas será que ser reserva da Aston Martin em 2023 é uma oportunidade tão boa assim?

Essa questão surgiu, porque neste momento não são altas as chances de o brasileiro assumir a titularidade da equipe britânica.

Os problemas de ser reserva da Aston Martin na F1

Um dos carros da esquadra é destinado ao canadense Lance Stroll. Para quem acompanha a F1 há alguns anos, não é nenhuma novidade que o empresário Lawrence Stroll, pai do piloto, comprou a escuderia justamente para que seu filho tivesse onde correr. A tendência, portanto, é que Lance seja titular pelo tempo que quiser.

A outra vaga será de Fernando Alonso a partir do ano que vem. Embora volta e meia apareçam boatos sobre uma nova aposentadoria, o espanhol decidiu assinar com a Aston Martin justamente porque a Alpine, a equipe que defende em 2022, tinha oferecido um vínculo de apenas um ano. Já o bicampeão queria um prazo maior, condição aceita pelo time britânico.

Claro que Alonso pode se frustrar com uma eventual falta de desempenho da Aston Martin no ano que vem e optar por encerrar seu contrato mais cedo, mas essa é uma possibilidade remota. Afinal, o espanhol ainda nem sequer estreou, e não sabemos como será o carro de 2023.

Só que a escolha de Drugovich não foi pensando na titularidade em 2024. Foi uma opção de longo prazo, de olho em aumentar suas chances de chegar à F1, seja pela esquadra britânica, seja por outra escuderia.

A estratégia de Felipe Drugovich para a F1

Em primeiro lugar, como reserva da Aston, o brasileiro conseguirá acumular bastante quilometragem no atual carro da F1. Por enquanto, já está confirmado no treino livre de Abu Dhabi e também nos testes de pós-temporada. No ano que vem, a tendência é que receba novas oportunidades, ao mesmo tempo em que guiará o simulador.

Em segundo, não é como se os pilotos saídos da F2 estivessem chegando à F1 com facilidade. Campeão do ano passado, Oscar Piastri também foi obrigado a tirar um ano sabático e apenas recentemente foi confirmado pela McLaren como titular em 2023. Callum Ilott, vice de 2020, jamais recebeu uma chance na principal categoria do automobilismo mundial. Após a F2, passou para os carros GT e hoje está na Juncos, uma das menores esquadras da Indy.

Isso sem falar em Nyck de Vries, que foi o campeão da F2 em 2019 e só agora está sendo valorizado pela F1, após sua ótima estreia no GP da Itália, no qual foi capaz de terminar na zona de pontos, mesmo andando pela Williams.

Ou seja, mesmo quem se destacar na categoria de acesso em 2023 também deverá penar para ter chances de subir à F1.

Mas talvez o aspecto mais importante para Drugovich é que, como reserva da Aston Martin, ele estará no paddock da F1 em boa parte das corridas de 2023. Isso é fundamental para quem quer entrar na principal categoria do automobilismo mundial. Terá tempo para cavar reuniões e “vender seu peixe” em busca de convencer alguma escuderia – incluindo a própria Aston Martin – a apostar nele como titular a partir de 2024.

Não é raro para um piloto que busca ser promovido à F1 descolar uma vaga de comentarista em alguma TV justamente para ter acesso ao paddock e poder negociar com as equipes quando não está participando da transmissão de treinos e corridas. E Drugovich não vai precisar de nada disso, já que será reserva da Aston Martin e estará no paddock da F1.

Agora resta ver se essa aposta dará certo e aumente as chances de o brasileiro estrear na principal categoria do automobilismo mundial.

Felipe Drugovich, de macacão laranja, celebrando o título da F2 segurando a bandeira do Brasil, com o Sol ao fundo
Felipe Drugovich foi o campeão da F2 e assinou para ser reserva da Aston Martin na F1 em 2023 – foto: dutch photo agency/kgcom/divulgação