Às vésperas do GP da Hungria, o último antes das férias de verão da F1, Fernando Alonso dizia que precisava de somente dez minutos de reunião para acertar sua renovação de contrato com a Alpine para a temporada 2023.

Nessa hora, o que me surpreendeu foi a imprensa internacional ter interpretado essa frase do espanhol como se fosse questão de tempo para que ele se acertasse com a escuderia francesa.

Dá para entender a confusão. Em primeiro lugar, Alonso é bom de blefe. Ele sabe muito bem usar a ironia e consegue falar uma coisa quando quer dizer outra. Além disso, os dirigentes da Alpine também corroboravam que os últimos detalhes do novo vínculo estavam sendo definidos.

Ou seja, dava para imaginar que, quando Alonso, seu empresário Flavio Briatore e os chefes da Alpine se voltassem a se encontrar, a reunião seria rápida, e o contrato seria assinado. Isto é, uma mera formalidade.

Mas aí é que está o problema: se era uma questão de tempo para a renovação ser definida, por que a reunião de dez minutos ainda não tinha acontecido? Os dirigentes da Alpine poderiam ter visitado Alonso antes da viagem à Hungria para se acertarem. Ou então segurado o espanhol antes da entrevista para assegurar que ele assinasse o papel.

A resposta é que a frase “precisamos de apenas 10 minutos para definir” significa tudo menos que é uma formalidade, uma questão de tempo ou que está nos últimos detalhes.

O que Fernando Alonso realmente quis dizer?

O que a frase de Alonso — e que muitos outros esportistas já disseram — revela é que há um beco sem saída nas negociações, e que só será resolvido se um dos lados abrir mão do que está exigindo. Ou seja, o que o bicampeão estava fazendo era pressionar a Alpine a aceitar suas cláusulas. Se isso acontecesse, a reunião duraria dez minutos. Do contrário, não haveria conversa.

Geralmente os impasses acontecem devido ao salário. Os pilotos querem sempre ganhar mais, enquanto as equipes buscam economizar ao máximo. Essa é a razão, por exemplo, do imbróglio envolvendo Alex Palou, Ganassi e McLaren na Indy.

Mas também podem ser causados por divergências em relação a quem vai ter prioridade na hora de definir se o contrato será renovado, isto é, a opção é de quem ou na duração do novo vínculo, como é o caso de Alonso. Segundo a imprensa internacional, o bicampeão não estava satisfeito com a proposta da Alpine de renovar apenas para a temporada 2023 da F1, quando esquentaria o assento para Oscar Piastri.

Ironicamente, agora a esquadra francesa corre o risco de ficar sem o espanhol nem o australiano.

Melhor para a Aston Martin, que correu para assinar com Alonso ao perceber que o piloto estava dando sopa no mercado.

Por outro lado, quando um piloto quer dizer que é questão de tempo para renovar um contrato, geralmente prefere frases mais abrangentes, como “estamos nos últimos detalhes”, “devemos ter novidades em breve” etc.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da F1 2023 está sendo formado.

carro verde da Aston Martin de Sebastian Vettel, número 5, de lateral, com uma Alfa Romeo ao lado direito
Sebastian Vettel decidiu se aposentar e colocou fogo no mercado de pilotos da F1 2023 – foto: red bull content pool

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