Não que faltem surpresas na temporada 2021 da Indy. Mas a presença de Callum Ilott nas etapas de Portland, Laguna Seca e Long Beach talvez tenha superado todos os limites.

É difícil tentar encontrar alguma lógica em o atual vice-campeão da F2 e reserva da Ferrari ter assinado com a Juncos, uma escuderia que estava afastada da categoria desde as 500 Milhas de Indianápolis de 2019 e que jamais foi competitiva – seu maior brilho foi ter eliminado Fernando Alonso, então na McLaren, do grid da Indy 500 daquele ano.

Mas, apesar de a estreia de Ilott em Portland ter sido marcada por um acidente logo primeira curva e por ter enfrentado problemas mecânicos na eletrônica do carro durante toda a prova, a união entre o britânico e a Juncos tem, sim, motivos para dar certo.

Para começar, Ilott é um piloto muito forte em ritmo de classificação. Na F2, no ano passado, ele largou na pole em cinco das 12 etapas realizadas, quase alcançando um aproveitamento de 50%.

Seu problema costumam ser as corridas. Seja por cometer erros, seja por falta de ritmo, o britânico acaba andando para trás. Tanto que das cinco poles na F2 de 2020, somente uma foi convertida em vitória.

As vantagens da Juncos na Indy 2021

Aí é que entra Juncos, que tem potencial para destacar os pontos fortes de Ilott e, ao mesmo tempo, esconder as fraquezas do britânico.

Pela fragilidade do equipamento que Ilott tem à disposição e pela falta de experiência dele no automobilismo americano, ninguém espera que o britânico consiga passar para o round 2 da classificação (muito menos para o Fast Six) da Indy nessas três corridas que ele vai fazer.

Mas as tomadas de tempo são justamente onde ele costuma tirar leite de pedra. Se alguém é capaz de levar a Juncos ao round 2, é ele. Em Portland, chegou perto. O novato ficou com a 19ª colocação no grid (à frente de Romain Grosjean e Simon Pagenaud, por exemplo) e não avançou de fase somente por 0s3.

Se impressionar aos sábados (da mesma forma como Christian Lundgaard fez quando andou pela RLL), Ilott pode chamar atenção de alguma equipe mais estabelecida que ainda tenha vaga para 2022. A Dale Coyne, por exemplo, busca um substituto para Grosjean, ainda mais depois que as negociações com Alex Albon não deram certo. Também há indefinição sobre o futuro de Conor Daly na ECR.

Já, caso Ilott venha apresentar queda de ritmo em corrida, esse problema poderá ser colocado na conta do equipamento da Juncos. Com a esquadra tendo ficado tanto tempo longe da Indy, fica muito difícil saber qual o verdadeiro potencial dela para avaliar como Ilott tem se saído.

Nesse contexto, Ilott não tem nada a perder. Se ele impressionar nas três corridas que está fazendo ou a Juncos evoluir para o ano que vem, o britânico se coloca em uma boa posição para o mercado de pilotos da categoria. Do contrário, é só voltar à Europa, onde ocupa a função de reserva da Ferrari e tem se destacado defendendo a marca italiana em provas de GT3.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa de Portland da Indy, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.