A Aston Martin foi a grande estrela do desembarque da F1 em Barcelona, para a disputa do GP da Espanha, ao exibir um carro com muitas modificações e similar ao da Red Bull.

Será que depois da “Mercedes Rosa” vem aí a “Red Bull Verde”?

Não seria por acaso. Afinal, a equipe britânica vai tendo um início de temporada 2022 bastante complicado. Se há dois anos a esquadra lutava por pódios e obteve o quarto lugar no Mundial de Construtores (justamente no ano em que foi chamada de Mercedes rosa), agora o time ocupa a penúltima colocação na tabela, com apenas seis pontos obtidos nas cinco primeiras corridas realizadas.

Para comparação, esses seis pontos são menos que a metade dos 15 que Kevin Magnussen conseguiu pela Haas, a ex-pior equipe do grid. E o dobro dos três que Alex Albon já descolou para a Williams, a lanterninha mais uma vez.

Mas como a Aston Martin teve uma queda de desempenho em somente dois anos? Confira abaixo quatro motivos para a atual crise na esquadra.

Investimentos menos generosos na F1

Há uma grande diferença entre a Aston Martin e montadoras como Mercedes, Ferrari e Renault (Alpine). A marca britânica não é conhecida por vender muitos carros. Pelo contrário. Enfrentava uma crise financeira desde antes da pandemia.

Foi salva porque teve parte de suas ações adquirida pelo empresário Lawrence Stroll, que aportou mais de US$ 230 milhões.

Com menos de 5.000 carros vendidos anualmente, a capacidade de investimento da Aston Martin na F1 é limitada, se compararmos com as principais escuderias da categoria.

Pelo menos, a época de gastança desenfreada na F1 parece ter acabado, graças ao teto orçamentário recentemente implantado. Assim, a esquadra britânica pode contar com patrocínios como Cognizant e Aramco para buscar ser competitiva sem depender dos investimentos da montadora.

Lance Stroll ainda está muito verde na F1 (com trocadilho)

Não é novidade para ninguém que Lawrence Stroll comprou uma equipe para que seu filho, Lance, tive uma vaga competitiva na F1.

Lance está longe de ser um piloto ruim. Já conquistou uma pole-position (no GP da Turquia de 2020), uma primeira fila andando pela Williams e três pódios.

O problema é que esses bons resultados acontecem uma vez por ano e olhe lá.

Na maior parte do tempo, o canadense no máximo está lutando para chegar ao top-10. Em toda sua carreira até agora, Stroll pontuou em 36 corridas (de um total de 105 GPs disputados). Dessas, em 24 foi terminando em oitavo, nono ou décimo. Ou seja, abocanhando pouquíssimos pontos.

Ou seja, ainda precisa mostrar tanto que pode pontuar com consistência quanto que é capaz de andar frequentemente na parte de cima do grupo do dez primeiros.

O que podemos esperar de Sebastian Vettel na F1?

É difícil entender por qual razão a Aston Martin contratou Vettel. O tetracampeão, na verdade, tem mostrado a mesma fraqueza de Stroll: consegue resultados incríveis, mas são raros.

Foi assim no ano passado com o pódio em Baku e a luta pela vitória em Hungaroring ou então a arrojada ultrapassagem em Pierre Gasly no GP de Mônaco.

Só que os problemas são muito mais frequentes. Só em 2022, ficou fora das duas primeiras corridas da temporada devido a um problema de saúde, bateu diversas vezes na Austrália e abandonou a corrida de Miami devido a um acidente.

Por outro lado, o melhor ano da equipe de Stroll na F1 foi em 2020, quando ainda era chamada de Racing Point e apostava na consistência. A esquadra contava com Sergio Pérez, um piloto que comete poucos erros e capaz de pontuar com frequência. Tanto que o time terminou em quarto no Mundial de Construtores com uma vitória, uma pole e outros três pódios.

O motor Mercedes não é o mais o mesmo na F1

No início da era híbrida da F1, em 2014, bastava um time contar com o motor da Mercedes para conseguir andar na frente. Tanto que a Williams saiu de um 2013 em que quase não pontuou para lutar por pódios com frequência na temporada seguinte.

Agora, a situação é a oposta. A própria Mercedes já reconheceu que seu motor não é tão competitivo quanto os de Ferrari e Red Bull.

Não que seja um desastre completo. Os pódios obtidos por George Russell e Lando Norris mostram que o equipamento não é tão frágil assim. Mas as equipes precisam que tudo dê certo para elas em um fim de semana para terminar no top-3.

Por isso, a Aston Martin contar com pilotos tão inconstantes, como Stroll e Vettel, acaba complicando ainda mais nessa hora.

Será que com a “Red Bull Verde” a Aston vai dar a volta por cima? Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos do GP da Espanha da F1, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

E abaixo você confere as fotos da nova versão do carro da Red Bull Aston Martin para a F1 2022: