Tem bomba na MotoGP! Maverick Viñales, terceiro colocado na categoria em 2017 e 2019, vai trocar a Yamaha pela Aprilia a partir da temporada 2022, segundo uma reportagem publicada pelo site The Race, um dos mais bem informados da imprensa internacional.

Mas o que levou Viñales, antes considerado o futuro da Yamaha na MotoGP, a optar pelo projeto da Aprilia, marca para quem nem mesmo pilotos do meio do pelotão da Moto2 queriam correr?

Em primeiro lugar, há uma evolução do equipamento da Aprilia em 2021. Aleix Espargaró, o principal piloto do fabricante, largou do top-10 em oito das nove corridas realizadas até agora, tendo sido o quarto no grid na Itália e o terceiro na Alemanha. O espanhol também fechou entre os dez primeiros em todas as provas até aqui (com exceção dos abandonos na França e na Catalunha).

Além disso, Espargaró tem constantemente andado no pelotão da frente. Se o primeiro pódio da Aprilia na MotoGP ainda não veio, não dá para negar que houve uma tremenda evolução do equipamento.

E as perspectivas para a MotoGP 2022 são ainda melhoras, uma vez que a parceria da fabricante com a Gresini chegará ao fim, e será a própria Aprilia que operará sua equipe.

Mas Viñales só estava disposto a conhecer o projeto da Aprilia porque sua vida na Yamaha não estava boa.

As insatisfações de Viñales com a Yamaha na MotoGP

De uma forma geral, o competidor nunca esteve contente com os altos e baixos da Yamaha. Para se ter ideia dessa inconstância, com a mesma moto, Viñales foi o último colocado no GP da Alemanha, há uma semana, e largou na pole e foi o segundo agora em Assen.

Em uma entrevista após a corrida na Holanda, o espanhol disse que quatro vezes por ano a Yamaha é imbatível, mas no restante da temporada é uma moto complicada de domar.

Mas o que está por trás da insatisfação de Viñales é o domínio que Fabio Quartararo, seu companheiro de equipe, está tendo. O francês soma cinco poles e quatro vitórias na atual temporada, lidera a tabela de pontos e não parece sofrer dos mesmos altos e baixos.

Por mais que as equipes desconversem, é sempre muito difícil dar conta de dois pilotos número 1. A própria Yamaha sofreu com isso na época de Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, em que havia literalmente uma divisória entre as duas garagens, e os mecânicos e engenheiros de um piloto não podiam ter contato com o outro.

Assim, quando Viñales percebeu que a Yamaha escolheu Quartararo como seu líder na MotoGP, restava ao piloto espanhol, ou se conformar com a função de número 2, ou buscar outro lugar para correr.

E como a Aprilia já vinha buscando um piloto de ponta, o acerto com Viñales acabou acontecendo. Resta ver ser o espanhol agora terá a paciência para lidar com uma equipe que está se formando e com uma moto que ainda está atrás de seu primeiro pódio.

Para quem acompanha a F1, dá para dizer que a situação de Viñales é similar à que viveu Daniel Ricciardo. O australiano sempre foi considerado um piloto promissor, mas perdeu espaço na Red Bull com a chegada de Max Verstappen. Para não ser o número 2 do holandês, acertou com a Renault com a esperança de transformar a marca francesa em uma vencedora, conquistou alguns pódios, só que depois se transferiu para a McLaren.

Aí fica a dúvida: será que Viñales terá melhor sorte na Aprilia na MotoGP 2022?

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da MotoGP em Assen, na Holanda, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: box repsol/CC BY 2.0

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A Aprilia não é mais a moto que ninguém quer na MotoGP para 2022 – fotos do post: gold & goose/red bull content pool