Já há alguns anos a F1 deixou de ter um treino dos novatos propriamente dito. Isto é, uma atividade exclusiva para pilotos com pouca ou nenhuma experiência na categoria. Mas sabe que até deu para matar a saudades dessa iniciativa no primeiro treino livre do GP dos EUA de 2022?

Na primeira atividade de pista em Austin, nada menos que cinco titulares entregaram seus carros para que estreantes participassem do treino. Charles Leclerc foi substituído por Robert Shwartzman na Ferrari, Guanyu Zhou, por Theo Pourchaire na Alfa Romeo, Daniel Ricciardo, por Alex Palou na McLaren e Nicholas Latifi, por Logan Sargeant na Williams.

Já a Haas teve Antonio Giovinazzi na vaga de Kevin Magnussen. Só que o italiano não entra para a conta. Ele já disputou três temporadas pela Alfa Romeo, jamais conseguiu algum resultado relevante e, mesmo assim, está cotado para guiar o segundo equipamento da escuderia americana em 2023.

Esse número elevado de novatos em Austin não é por acaso. Neste ano, as equipes são obrigadas a entregar seus carros a pilotos com pouca experiência na F1 em dois treinos livres.

É por esse motivo que Nyck de Vries já testou por Aston Martin, Williams e Mercedes só em 2022, e Felipe Drugovich está escalado para participar do primeiro treino do GP de Abu Dhabi pela Aston, onde é reserva.

Também não é uma coincidência muitas esquadras optarem por colocar os novatos para andar nos EUA. De um lado, pouca coisa está em jogo no campeonato de 2022: Max Verstappen garantiu o bi na etapa anterior, em Suzuka, enquanto o Mundial de Construtores está praticamente assegurado pela Red Bull.

Além disso, Austin é uma das provas em que não há uma corrida sprint marcada nem tem a F2 fazendo a preliminar. Por isso, nomes como Sargeant e Pourchaire estavam disponíveis.

Quem brilhou no “treino dos novatos” da F1 2022?

Em relação ao desempenho, é complicado cravar quem brilhou nesse quase treino dos novatos da F1 2022. Não dá para saber quem estava com tanque cheio nem o que estavam avaliando em suas idas à pista. Aliás, muitas equipes evitam fazer simulação de classificação com os estreantes para diminuir o risco de alguma batida.

De qualquer forma, a ponta ficou com Shwartzman. A primeira colocação do russo já era esperada, pois o equipamento da Ferrari era o melhor entre os à disposição dos substitutos. De um lado, o piloto terminou 0s9 na frente de Palou, o segundo mais veloz nessa classificação. Do outro, tomou quase 2s1 de Carlos Sainz, seu companheiro na escuderia de Maranello e líder no ranking geral.

Palou também ficou mais de 2s atrás de seu companheiro, Lando Norris, mas abriu 0s2 para Theo Pourchaire, na Alfa Romeo. O francês encerrou 1s9 atrás de Guanyou Zhou, com quem vem concorrendo nos últimos anos por uma vaga de titular na F1.

Já Logan Sargeant, cotado para ser um dos titulares da Williams em 2023, levou menos de 0s2 de Pourchaire e ficou 1s9 atrás de Alexander Albon, no outro carro da escuderia britânica.

O único vexame foi de Giovinazzi, o novato fake — ele participar do treino livre nos EUA não conta para as duas presenças obrigatórias de um estreante na Haas, justamente pela experiência que já acumulou na F1. O italiano bateu e completou somente quatro voltas, ficando mais de 6s atrás de Sainz.

Não é o resultado de um treino livre que vai fazer a esquadra americana decidir se vai contratar Giovinazzi para o ano que vem. Mas que é difícil justificar a opção pelo italiano com base no desempenho, isso é.

Agora as equipes têm apenas mais duas oportunidades de colocar os jovens para andar em seus carros neste ano: no GP do México, na semana que vem, e em Abu Dhabi, no fim de novembro. Em Interlagos não será possível, pois há menos treinos livres, devido à prova sprint.

Nessas corrida, deveremos mais uma vez ter uma enxurrada de estreantes. AlphaTauri, Aston Martin, Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull ainda precisam colocar novatos em um treino livre para cumprir com a regra. Já Haas e Alpine ainda não deram chance a nenhum jovem e, obrigatoriamente, precisarão escalá-los tanto no México quanto em Abu Dhabi.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da F1 em Austin, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Alex Palou, de boné azul, olhando para a direita
Após a novela envolvendo sua saída da Ganassi, Alex Palou testou pela McLaren no GP dos EUA da F1 – foto: honda/divulgação