O mercado de pilotos da F1 sempre tem suas surpresas. Uma delas foi Nyck de Vries (campeão da Formula E, reserva e parceiro de bancada de Toto Wolff na Mercedes) ter assinado com a AlphaTauri, time satélite da Red Bull para 2023.

A negociação só foi possível, porque a Alpine foi buscar Pierre Gasly, atual titular da AlphaTauri, como substituto ideal depois de perder Fernando Alonso e Oscar Piastri em praticamente uma só tacada.

Em um primeiro momento, parecia que Colton Herta é que ficaria com o posto de Gasly, mas o americano não tem a superlicença, documento obrigatório para os pilotos correrem na F1, e a FIA decidiu não abrir nenhuma exceção para que ele pudesse competir mesmo assim.

Enquanto a situação de Herta se desenrolava, De Vries estreou na F1 no GP da Itália, pela Williams, substituindo Alexander Albon (vetado por um problema de saúde), e impressionou ao terminar com a nona colocação — o que chamou a atenção dos dirigentes da Red Bull. Poucas semanas depois da etapa de Monza, o contrato foi assinado.

Só não dá para dizer que a Red Bull “roubou” um piloto da Mercedes bem debaixo dos olhos de Toto e de sua esquadra.

Na realidade, o contrato de De Vries com a montadora já estava chegando ao fim e não seria renovado. No fim da última temporada, a Mercedes deixou a Formula E, onde o holandês foi campeão, e o piloto já tinha decidido buscar novos ares.

Para o ano que vem, era cotado como titular da Toyota no WEC (no ano de afirmação dos hipercarros) e especulado na Maseratti (antiga Venturi) na Formula E.

Quem é o próximo piloto da Mercedes no caminho da F1?

A ida de De Vries para a AlphaTauri também significa que a Mercedes não deverá ter um piloto pronto caso um dia precise substituir Lewis Hamilton e/ou George Russell. Não que o heptacampeão do mundo pense em se aposentar em breve. Mas, como completa 38 anos antes do início da próxima temporada, a Mercedes já deve começar a preparar sua sucessão.

Falando em Russell, o britânico foi campeão da F3, da F2 e ainda ficou três anos na Williams se adaptando à principal categoria do automobilismo mundial. Os atuais representantes da academia da Mercedes não estão nem perto de ter as conquistas ou a quilometragem acumulada pelo atual companheiro de Hamilton. Frederik Vesti, na F2, e Paul Aron, na F3, ainda estão crus e precisam mostrar que podem brigar por pódios e vitórias com frequência para serem cogitados na F1.

De qualquer forma, o grande nome do programa de jovens pilotos da Mercedes é o italiano Andrea Kimi Antonelli, de 16 anos de idade e que deve ser o campeão da F4 Alemã e da F4 Italiana neste ano.

Mesmo sendo otimista, ainda devem ser necessários mais uns quatro ou cinco anos, pelo menos, para ele ter condições de guiar pela equipe de fábrica na F1. Ou seja, ainda não dá para colocá-lo como próximo da fila de receber uma chance.

Daí a tendência é que, sem De Vries, quando Hamilton decidir se aposentar, a Mercedes deva buscar alguém que já esteja consolidado na F1 — da mesma forma que fez em 2012 ao tirar o britânico da McLaren.

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Mercedes de Nyck de Vries vista de frente, na curva para a direita
Nyck de Vries chegou a andar pela Mercedes no treino livre do GP da França da F1 2023 – foto: daimler/divulgçaão