Uma das maiores críticas feita à Red Bull parece ter chegado ao fim na temporada 2022 da F1: que era impossível ser companheiro de equipe de Max Verstappen.

Dono do posto de número 2 desde o ano passado, Sergio Pérez vem conseguindo se consolidar tanto como escudeiro de Verstappen quanto como opção para brigar por pódios e vitórias quando o holandês não estiver em seus melhores dias.

Como resultado dessa melhora do mexicano, a equipe austríaca obteve no GP da Emilia Romagna, em Imola, sua primeira dobradinha em 2.030 dias. A última tinha sido no GP da Malásia de 2016, quando Daniel Ricciardo havia conquistado a vitória e Verstappen havia terminado em segundo.

No ano passado, Pérez começava a dar sinais de que poderia fazer para Verstappen o mesmo papel que Valtteri Bottas desempenhava na Mercedes com Lewis Hamilton.

Para além de ceder a posição ao companheiro quando fosse preciso, a grande vantagem que Bottas entregava para a montadora germânica era de certa forma conseguir acompanhar o ritmo de Verstappen e de Hamilton.

Isso significava que a Red Bull precisava ser mais cautelosa nas estratégias de box com o holandês, porque o segundo piloto da Mercedes estaria à espreita para roubar a posição.

Até 2020, isso acontecia com mais frequência. Nessa época, a Mercedes poderia, por exemplo, optar por antecipar a parada do finlandês, para forçar o pit-stop de Verstappen (protegendo o undercut) e evitar uma estratégia rubro-taurina de um stint mais longo.

Ou então poderia retardar a parada de Bottas, deixá-lo na pista, fazendo com que o holandês perdesse tempo tentando ultrapassá-lo.

Nessa época, a Red Bull via tanto Pierre Gasly quanto Alexander Albon enfrentarem dificuldades para andar no pelotão da frente (principalmente nas classificações), o que a deixava desfalcada nessas brigas pela ponta. Como consequência, o time rubro-taurino também tinha dificuldades para decolar no Mundial de Construtores.

Voltando a Pérez, foi por coincidência na etapa de Imola do ano passado que o mexicano deu sinais de que poderia ser um autêntico número 2 para a Red Bull. Na Emilia Romagna, classificou-se em segundo no grid e pressionou Hamilton na largada, o que contribuiu para que Verstappen, vindo de mais atrás, tomasse a ponta na Tamburello.

É verdade que o mexicano abandonou, mas no fim foram os rubro-taurinos que comemoraram a vitória naquele dia.

Ao longo de 2021, Pérez já havia consolidado sua posição de número 2 ao vencer o GP do Azerbaijão, após acidente de Verstappen, e ter sido capaz de segurar Hamilton no infâme GP de Abu Dhabi (quando ganhou o apelido de Ministro da Defesa do México), o que abriu caminho para o título de Verstappen em meio às polêmicas paradas nos boxes.

Aliás, nas últimas 11 provas, desde o GP da Turquia do ano passado, nas corridas em que recebeu a bandeirada, o mexicano esteve sempre entre os quatro primeiros colocados. Nesse meio tempo, foi o pole do GP da Arábia Saudita de 2022 (quando deu azar no timing do safety-car) e terminou em segundo nos GPs da Austrália e da Emilia Romagna deste ano, seu melhor resultado pela Red Bull, com exceção da vitória em Baku.

Alerta no Red Bull Junior Team em 2022

Com Pérez se firmando como segundo piloto da fabricante da energéticos e Verstappen tendo renovado seu contrato até 2028, no mínimo acende um sinal de alerta para os pilotos que integram o Red Bull Junior Team. Afinal, ao menos por enquanto, não parece haver sinais de que eles tenham chance de receber uma oportunidade na equipe principal.

Mais do que isso, resta ver se, quando a era Sergio Pérez chegar ao fim, a Red Bull vai manter a estratégia de optar por um nome experiente do grid em vez de promover precocemente um de seus pupilos.

O número 2 do resto do grid da F1 2022

Curiosamente, a boa fase de Pérez contrasta com indefinições acerca do piloto número 2 das demais equipes grandes. Na Ferrari, Carlos Sainz até terminou na frente na batalha interna do ano passado, mas vem sofrendo com Charles Leclerc neste ano.

Enquanto o monegasco já obteve duas poles e duas vitórias na F1 em 2022, Sainz vem acumulando batidas nas duas últimas etapas.

Já na Mercedes a situação está indefinida. George Russell é quem parece estar sofrendo menos com os defeitos do equipamento de 2022, tendo obtido top-5 em todas as provas deste ano. Mas fica a dúvida se, em situações normais, a convivência com Hamilton estaria tão pacífica.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos do GP da Emilia Romagna da F1, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Sergio Pérez, F1, Fórmula 1, 2022, Red Bull, GP da Emilia Romagna, Max Verstappen
A Red Bull enfim encontrou em Sergio Pérez um piloto para andar perto de Max Verstappen – foto: clive mason/getty images