A temporada 2022 da F4 Espanhola começa neste fim de semana, em Portimão, com a principal novidade já não tendo dado tão certo…

Para este ano, a organização tinha determinado que cada equipe poderia inscrever no máximo quatro pilotos. Essa tinha sido uma decisão bastante elogiada, porque visava manter a sustentabilidade do campeonato.

Na história das categorias de base da F1, não são poucos os exemplos de torneios que fecharam as portas por falta de interessados. Geralmente acontece assim: uma escuderia sobressai e começa a atrair muitos pilotos nos anos seguintes. Para dar conta da demanda, passa a alinhar, quatro, cinco, seis, sete carros, fazendo com que as esquadras menores penem preencher suas vagas.

Os times grandes, então, passam a cobrar mais de quem quer competir por eles, enquanto os pequenos vão deixando a categoria. Uma hora os pilotos percebem que estão pagando muito caro para estar em um grid que se enfraqueceu e decidem buscar outro lugar, fazendo com que o campeonato como um todo fique mais fraco.

Voltando à F4 Espanhola, no ano passado, a equipe MP, a mesma para qual Felipe Drugovich compete na F2, tinha alinhado oito carros em todas as etapas e em algumas corridas chegava até mesmo a ter um nono competidor.

Para evitar a vantagem da esquadra holandesa, a organização da F4 Espanhola determinou que cada time poderia ter no máximo quatro competidores em 2022.

Em um primeiro momento, a determinação parecia que daria certo, com novos times chegando à F4 Espanhola em 2022: a Cram (com história na F4 Italiana), a Monlau (responsável por revelar Marc Márquez nas categorias de base da MotoGP, mas que há anos também tem uma divisão de quatro rodas) e a Sainteloc (escuderia parceira da Audi nos últimos anos).

Em meio a isso, a MP começou a anunciar seus pilotos. Primeiro acertou com Tymoteusz Kucharczyk, vindo do kart e vencedor da bolsa da Richard Mille, depois trouxe o italiano Valerio Rinicella (que tem o ex-F1 Giancarlo Fisichella como mentor) e por fim fechou com Sebastian Gravlund, da Dinamarca.

Ou seja, faltava só mais um piloto para completar o quarteto, certo?

Nada disso, de uma vez só, a esquadra anunciou quatro novos competidores no começo de abril: o tailandês Tasanapol Inthrapuvasak, o russo Miron Pingasov, o marroquino Suleiman Zanfari (um dos mais veteranos do grid) e Christian Ho, de Singapura, que já defendeu a Sauber em sua passagem pelo kartismo.

O pulo do gato da MP foi se dividir em duas equipes. Ou seja, para estar dentro do limite de quatro pilotos, optou por inscrever dois times diferentes, como se no fim não fosse a mesma coisa.

Esse artifício é muito comum em categorias que costumam colocar um teto de participantes. Na Euroformula Open, por exemplo, a Motopark inscreve seis carros, o equivalente a quase metade do grid. São três no time principal e outros três numa esquadra chamada Cryptotower, o nome de um de seus patrocinadores.

E quem acompanha as categorias de base há algum tempo talvez se lembre da Jagonya Ayam with Carlin, que alinhava Antonio Giovinazzi e Sean Gelael na F3 Euro na década passada.

Jagonya Ayam, em indonésio, é uma expressão que equivale a “rei do frango”. Era o slogan usado pelo KFC da Indonésia, cujo dono é Richard Gelael, pai de Sean Gelael e que financiava a carreira dos dois competidores.

Assim, a escuderia britânica tinha seu time principal, por onde passaram nomes como George Russell e Callum Ilott, e também sua versão Jagonya Ayam.

O problema é que, se o limite de carros é uma forma de tentar equilibrar o campeonato, agora a diferença entre os times fica cada vez maior. Isso porque as escuderias do meio do pelotão não têm mais a opção de irem crescendo pouco a pouco. Se quiserem passar do limite de quatro veículos, precisam praticamente dobrar de tamanho, o que na prática é raro de acontecer.

Agora resta ver se a F4 Espanhola vai continuar sua trajetória de sucesso, mesmo que o limite de quatro carros não tenha sido muito respeitado, continuando, inclusive, a incomodar a F4 Italiana, considerada a mais forte da modalidade.

Ricardinho Gracia na F4 Espanhola 2022

Dos quase 30 pilotos anunciados para a temporada 2022 da F4 Espanhola, um deles é brasileiro: Ricardinho Gracia, que vai competir pela esquadra espanhola GRS.

Gracia vem participando dos testes na Europa desde o fim do ano passado e vai fazer jornada dupla neste ano, uma vez que também está escalado para tomar parte da F4 Brasil. Por aqui, ao lado de Pedro Clerot, é considerado um dos favoritos à taça.

Na Espanha, a situação é mais complicada. A GRS não é uma esquadra ruim, mas está longe da MP ou mesmo da Campos. No ano passado, inscreveu o russo Vladislav Ryabov, que da mesma forma como conquistou três pódios e outros quatro top-5, também ficou marcado pelo alto número de problemas e abandonos.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da F4 Espanhola 2022 foi formado.

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Ricardinho Gracia é o representante brasileiro na F4 Espanhola em 2022 – foto: grs team/kgcom/divulgação