A temporada 2022 da Fórmula Regional by Alpine começa neste fim de semana, em Monza, já cercada por um polêmica mudança no regulamento: a partir deste ano, os pilotos terão direito a acionar um push-to-pass para aumentar as chances de ultrapassagem.

A chegada do aparato é a resposta que a categoria encontrou para as críticas que recebeu no ano passado. Cercada de expectativas em 2021, por contar com jovens pilotos de diversas academias de equipes da F1, a Fórmula Regional decepcionou com corridas muito chatas.

Além da presença constante do safety-car (afinal, há mais chances de haver incidentes em um grid com mais de 30 carros), as etapas não eram emocionantes. Era comum provas sem ultrapassagens depois da primeira volta. Tanto que o pole-position recebeu a bandeira quadriculada na frente em 17 das 20 baterias realizadas.

Neste ano, o push-to-pass poderá ser acionado da seguinte forma: a partir da segunda volta de cada bateria (ou no segundo giro após a saída do safety-car), o piloto terá direito apertar o botão cinco vezes. O aumento na potência do motor vai durar 15 segundos a cada ativação e poderá ser usado tanto para atacar na briga por posição quanto para se defender de um adversário. Nas classificações, essa funcionalidade estará proibida.

A Fórmula Regional 2022 precisa de push-to-pass?

Mas fica a dúvida: será que uma categoria de base da F1 precisa mesmo de um push-to-pass? Não seria mais interessante que os jovens pilotos aprendessem a criar oportunidades de ultrapassar na marra?

No mundo ideal, não deveria ser necessário nenhum artifício assim. Mas os campeonatos de base da F1 são constituídos de forma que as ultrapassagens pouco aconteçam.

Nessas categorias, como é o caso da F-Regional by Alpine, todos os equipamentos são desenhados e construídos por uma mesma empresa. De tempos em tempos, essas companhias precisam criar atualizações dos carros para vender para as equipes e ganhar dinheiro.

Para que os campeonatos justifiquem a chegada de novos equipamentos em intervalos cada vez menores, o novo carro precisa ser mais rápido que o antecessor. E a forma mais comum de alcançar isso é mexendo na aerodinâmica para gerar mais downforce.

Como vimos na F1 durante anos, quanto mais dependente da aerodinâmica os equipamentos forem, há mais dificuldades para acompanhar o carro da frente e, portanto, fazer uma ultrapassagem. Daí muitos campeonatos da base precisam de aparatos como o push-to-pass e a asa traseira móvel para evitar corridas chatíssimas.

Por outro lado, não dá para dizer que esse tipo de artifício esteja “estragando” os pilotos e criando uma geração que não sabe ultrapassar.

Por exemplo, durante anos a F-Renault 3.5 (conhecida no Brasil como World Series by Renault) alternou entre ter asa móvel e o push-to-pass em seus carros, mas nem por isso os pilotos revelados por esse campeonato ficaram conhecidos por não saberem ultrapassar.

Pelo contrário. Por lá passaram nomes como Sebastian Vettel, Robert Kubica, Daniel Ricciardo, Kevin Magnussen, Jules Bianchi, Alexander Rossi e Carlos Sainz Jr, que anos mais tarde foram parar na F1.

Mas que seria mais interessante para as corridas – e para o desenvolvimento dos pilotos – que os carros das categorias de base da F1 não fossem quase completamente dependente de aerodinâmica e permitissem mais ultrapassagens, isso seria.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da etapa de Monza da F-Regional by Alpine 2022, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

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Gabriel Bortoleto está na luta pelo título da Fórmula Regional em 2022 – foto: dutch photo agency/quickcomunicacao/divulgação