Mal estreou na Red Bull, e Sergio Pérez já começou a receber algumas críticas pelo seu desempenho nas duas primeiras etapas da temporada 2021 da F1.

Na abertura do campeonato, no Bahrein, o mexicano não passou ao Q3 da classificação. Depois, até conseguiu se recuperar na corrida e terminar com o quinto lugar. Ainda assim, estamos falando de uma pista, onde, pouco meses antes, ele quase subiu ao pódio competindo pela Racing Point. Só não ficou no top-3, porque o motor estourou nas voltas finais.

Já em Imola Pérez andou para trás. Apesar de ter largado na primeira fila, o segundo piloto da Red Bull jamais esteve em condições de brigar pela vitória. Pelo contrário. Cometeu vários erros durante a corrida: escapou da pista atrás do safety-car, ultrapassou outros competidores com o carro de segurança acionado para tentar recuperar o tempo perdido (o que lhe rendeu uma punição de 10s) e ainda rodou na parte final da prova. Fechou, assim, em 11º.

Enquanto Pérez não pontuou, seu companheiro, Max Verstappen, foi o vencedor após um desempenho dominante.

É verdade que se esperava mais do desempenho do mexicano nessas primeiras corridas de 2021. Mesmo com o segundo carro da Red Bull ser considerado problemático, uma vez que seu “dono” será sempre comparado a Verstappen, Pérez é um veterano da F1 – está em sua 11ª temporada na categoria e já enfrentou companheiros complicados, como Jenson Button, Nico Hulkenberg e Esteban Ocon – então deveria ter condições de andar na frente, mesmo com essa pressão extra.

Por outro lado, já há, sim, uma evolução da Red Bull com Pérez em relação à época de Pierre Gasly e de Alex Albon. Por isso fica a questão: será que as críticas ao mexicano não estão sendo feitas cedo demais?

A evolução da Red Bull em 2021

O segundo lugar no grid do mexicano em Imola foi o melhor resultado de um companheiro de Max Verstappen na Red Bull em classificações desde a pole de Daniel Ricciardo no GP do México de 2018.

Além disso, com Valtteri Bottas largando só em oitavo, o jogo virou. Dessa vez foram dois carros da Red Bull atacando a Mercedes de Lewis Hamilton, em vez de apenas Verstappen pressionando a dupla da montadora germânica, como acontecia em boa parte das últimas temporadas.

Dessa maneira, na largada em Imola, Hamilton precisou escolher um lado da pista para se defender, o que abriu caminho para que Verstappen aproveitasse o espaço aberto do outro e pulasse de terceiro para a ponta na primeira curva.

E Pérez foi contratado justamente para fazer esse papel de “morder” a Mercedes junto com Verstappen. Estava fácil o 2×1 da Mercedes para cima do holandês. E agora a disputa fica ao menos mais equilibrada. Ao mesmo tempo, o mexicano também será cobrado para somar pontos importantes para o Mundial de Construtores. Bom, nessa segunda parte ainda precisará melhorar.

De qualquer forma, embora ainda haja mais 21 GPs marcados para a temporada 2021 (isso sem falar nas corridas de classificação), é bom Pérez se lembrar de que uma hora a paciência da Red Bull acaba. Gasly e Albon não tiveram muitas oportunidades de deixar a má fase para trás, por isso é bom que o mexicano comece a brigar por pódios com frequência e justificar sua contratação.

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Em sua segunda corrida na Red Bull, Sergio Pérez já pressionou Lewis Hamilton na F1 2021 – fotos do post: getty images/red bull content pool