Será que a McLaren conseguirá transformar o Big 3 da Indy, formado por Penske, Ganassi e Andretti, em Big 4 durante a temporada 2021?

No que depender de Pato O’Ward, as chances são grandes. O mexicano já tinha sido o mais rápido durante três das quatro sessões de pré-temporada, largou na pole em Barber e só não lutou pela vitória porque o circuito do Alabama é de difícil ultrapassagem.

Mas O’Ward já pode ser considerado um azarão na luta pelo título, ainda mais se os pilotos da Penske continuarem sem consistência nos resultados e a Andretti não se recuperar de um 2020 abaixo do esperado.

E você sabia que a McLaren poderia ter entrado na Indy muito antes de o próprio O’Ward ter nascido?

Documentos da Philip Morris vazados há alguns anos (aqui e aqui) mostraram que houve conversas entre a marca dona da Marlboro e Ron Dennis, então chefe de equipe da McLaren, para que a escuderia britânica corresse na Indy em 1986.

A estratégia de marketing da Philip Morris para aquele ano era entrar na Indy para divulgar sua principal marca de cigarros nos EUA a partir dos bons resultados que viriam a ser obtidos nas pistsa. Era a mesma tática adotada com a F1 (e em mais uma porção de outras categorias), e por lá as coisas estavam dando certo. Com o famoso patrocínio da Marlboro, Niki Lauda levou a McLaren ao título de 1984, enquanto Alain Prost repetiu a dose no ano seguinte.

Segundo os documentos, a primeira reunião entre Ron Dennis e executivos da Philip Morris sobre a Indy aconteceu em março de 1985, quando a McLaren recebeu um prazo de quatro meses para preparar seu projeto.

Na nova reunião, em julho, Dennis apresentou o proposta para correr na Indy, mas disse que a escuderia só poderia estrear em 1987.

A partir daí, uma série de discussões aconteceram entre a equipe de F1 e a marca de cigarros. Enquanto a Philip Morris argumentava que o time por causa do marketing precisava correr já em 1986, a McLaren dizia que não era possível estrear tão cedo sem comprometer o desempenho que estavam tendo na F1.

Até uma alternativa foi proposta com a McLaren comprando carros da March e sendo patrocinada pela Marlboro para estrear logo em 1986, antes de construir seu próprio equipamento para o ano seguinte,

Mas nada feito. No fim, Dennis manteve a decisão de que um projeto da McLaren na Indy só poderia acontecer a partir de 1987, o que colocou um ponto final nas negociações. Assim, a escuderia britânica ficou longe do campeonato até 2017, quando inscreveu um carro para Fernando Alonso, em parceria com a Andretti, nas 500 Milhas de Indianápolis, no início da busca pela Tríplice Coroa.

A “McLaren dos EUA” na Indy

Sem a McLaren, a Philip Morris partiu para o plano B. No fim de 1985, os executivos fecharam um acordo com a equipe Patrick para patrocinar Emerson Fittipaldi a partir do ano seguinte. O curioso é que meses antes o brasileiro tinha assinado com outra empresa, a 7-Eleven, mas a fabricante de cigarros não quis nem saber e pagou a rescisão.

No fim, a situação foi boa para todo mundo. Sem precisar se distrair com o projeto para a Indy, a McLaren levou Prost ao bicampeonato da F1 e, alguns anos mais tarde, dominou a categoria com o francês e com Ayrton Senna. Já a Philip Morris viu Emerson vencer as 500 Milhas de Indianápolis e o título de 1989 com suas cores.

A partir de 1990, Fittipaldi e o patrocínio da Marlboro deixaram a Patrick e foram para a Penske, formando uma das parcerias mais vitoriosas da história do automobilismo. No início dos anos 1990, inclusive, a Penske era chamada de “McLaren dos EUA”, já que seus carros eram pintados com o mesmo layout da equipe da F1.

Mas já pensou o que poderia ter acontecido se a McLaren tivesse realmente ido para a Indy na década de 1980? De repente, poderia ter sido um novo episódio da rivalidade com a Ferrari, já que a escuderia italiana também desenvolveu um projeto para a categoria americana nessa mesma época.

foto do topo: jake galstad/lat/chevy racing/divulgação

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Com o patrocínio da Philip Morris/Marlboro, a Patrick venceu as 500 Milhas de Indianápolis de 1989 com Emerson Fittipaldi – foto: doctorindy/own work/CC BY-SA 3.0