Quando a Ferrari quase foi para a Indy

Será que uma equipe da F1 pode ir para a Indy na próxima temporada? Foi o que publicou na última semana o site Sports Business Daily, dizendo que representantes da McLaren visitaram Indianápolis para negociar a entrada na categoria americana.

Segundo a reportagem, o plano da McLaren inclui formar uma parceria com Andretti ou Rahal Letterman Laningan para não ter que começar do zero a partir de 2019. A escuderia da F1, no entanto, preferiu não se manifestar.

Essa não é a primeira vez que uma equipe da principal categoria do automobilismo mundial estuda correr na Indy. Na década de 1980 foi a Ferrari que cogitou ir para os EUA.

Na época, a escuderia italiana – para variar um pouco – estava descontente com os rumos que a F1 estava tomando, que incluíam proibir o motor turbo, substituindo-o por um 3,5 L aspirado.

E para provar que ir para a Indy não era só uma ameaça para satisfazer suas vontades com o novo regulamento, a Ferrari, em 1985, se reuniu com a Goodyear, que fornecia pneus tanto para a F1 quanto para a Indy, pedindo mais informações sobre a categoria americana, então chamada de Cart. A fabricante recomendou que entrassem em contato com a Truesports, uma das principais esquadras dos EUA.

Dito e feito. Em setembro daquele ano, Bobby Rahal, o piloto da Truesports, embarcou para a Itália junto com diversos mecânicos, além de um carro March com motor Cosworth, usado na Indy.

Durante alguns dias, Rahal guiou o equipamento em Fiorano. Em seguida, foi a vez do saudoso Michele Alboreto, da F1, dar algumas voltas. Depois, os engenheiros da Ferrari desmontaram o carro para descobrir tudo o que precisavam para correr nos EUA.

Em 1986, a Ferrari apresentou oficialmente o 637, equipamento que iria estrear na Indy nas etapas finais daquele ano. Tinha carroceria de alumínio, que era acoplada ao chassi de fibra de carbono. O motor, um V8, também era desenhado pela equipe italiana.

O curioso é que o plano inicial era ter como criador do projeto Adrian Newey, hoje responsável pelos carros da Red Bull na F1, mas que ainda era um projetista em começo de carreira na March. Mas Newey assinou com outra equipe da Indy, fazendo com que a Ferrari trouxesse Gustav Brunner, da RAM.

Ao mesmo tempo em que o projeto da Indy ia se desenvolvendo, a Ferrari passou por uma reformulação na F1 por causa dos maus resultados, contratando o projetista John Barnard, um dos responsáveis pelo sucesso da McLaren no começo da década de 1980.

A partir daí, há duas versões sobre por que a ida da Ferrari para a Indy não se concretizou.

A primeira diz que Barnard não era fã da expansão para a categoria americana. Ele considerava que, se a Ferrari quisesse vencer na F1, não poderia desperdiçar seus recursos com outros campeonatos. Alguns pesquisadores apontam que a Ferrari não tinha orçamento suficiente, na década de 1980, para estar nos dois certames. Ou seja, precisaria escolher entre a F1 ou a Indy. E a chegada do novo projetista – e de Gerhard Berger como piloto – mostrou para qual lado a balança pendeu.

A segunda versão afirma que o projeto da Ferrari 637 era apenas um blefe de Enzo Ferrari, fundador da marca, para conseguir que a F1 mantivesse as regras como ele queria. Assim, conforme foi chegando o prazo final das negociações do Pacto de Concórdia, a Fisa (que chancelava a F1) concordou que os motores V12 da Ferrari poderiam continuar a serem usados, desde que a equipe abortasse a mudança para os EUA.

Independentemente dos motivos que levaram à decisão, coube a Barnard anunciar que a ida para a Indy estava suspensa até que a Ferrari desse a volta por cima na F1. Com o projeto cancelado, a 637 até chegou a ser testada por Alboreto, mas no fim virou peça de museu. Seu motor, no entanto, foi passado para a Alfa Romeo e chegou a ser usado na Indy, mas sem grandes resultados.

Durante as negociações, Rahal e Andrea de Cesaris eram apontados como favoritos para guiar o carro da Ferrari na Indy. Mas não que o americano tenha precisado. Em 1986, ele venceu as 500 Milhas de Indianápolis – dias após a morte do dono da Truesports – e conquistou por dois anos consecutivos o título da categoria norte-americana.

Ainda assim, para ele, ficou a curiosidade do que poderia ter sido liderar a empreitada da Ferrari nos EUA.

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