Será que Gene Haas está mais para uma estrela do rock ou para um integrante de um grupo de palhaços? Se olharmos o desempenho recente de sua equipe, tanto na F1 quanto na Nascar, fica fácil descobrir qual é a resposta.

Para quem não entendeu a questão acima, ela viralizou durante a primeira temporada de Drive to Survive, a série da Netflix sobre os bastidores da F1. Em um dos episódios, Gunther Steiner, chefe da escuderia americana, é flagrado pelas câmeras em uma ligação justamente para Gene Haas, o dono no time.

Na chamada, que aconteceu após o GP da Austrália de 2018, o dirigente diz que a equipe estava se sentindo como estrelas do rock porque Romain Grosjean e Kevin Magnussen tinham chances de terminar aquela corrida no pódio. No entanto, os dois pilotos abandonaram após enfrentar problemas na parada nos boxes, o que fez Steiner afirmar que o time agora se sentia como um grupo de palhaços (wankers).

Gene Haas como estrela do rock

Para falar a verdade, apesar do abandono tanto de Grosjean quanto de Magnussen em Melbourne, a Haas teve em 2018 um ano muito bom. Na F1, a escuderia fechou com a quinta colocação no Mundial de Construtores, pontuando com frequência e tendo sido superada pela Renault somente nas últimas provas daquele ano.

O mais impressionante é que essa tinha sido somente a terceira temporada completa da esquadra na principal categoria do automobilismo mundial.

Na Nascar, onde o time é chamado de Stewart-Haas, já que tem o ex-piloto Tony Stewart como um dos sócios, o desempenho também tinha sido positivo. É verdade que a taça escapou apesar de Kevin Harvick, o principal piloto da equipe, ter conquistado oito vitórias e mais 15 top-5 naquela temporada, mas todos os quatro pilotos da escuderia se classificaram para os playoffs, mostrando a boa fase da SHR.

Além disso, o regulamento da Nascar, de uma forma bem resumida, determina que o campeão é quem terminar a última corrida do ano na frente, então nem sempre o melhor piloto/equipe fica com a taça.

Apesar da queda de desempenho recente da Haas na F1, os resultados na Nascar continuavam bons, com Harvick tendo vencido nove etapas em 2020, apesar de ter perdido rendimento nas provas finais, o que fez com que o título fosse conquistado por Chase Elliott.

Gene Haas no grupo de palhaços

Mas nem o mais pessimista integrante da Haas poderia imaginar o 2021 que a escuderia está vivendo. Na F1, as expectativas já eram baixas.

Desde o começo, Steiner deixou claro que esta temporada é uma transição, com pouquíssimo desenvolvimento do carro em relação ao ano passado e com foco em 2022, quando as regras da F1 vão mudar, e a Haas espera dar um salto de qualidade.

Some-se a isso contar com dois pilotos novatos, como Mick Schumacher e Nikita Mazepin, que vão precisar de tempo de adaptação para começar a mostrar resultados.

Mas até agora o que eles exibiram tem deixado a desejar. Schumacher vem tendo uma temporada típica de um novato, sem brilhos e com um erro cometido no GP da Emilia Romagna ao bater durante o safety-car. Já Mazepin vem errando constantemente, se envolvendo em muitas rodadas e acidentes e, para piorar, tomando tempo do alemão. E isso sem falar nos problemas que ele tem causado fora da pista.

Com a melhora da Williams em algumas pistas, a Haas se consolidou como a pior escuderia do grid. Em Imola, ambos os pilotos terminaram duas voltas atrás do vencedor, Max Verstappen.

Mas a surpresa mesmo tem sido o início horrível na Nascar. Após a etapa de Richmond, a nona de 2021, Harvick é o oitavo na tabela, mas já está 161 pontos atrás de Denny Hamlin, o líder.

Os outros três pilotos da esquadra estão bem mais atrás. Cole Custer aparece em 25º, Aric Almirola é o 27º e o novato Chase Briscoe, o 28º.

Uma das justificativas para a piora neste ano é que a Nascar fez algumas alterações na inspeção obrigatória dos carros, e um dos pontos que passaram a ser avaliados era onde a Stewart-Haas levava vantagem. Como neste ano praticamente não há treinos livres, a escuderia tem encontrado dificuldades em fazer o acerto do carro levando em conta essas mudanças.

Em Richmond, houve alguma evolução. Harvick estava na briga por um top-5 antes de bater na parte final da prova, enquanto Almirola recebeu a bandeirada em sexto. Será sinal que dias melhores virão?

Ainda assim é muito pouco, e a Stewart-Haas, pela soma do que tem enfrentado na F1 e na Nascar, já pode ser considerada uma das decepções de 2021.

Você pode clicar aqui para conferir os resultados completos da Haas na F1 e na Nascar no fim de semana, assim como os das demais principais categorias do automobilismo mundial.

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Kevin Harvick vai tendo um começo de temporada complicado na Nascar 2021 – foto: zach catanzareti photo/CC BY 2.0