Felipe Drugovich teve, em Spa-Francorchamps, sua classificação mais complicada na temporada 2020 da F2 até agora.

Mas não pelo resultado final em si. Afinal, ele vai partir para a corrida deste sábado de uma ótima quinta colocação no grid de largada – posição muito melhor que o 18º posto obtido por ele em Hungaroring ou o 12º em Silverstone.

Mas porque alguns dos seus principais concorrentes estão largando na frente dele.

Um deles é seu companheiro de equipe, Nobuharu Matsushita, que pela primeira vez no ano superou o brasileiro em uma classificação. Na última etapa, em Barcelona, o piloto japonês já havia se destacado ao ganhar a bateria principal depois de ter largado somente em 18º e tido sorte com a estratégia.

Há quem aponte que Matsushita só vai sair na frente, porque durante o treino classificatório ele se aproveitou do vácuo do brasileiro nas retas. Já Drugovich não teve o mesmo benefício – mas ainda assim garantiu o quinto tempo.

Só que o companheiro de equipe talvez nem seja o principal adversário de Drugovich no fim de semana.

Fora da disputa interna na equipe MP, outra preocupação do brasileiro é garantir a superlicença, documento obrigatório para subir para a F1. Para conquistá-lo, Drugovich precisa terminar a temporada 2020 da F2 entre os quatro primeiros.

A busca de Felipe Drugovich pela superlicença

Atualmente, ele ocupa a oitava colocação, com 67 pontos, 54 a menos que Callum Ilott, o líder.

Só que a partir do terceiro posto, a briga está toda embolada. Christian Lundgaard soma 87, Yuki Tsunoda chegou a 86, Mick Schumacher acumula 79, Guanyu Zhou detém 76 e Nikita Mazepin já levou 75. Depois aparece o brasileiro, pouco à frente de Louis Délétraz, com 65, e Dan Ticktum, com 63.

Como uma vitória na prova do sábado vale 25 pontos, a ordem entre eles pode mudar de uma corrida para a outra. E com alguns bons resultados Drugovich pode alcançar o top-4, que lhe garante a superlicença.

Só que na classificação em Spa-Francorchamps, a pole ficou justamente com Tsunoda. Apoiado pela Red Bull e pela Honda, o piloto nipônico sabe que estará na F1 em 2021 caso obtenha a superlicença neste ano.

Outro que está em situação semelhante é Mazepin, o segundo no grid. Com vitória em Silverstone e pódio na Hungria, o russo foi um dos grandes destaques da segunda sequência de três corrida da F2 2020. Mas o maior trunfo dele é que o pai, Dmitry Mazepin, é um dos homens mais ricos do mundo, vindo do setor petroquímico da Rússia.

Caso o filho garanta a superlicença, ele não poupará esforços para colocá-lo na F1 o quanto antes.

Em resumo, com Drugovich precisando terminar o campeonato entre os quatro primeiros, e a desvantagem de pontos para Ilott e para Robert Shwartzman, o vice-líder, já ser elevada, não dá para dizer que foi uma ótima classificação se o brasileiro terminou atrás também de outros dois adversários na luta pela superlicença.

O que pode favorecê-lo na corrida é a estratégia de pneus. Drugovich foi o grande destaque em Barcelona ao conseguir cuidar muito bem da borracha e pode ganhar posições dos rivais neste fim de semana apostando na mesma tática. Desde que não chova em Spa-Francorchamps. Com pista molhada, a obrigatoriedade de usar os dois compostos na corrida de sábado acaba, e de nada adianta saber economizar a borracha.

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foto do topo: dutch photo agency/kgcom/divulgação

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Yuki Tsunoda, do Red Bull Junior Team, conquistou sua segunda pole na F2 2020 – foto: dutch photo agency/red bull content pool