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A Globo parar de transmitir a F1 é o fim do mundo?

A Globo soltou a bomba na semana passada ao anunciar que a partir de 2021 não vai mais transmitir as corridas de F1.

A decisão do canal dividiu opiniões dos fãs da categoria. Alguns, descontentes com a cobertura atual, disseram que já estava na hora da mudança e lembraram que não faltam emissoras interessadas na TV paga em exibir as provas – além de haver o streaming F1 TV, que está chegando ao Brasil em sua versão completa.

Outros argumentaram que ir para a TV paga e para o streaming é uma forma de a F1 se esconder, podendo seguir os mesmos passos de tênis e MMA, modalidades esportivas que tiveram muito destaque quando havia brasileiros vencendo, mas hoje estão limitadas a um nicho.

Enquanto ainda não há uma definição sobre onde assistir à principal categoria do mundo em 2021, já se sabe que esse é mais um capítulo da profunda crise enfrentada pelo automobilismo brasileiro – e que pode se tornar irreversível.

Confira abaixo como o automobilismo brasileiro chegou ao fundo do poço e continua cavando para baixo:

A crise do Brasil na F1 e além

1) Não há brasileiros na F1 – com a aposentadoria de Felipe Massa, no fim de 2017, o Brasil interrompeu uma sequência que já durava desde 1970 de ter ao menos um representante do país no grid. Em 2020, pelo terceiro ano consecutivo não há brasileiro correndo por lá.

2) E não há brasileiros em todas as etapas da Indy – a crise não se resume apenas à F1. Nos EUA, Tony Kanaan é o único brasileiro em etapas da Indy em 2020 – com exceção das 500 Milhas de Indianápolis. Como ele tomou parte apenas das provas em ovais neste ano, pela primeira vez desde 1984 o Brasil não teve nenhum piloto em algumas corridas das principais categorias de monopostos dos EUA.

3) O GP do Brasil foi cancelado e está ameaçado – pela primeira vez desde 1973 não terá uma corrida de F1 no país neste ano. A justificativa oficial é que a prova foi cancelada por causa da pandemia, assim como aconteceu com os GPs de Canadá, Estados Unidos e México. Mas, para além do coronavírus, a continuidade da etapa brasileira está ameaçada, uma vez que os atuais promotores de Interlagos eram aliados de Bernie Ecclestone, não se dão com a Liberty e viram surgir a concorrência do Rio de Janeiro, onde ainda não há nem circuito pronto para sediar um GP.

4) Não há um super-piloto brasileiro no caminho da F1 – o Brasil tem uma ótima geração de jovens nas categorias de base: Felipe Drugovich, Caio Collet, Sergio Sette Câmara e Pietro Fittipaldi, entre outros, são talentosos e deverão ter um futuro brilhante no esporte a motor. Mas nenhum deles teve até agora resultados comparados aos de Charles Leclerc, Lando Norris e George Russell, entre outros prodígios. Os brasileiros podem chegar à F1, sem dúvidas, mas não são a solução para os problemas do país no esporte a motor. Vão precisar primeiro se firmar na categoria antes de se tornar ídolos.

5) Não há uma categoria de base no Brasil – desde o fim de 2017, não há um campeonato para jovens pilotos no país com dimensão nacional. A F3 Brasil fechou as portas por falta de apoio e de interessados e a F4 nunca saiu do papel. Sem revelar pilotos, fica difícil ter uma renovação nas categorias maiores.

6) E o kartismo – de Caio Collet a Rafael Câmara, jovens pilotos brasileiros conquistaram, nos últimos anos, bons resultados no kart. Mas a cada temporada o número de representantes do país fazendo a transição para os monopostos tem diminuído. Antes da pandemia, Gabriel Bortoleto, João Matos e João Pedro Maia iam estrear nos carros de fórmula em 2020. Por enquanto, só o primeiro de fato correu.

7) A saída da Globo – o principal problema de a emissora parar de exibir as corridas é que não é apenas a F1 que se esconde, é o automobilismo como um todo. Ter as corridas na TV aberta é o que faz a roda girar. Alguém que assiste às provas pode ficar interessado em correr e procurar por desde aluguel de kart até a campeonatos amadores. Eventualmente, alguns podem até se profissionalizar. Sem a F1 na TV, menos gente vai ver automobilismo, menos vão ter interesse em correr, e o esporte a motor como um todo no país sai perdendo.

Sem transmissão das corridas na TV aberta, o processo fica mais lento e pode levar anos ou até mesmo décadas para o país voltar a ter uma posição de destaque no automobilismo mundial.

É o que aconteceu com a Argentina, que após Juan Manuel Fangio só teve mais um piloto competitivo na história da F1 (Carlos Reutemann, na década de 1970), ou com o México, que praticamente não teve ninguém entre os “hermanos” Rodríguez, na década de 1960, e Sergio Pérez, no dias atuais.

Por mais que o Brasil tenha mais tradição nas pistas e resultados melhores recentes, sem nenhum planejamento – e nada indica que há algum – é melhor abrir o olho, porque a crise pode chegar por aqui, sim.

foto do topo: Daimler/divulgação

Ayrton Senna, F1, Fórmula 1
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2 comentários sobre “A Globo parar de transmitir a F1 é o fim do mundo?

  1. Pingback: F1 fora da Globo em 2021! | Arena Geral: Torcer é o nosso esporte!
  2. Estamos passando por uma transição de gerações e mídias. Lando Norris hoje atrai um interesse para a F1 com milhares de seguidores jovens no Twitch e outros canais. A questão da F1 estar fora da TV aberta não é só no Brasil mas em vários países. Se a Liberty não se firmar nestes canais digitais, terá menos público e interessados a cada ano.

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