Felipe Drugovich, F2, Fórmula 2, 2020, MP, Barcelona, Espanha, Nobuharu Matsushita

Melhor prova de Felipe Drugovich na F2 teve o pior resultado

Felipe Drugovich fez em Barcelona, na Espanha, sua melhor corrida até agora na temporada 2020 da F2. E não estou falando da vitória no domingo – com quase 10s de vantagem para o segundo colocado. Foi no sábado, apesar de ele ter cruzado a linha de chegada somente na sétima colocação.

Na primeira bateria do fim de semana, com exceção da largada, o brasileiro teve um desempenho excelente em todos os quesitos que chamam a atenção. Mas o resultado final foi o pior possível para ele. O que todo mundo vai se lembrar da corrida é do seu companheiro de equipe, Nobuharu Matsushita, que ganhou depois de largar da 18º.

Em Barcelona, Drugovich começou a se destacar logo na classificação, disputada na sexta-feira, que tem se tornado seu ponto forte neste ano. Ficou com a quarta colocação, menos de 0s4 atrás de Callum Ilott, que largou na pole.

Essa, aliás, foi a terceira vez em 2020 que o brasileiro partiu das duas primeiras filas do grid, sendo que em Silverstone ele já tinha obtido uma pole-position.

Mas a prova não começou tão boa para Drugovich, que foi ultrapassado por Mick Schumacher logo na largada.

Mas, a partir daí, o brasileiro começou a brilhar.

As novas regras da F2 2020

Antes, vale uma explicação. Neste ano, a F2 introduziu uma nova roda – de aro 18, maior que a de aro 13 usada até o ano passado. Isso significa que há menos borracha no pneu, aumentando o desgaste. Além disso, como Barcelona está em pleno verão europeu, a corrida deste fim de semana foi disputada debaixo de muito calor, com a temperatura do asfalto no sábado beirando os 50ºC, o que dificultava ainda mais a tarefa de economizar os pneus.

Na F2, o regulamento exige que os pilotos usem os dois compostos diferentes na corrida de sábado: o macio (que é mais veloz e dura menos) e o duro (de menor desempenho e muito mais resistente).

As estimativas das equipes é que, por causa do calor na Espanha, talvez o macio não aguentasse nem mesmo as primeiras seis voltas, uma vez que a janela de pit-stop só seria aberta no começo do sétimo giro para a troca obrigatória.

Como o safety-car foi acionado logo no início, pela rodada de Marcus Armstrong na primeira volta, o composto mais macio foi menos exigido. Ainda assim, alguns pilotos que largaram com ele optaram por fazer a parada no sétimo giro.

Até mesmo Ilott, conhecido por ser um dos competidores que melhor cuidam dos pneus, só aguentou até a volta 11 com o macio. Drugovich foi além. Sofrendo pouco com a degradação da borracha, ele fez sua parada só no início do 13º giro, em um momento em que até os pilotos com o pneu duro já começavam a sentir a queda de desempenho.

Por ter retardado a parada ao máximo, assim que voltou à pista, o brasileiro ultrapassou Robert Shwartzman na luta pela segunda colocação entre os que já havia feito a troca e começou a se aproximar de Ilott.

O erro na tática de Felipe Drugovich

Mas aí veio o safety-car, em decorrência da rodada de Giuliano Alesi, e toda a estratégia de Drugovich foi por água abaixo.

Em primeiro lugar, a equipe MP o manteve na pista, uma vez que Matsushita tinha a prioridade nos boxes, porque ainda não tinha feito a troca obrigatória. O nipônico havia feito a tática oposta: largado com o pneu duro para usar o macio só no final.

Só que neste momento quase todos os pilotos do grid foram para os pits, – alguns para a segunda parada do dia – devido ao desgaste elevado da borracha. Só dois permaneceram na pista: Yuki Tsunoda e o próprio Drugovich, que assumiu a liderança.

Aí a MP cometeu um erro na estratégia do brasileiro. Na segunda volta com o safety-car, chamou o brasileiro para os boxes. Como o carro de segurança havia reagrupado o pelotão, ele só retornou à pista em nono e tinha perdido a vantagem de ter pneus menos desgastados que os adversários.

É claro que fica fácil comentar a tática depois que a corrida acabou. No calor da prova, ninguém poderia prever que o safety-car ainda seria acionado mais uma vez, pelo acidente de Roy Nissany, o que beneficiou Tsunoda, que estava com os pneus mais gastos.

O nipônico, por exemplo, terminou em quarto, sendo que Drugovich estava à frente dele antes da parada e com a borracha em condições melhores.

No fim, o erro da MP foi abrir mão de posição de pista (algo fundamental em qualquer categoria) em troca de um pneu que não tinha grande vantagem em relação aos demais pilotos.

Mas como a equipe foi a ganhadora com Matsushita, o erro na tática acaba passando batido.

Ainda assim, Drugovich é quem brilhou ao mostrar que estava muito acima dos adversários ao cuidar dos pneus. E essa é uma característica fundamental dos grandes pilotos, assim como a capacidade de se classificar bem nas tomadas de tempo. Ambas mostradas pelo brasileiro no fim de semana.

E ainda bem que parte da justiça foi feita, e ele dominou a corrida do domingo, a do grid invertido, completando a varrida da MP em Barcelona.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da F2 na Espanha, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Felipe Drugovich, F2, Fórmula 2, 2020, MP, Barcelona, Espanha, Nobuharu Matsushita
Felipe Drugovich foi recompensado pelo bom desempenho no sábado ao vencer a corrida da F2 2020 no domingo, com o grid invertido – fotos do post: dutch photo agency/kgcom/divulgação

7 comentários sobre “Melhor prova de Felipe Drugovich na F2 teve o pior resultado

  1. Quando vi ele entrando pro pit liderando e atrás do safety car, quase joguei meu celular na parede! Tinha mais chance de dar errado do que certo, pois nas voltas finais todo mundo ia cair matando pra conseguir ultrapassagens e poderia acontecer novamente a entrada do carro de segurança. Mas enfim, o domingo foi salvo com uma grande vitória.

    Curtir

  2. Fiquei puto quando Nobu foi pro pit junto com os outros mas entendi por ainda não ter feito o pit, mas quando vi que o Drugo tinha ido na volta seguinte quase tive um ataque, grande erro da equipe. Espero que por parte da equipe não se repita novamente, e se acontecer o Drugo ignore.

    Curtir

    1. Eu arrisco dizer que se tivesse parado os dois juntos ele ainda voltaria mais a frente do que nono. Seria talvez a melhor estratégia. Antes do Safety Car ele, o Ilott e o Shwarztman eram os únicos virando na casa de 1:34 e creio que vendo os problemas de pneu do Ilott no domingo, o Drugovich teria uma boa chance de tirar os 5s que o Ilott teria de diferença para ele após as paradas, até a vitória seria alcançável. Mas bola pra frente, quem entende sabe o que aconteceu.

      Curtir

  3. Uma pena pois com esses pontos da primeira corrida, mesmo que não fosse tão bem na segunda, se colocaria ainda mais forte na briga por um top3 do campeonato.

    Curtir

    1. O objetivo dele creio que seria um quarto lugar, se não me engano já consegue a Super Licença que é o fundamental para estar na janela da F1. Talvez até o quinto sirva, não fiz as contas.

      Curtir

  4. 100% de acuerdo. Eso mismo estuve pensando. Este fin de semana Drugovich fue El mejor, sobre todo en la race 1.
    Drugovich perdió muchos puntos por culpa del equipo. Puntoa claves para superlicencia. Si logra superlicencia con MP, RedBull debería ficharlo.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s