foto Audi

Já tem carros na pista

Enquanto o automobilismo está paralisado na maior parte do mundo por causa da pandemia do novo coronavírus, nesta semana a equipe chinesa Asia Racing Team publicou uma foto de um teste de F4 que estava sendo realizado no circuito de Zhuhai (veja mais abaixo).

Para colocar em perspectiva, o treino aconteceu pouco mais de três meses após a primeira morte pela doença ter sido registrada na China, no dia 11 de janeiro. Duas semanas mais tarde, a cidade de Wuhan, onde o vírus surgiu, fora colocada em isolamento.

Desde então, o país asiático registrou mais de 83 mil casos do novo coronavírus e cerca de 3,5 mil mortes, sendo que a maior parte delas foi justamente em Wuhan.

Nas outras partes da China, a vida começou a voltar ao normal entre o fim de fevereiro e no começo de março. O circuito de Zhuhai, por exemplo, abriu as portas novamente no dia 2 de março, mas nenhuma corrida pode ser realizada por lá. Apenas eventos privados que tenham sido agendados previamente, como no caso do teste de F4. Alguns dias depois foi o autódromo de Guangdong que voltou a funcionar.

Entre o fim de março e o começo de abril, a China não teve mais nenhum registro de contágio do novo coronavírus. Os novos doentes por lá eram pessoas que tinham chegado de viagem vindas de outros países, onde o surto tem se espalhado rapidamente. Assim, a quarentena na cidade de Wuhan terminou, e seu isolamento foi suspenso.

Só que, ao menos por enquanto, há inúmeras restrições para quem quiser ir às ruas. Aglomerações são proibidas, e é preciso manter uma distância de cerca de dois metros para qualquer pessoa.

Nesse contexto, o automobilismo chinês já tem data para voltar. Há duas semanas, a organização da F4 Chinesa divulgou o calendário revisado da temporada 2020, com início previsto para os dias 23 e 24 de maio, no circuito de Ningbo. Como a pré-temporada por lá foi suspensa  por causa do vírus, daí a pressa da Asia Racing Team de colocar logo seus carros na pista.

A estreia, portanto, será mais de quatro meses após a primeira morte na China e quatro meses desde o isolamento de Wuhan.

O mais curioso do calendário da F4 Chinesa é que uma das corridas está marcada justamente para Wuhan, nos dias 17 e 18 de outubro. Mas é claro que vai depender de os eventos na cidade já terem sido liberados. Do contrário, o plano B é ter mais uma rodada em Ningbo.

Outras categorias pretendem recomeçar suas provas ainda mais tarde. O TCR chinês planeja andar em Guangdong no dia 7 de junho, enquanto a primeira etapa do China GT (da imagem em destaque) deve acontecer no dia 28 de junho, cinco meses e meio após o primeiro registro de morte no país.

É claro que essas datas ainda podem mudar, porque há o temor de que o país seja atingido por uma segunda onda da epidemia. Ainda mais levando em conta que alguns desses campeonatos contam com pilotos, mecânicos e engenheiros estrangeiros, vindos de países onde o coronavírus não está controlado.

Transportando essas datas para os outros pontos do mundo, as primeiras mortes na Itália foram registradas no fim de fevereiro, enquanto a quarentena na região norte do país – onde está localizado o circuito de Monza – começou em 8 de março. E os números de casos divulgados da doença é muito maior do que na China. São mais de 160 mil infectados e 21 mil mortes registradas.

E no resto do mundo?

Se pensarmos que a China trabalha com o intervalo de quatro meses entre o início da doença e o retorno das competições, é improvável que tenhamos qualquer tipo de corrida na Itália neste primeiro semestre.

Talvez por isso a Alemanha, onde a situação está um pouco melhor (131 mil casos/3,3 mil mortes), estude retomar as corridas no fim de julho e no início de agosto.

Já os Estados Unidos são o grande ponto de interrogação. Com mais de 600 mil casos registrados, o país ainda não estabeleceu uma data para o retorno do esporte, apesar de a etapa da Nascar em Charlotte (no fim de maio) e da Indy no Texas (no começo de junho) não terem sido canceladas.

Em uma conversa com os organizadores das principais ligas americanas no começo de abril, Donald Trump, presidente dos EUA, disse que estava trabalhando com a meta de ter fãs de volta aos estádios – e circuitos – a partir do fim de agosto e do começo de setembro. Ou seja, corridas com portões fechados poderiam acontecer até antes.

Mas esse era um prazo dado antes da recente escalada de casos do coronavírus no país e fica a dúvida ser poderá ser alcançado. Enquanto isso, para quem quiser ver carros de verdade correndo, o jeito vai ser virar a madrugada a partir do fim de maio para assistir ao automobilismo chinês.

 

 

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