A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos
A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos

A World Series by Renault sentiu o golpe. Depois de contar com um grid megacompetitivo na temporada passada, com pilotos dos programas de desenvolvimento de Ferrari, McLaren, Mercedes, Lotus e Red Bull, a categoria não conseguiu emplacar seus campeões na F1 e, como resultado, viu o enfraquecimento do grid para 2013.

No ano passado, o título foi decidido na corrida final, quando Robin Frijns e Jules Bianchi se tocaram nas últimas voltas da etapa de Barcelona. Embora o duelo não tenha sido épico na pista, os dois pilotos deixaram o campeonato bastante valorizados. O problema é que eles praticamente não conseguiram dar grandes passos na carreira desde então.

Bianchi, por exemplo, só arrumou uma vaga na F1 aos 45 do segundo tempo, quando Luiz Razia foi dispensado pela Marussia devido a problemas com os patrocinadores. Com isso, o francês, empresariado por Nicolas Todt e contando com o apoio da Academia Ferrari, só se garantiu na principal categoria do automobilismo mundial na pior equipe.

A sorte de Frijns foi ainda pior. O holandês arrumou a vaga de reserva na Sauber, mas não vai correr de nada neste ano porque não tem dinheiro. Isso depois de vencer três campeonatos consecutivos na carreira. Para piorar, ele até sondou uma ida à GP2. Chegou a participar dos treinos da pré-temporada, teve um desempenho bom para um estreante, mas a Sauber optou por mantê-lo apenas como reserva.

O resto do grid passou longe da F1. Sam Bird, por exemplo, foi mantido na função de reserva da Mercedes, mas o britânico também vai se dedicar à GP2 neste ano. Ele foi contratado pela Russian Time e está de volta à categoria.

Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013
Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013

Percebeu que há um padrão aí? Dos três primeiros da World Series by Renault no ano passado, dois procuraram seguir a carreira na GP2. E há uma explicação para isso. A categoria de Bruno Michel emplacou três pilotos na F1 em 2013: Esteban Gutiérrez (terceiro), Max Chilton (quarto) e Giedo van der Garde (sexto). Isso sem falar em Razia.

A consequência foi óbvia. Os pilotos perceberam que precisam estar no caminho da GP2/GP3 se um dia quiserem ter chances de chegar à F1. Por isso, houve uma queda na qualidade do grid da World Series em 2013. Primeiro, além de perder Frijns, Bianchi e Bird, o campeonato também viu nomes promissores, como Richie Stanaway, Kevin Korjus, Nick Yelloly e Alexander Rossi irem embora.

Para o lugar deles, não houve grandes contratações. Se nos últimos anos a WSR se destacou por atrair campeões das diversas F3, além da própria GP3, dessa vez o campeonato viu apenas a chegada de coadjuvantes. A única exceção é Stoffel Vandoorne, campeão da F-Renault Eurocup no ano passado e que ganhou uma bolsa para competir na categoria de cima neste ano.

Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais
Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais

De resto, são poucos os novos nomes interessantes. Destaque para Nigel Melker, que veio da GP2, Sergey Sirotkin (russo de 17 anos, terceiro colocado na Auto GP no ano passado), Jazeman Jaafar (vice da F3 Inglesa), Pietro Fantin, Marlon Stockinger e Christopher Zanella.

Completam a lista de novidades Norman Nato, Matias Laine, Mihai Marinescu, Emmanuel Piget e Oli Webb, que retorna à categoria depois de um péssimo ano na Indy Lights.

De qualquer forma, uma coisa precisa ficar clara. Embora o grid tenha ficado enfraquecido com relação ao ano passado, isso não quer dizer que ele seja fraco. Há muitos pilotos de qualidade, que podem arrumar uma vaga na F1, contando com algum dinheiro e principalmente sorte de estar no lugar certo e na hora certa.

O principal nome, claro, é António Félix da Costa. O luso entra na competição como favorito depois de conquistar quatro vitórias nas últimas cinco corridas do ano passado. Mas para ficar com o título, o lisboeta terá algumas dificuldades.

Será todos contra António Félix da Costa?
Será todos contra António Félix da Costa?

A primeira é encerrar um jejum de títulos da Red Bull no certame. Mesmo tendo levado nomes como Sebastian Vettel, Robert Wickens, Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne para competir, a empresa austríaca jamais conquistou a taça da World Series. Mas há uma explicação para isso. Geralmente, os pilotos rubro-taurinos já estão tão envolvidos no trabalho com a F1 que a WSR é colocada de lado. Por isso, mesmo com o favoritismo, Félix da Costa não vai ter vida fácil.

O outro problema é que há adversários fortíssimos. Para ser campeão, o luso precisará vencer Kevin Magnussen (apoiado pela McLaren) e Marco Sorensen (Lotus), que também despontam como favoritos, ao lado de Vandoorne. Em um segundo escalão ainda aparecem Nico Müller e Mikhail Aleshin, que briga pelo bicampeonato, e Arthur Pic.

Para encerrar, falo da situação dos brasileiros. Curiosamente, o Brasil é, ao lado da Rússia, o país de maior delegação no campeonato, com quatro representantes. Além de Lucas Foresti, Yann Cunha e André Negrão, que já haviam competido no ano passado, agora ainda há a estreia de Fantin.

Entretanto, mesmo com quatro pilotos, os brasileiros não aparecem entre os favoritos ao título. Do quarteto, acredito que Negrão e Foresti possam brigar por pontos constantemente e até mesmo por pódios, enquanto Fantin tem chances de ter um desempenho aceitável para um novato.