Posted tagged ‘Nico Muller’

Pole-position de André Negrão na World Series

setembro 14, 2013
Contando com a sorte, André Negrão largou na pole na Hungria

Contando com a sorte, André Negrão largou na pole na Hungria

André Negrão colocou o nome na história do Brasil na World Series by Renault neste sábado, dia 14, Hungria. O piloto da Draco se aproveitou de um treino classificatório disputado debaixo de muita chuva para conquistar a primeira pole-position no certame, encerrando um jejum de brasileiros largando na frente na categoria que já durava mais de dois anos.

A última vez que um piloto do país havia partido da posição de honra foi no dia 14 de maio de 2011, quando Cesar Ramos foi o mais rápido no treino classificatório da etapa de Monza.

Naquela ocasião, porém, o gaúcho não conseguiu transformar pole em vitória. Ramos cometera um erro na quinta volta, permitindo que Kevin Korjus o ultrapassasse. Depois, o brasileiro foi perdendo desempenho pouco a pouco, até que acabou rodando e abandonando a prova enquanto disputava posições com Robert Wickens.

Curiosamente, o enredo da bateria da World Series deste sábado foi bastante parecido. Conhecido por ser um especialista em pista molhada, Negrão manteve a liderança na largada – realizada atrás do safety-car – e conseguiu se distanciar do restante do pelotão, embora fosse acompanhado pelo companheiro de equipe, Nico Müller.

O brasileiro, no entanto, acabou errando na tangência de uma curva, na décima volta, permitindo que o suíço assumisse a ponta. Por causa de uma pane elétrica, o paulista foi perdendo ritmo e acabou ultrapassado por Kevin Magnussen, Sergey Sirotkin e Stoffel Vandoorne. Quando tentava recuperar a posição em cima do belga, rodou e abandonou.

E essa não foi a única semelhança de Negrão com os outros brasileiros que já largaram na pole-position na categoria. Desde que a World Series by Renault passou a ter o atual formato, três pilotos do país já partiram da posição de honra. Além de Ramos e Negrão, o outro foi Fábio Carbone, o mais rápido no treino classificatório justamente da etapa húngara de 2008.

Carbone, aliás, foi o único que conseguiu transformar pole em vitória até agora.

Quando a categoria ainda se chamava World Series by Nissan e tinha motores V6 menos potentes, outros dois pilotos do Brasil conquistaram poles. Enrique Bernoldi largou quatro vezes na frente, entre 2003 e 2004, coincidentemente todas em Jarama, enquanto Ricardo Zonta alinhou na frente, na campanha do título de 2002, no mesmo autódromo de Jarama, além de Magny-Cours, Barcelona, Valência, Curitiba e Interlagos.

A diferença de Zonta e Bernoldi para Negrão, Ramos e Carbone é que eles competiram na World Series após a passagem pela F1, enquanto o trio tenta/tentava progredir na carreira.

World Series by Renault 2013

abril 5, 2013
A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos

A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos

A World Series by Renault sentiu o golpe. Depois de contar com um grid megacompetitivo na temporada passada, com pilotos dos programas de desenvolvimento de Ferrari, McLaren, Mercedes, Lotus e Red Bull, a categoria não conseguiu emplacar seus campeões na F1 e, como resultado, viu o enfraquecimento do grid para 2013.

No ano passado, o título foi decidido na corrida final, quando Robin Frijns e Jules Bianchi se tocaram nas últimas voltas da etapa de Barcelona. Embora o duelo não tenha sido épico na pista, os dois pilotos deixaram o campeonato bastante valorizados. O problema é que eles praticamente não conseguiram dar grandes passos na carreira desde então.

Bianchi, por exemplo, só arrumou uma vaga na F1 aos 45 do segundo tempo, quando Luiz Razia foi dispensado pela Marussia devido a problemas com os patrocinadores. Com isso, o francês, empresariado por Nicolas Todt e contando com o apoio da Academia Ferrari, só se garantiu na principal categoria do automobilismo mundial na pior equipe.

A sorte de Frijns foi ainda pior. O holandês arrumou a vaga de reserva na Sauber, mas não vai correr de nada neste ano porque não tem dinheiro. Isso depois de vencer três campeonatos consecutivos na carreira. Para piorar, ele até sondou uma ida à GP2. Chegou a participar dos treinos da pré-temporada, teve um desempenho bom para um estreante, mas a Sauber optou por mantê-lo apenas como reserva.

O resto do grid passou longe da F1. Sam Bird, por exemplo, foi mantido na função de reserva da Mercedes, mas o britânico também vai se dedicar à GP2 neste ano. Ele foi contratado pela Russian Time e está de volta à categoria.

Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013

Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013

Percebeu que há um padrão aí? Dos três primeiros da World Series by Renault no ano passado, dois procuraram seguir a carreira na GP2. E há uma explicação para isso. A categoria de Bruno Michel emplacou três pilotos na F1 em 2013: Esteban Gutiérrez (terceiro), Max Chilton (quarto) e Giedo van der Garde (sexto). Isso sem falar em Razia.

A consequência foi óbvia. Os pilotos perceberam que precisam estar no caminho da GP2/GP3 se um dia quiserem ter chances de chegar à F1. Por isso, houve uma queda na qualidade do grid da World Series em 2013. Primeiro, além de perder Frijns, Bianchi e Bird, o campeonato também viu nomes promissores, como Richie Stanaway, Kevin Korjus, Nick Yelloly e Alexander Rossi irem embora.

Para o lugar deles, não houve grandes contratações. Se nos últimos anos a WSR se destacou por atrair campeões das diversas F3, além da própria GP3, dessa vez o campeonato viu apenas a chegada de coadjuvantes. A única exceção é Stoffel Vandoorne, campeão da F-Renault Eurocup no ano passado e que ganhou uma bolsa para competir na categoria de cima neste ano.

Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais

Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais

De resto, são poucos os novos nomes interessantes. Destaque para Nigel Melker, que veio da GP2, Sergey Sirotkin (russo de 17 anos, terceiro colocado na Auto GP no ano passado), Jazeman Jaafar (vice da F3 Inglesa), Pietro Fantin, Marlon Stockinger e Christopher Zanella.

Completam a lista de novidades Norman Nato, Matias Laine, Mihai Marinescu, Emmanuel Piget e Oli Webb, que retorna à categoria depois de um péssimo ano na Indy Lights.

De qualquer forma, uma coisa precisa ficar clara. Embora o grid tenha ficado enfraquecido com relação ao ano passado, isso não quer dizer que ele seja fraco. Há muitos pilotos de qualidade, que podem arrumar uma vaga na F1, contando com algum dinheiro e principalmente sorte de estar no lugar certo e na hora certa.

O principal nome, claro, é António Félix da Costa. O luso entra na competição como favorito depois de conquistar quatro vitórias nas últimas cinco corridas do ano passado. Mas para ficar com o título, o lisboeta terá algumas dificuldades.

Será todos contra António Félix da Costa?

Será todos contra António Félix da Costa?

A primeira é encerrar um jejum de títulos da Red Bull no certame. Mesmo tendo levado nomes como Sebastian Vettel, Robert Wickens, Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne para competir, a empresa austríaca jamais conquistou a taça da World Series. Mas há uma explicação para isso. Geralmente, os pilotos rubro-taurinos já estão tão envolvidos no trabalho com a F1 que a WSR é colocada de lado. Por isso, mesmo com o favoritismo, Félix da Costa não vai ter vida fácil.

O outro problema é que há adversários fortíssimos. Para ser campeão, o luso precisará vencer Kevin Magnussen (apoiado pela McLaren) e Marco Sorensen (Lotus), que também despontam como favoritos, ao lado de Vandoorne. Em um segundo escalão ainda aparecem Nico Müller e Mikhail Aleshin, que briga pelo bicampeonato, e Arthur Pic.

Para encerrar, falo da situação dos brasileiros. Curiosamente, o Brasil é, ao lado da Rússia, o país de maior delegação no campeonato, com quatro representantes. Além de Lucas Foresti, Yann Cunha e André Negrão, que já haviam competido no ano passado, agora ainda há a estreia de Fantin.

Entretanto, mesmo com quatro pilotos, os brasileiros não aparecem entre os favoritos ao título. Do quarteto, acredito que Negrão e Foresti possam brigar por pontos constantemente e até mesmo por pódios, enquanto Fantin tem chances de ter um desempenho aceitável para um novato.

O primeiro dia da GP2 2012

setembro 27, 2011
GP2

Luca Filippi em segundo. Entra ano, sai ano e certas coisas não mudam

A GP2 inicia a preparação para a temporada 2012 da categoria nesta quarta-feira, dia 28, com o primeiro dos dois dias de treinos coletivos em Jerez de la Frontera. Nessa primeira atividade, os times costumam optar por dar maior quilometragem a novatos antes de escolher quem serão os pilotos para a próxima temporada.

Apesar disso, é seguro dizer que o grid da categoria em 2012 será formado pelos participantes deste primeiro teste somados aos pilotos que disputaram o campeonato de 2011 e ficaram de fora dessa atividade inicial. Salvo uma ou outra surpresa que possa aparecer.

A lista de inscritos para este primeiro dia – que você pode conferir clicando aqui – chama a atenção pela divisão entre novatos e velhos conhecidos.

De um lado, 11 dos 27 pilotos jamais disputaram uma corrida da categoria: Daniel Zampieri, Valtteri Bottas, Nathanael Berthon, Nico Müller, Rio Haryanto, Simon Trummer, Nigel Melker, Fabio Onidi, James Calado e Antonio Félix da Costa, além de Stéphane Richelmi, que só correu a rodada final de Monza.

Do outro, veteranos como Javier Villa, Adam Carroll, Yelmer Buurman, Luca Filippi entre outro, são lembrados pelos times. Na realidade, não é nenhuma surpresa que esse pessoal cada vez mais experiente ganhe espaço na GP2. Basta ver que Pastor Maldonado e Romain Grosjean, os dois últimos campeões, levantaram a taça da categoria depois de disputarem o certame por quatro anos.

Filippi, porém, pode entrar na sétima temporada (!!!!) na categoria. Carroll (praticamente um vovô aos 28 anos), na sexta – ainda que as duas últimas tenham sido incompletas. Villa, de apenas 23 anos, estaria na quinta temporada, assim como Álvaro Parente. E mesmo que Buurman só tenha competido em metade de 2008, o nome do holandês é o que causa mais espanto. Só falta o Roldan Rodríguez aparecer e a festa fica completa.

Essa participação de pilotos mais experientes – assim como a quantidade elevada de novatos – não significa necessariamente que as equipes possam apostar nesses nomes para 2012. Alguns times podem escolher fazer os primeiros treinos com gente que conhece a categoria, com o objetivo de acertar o carro para depois escolher ($) quem vai correr. A Carlin, por exemplo, é um exemplo de time que precisa pensar no equipamento depois de terminar a última temporada em uma humilhante última colocação com apenas quatro pontos.

A Super Nova, por outro lado, é uma equipe que aposta em veteranos sem explicação. Em 2011, eles competiram inicialmente com Fairuz Fauzy e Luca Filippi. Embora os dois pilotos tenham nove temporadas somadas entre eles, pouco conseguiram fazer. Juntos obtiveram 12 pontos até a etapa da Alemanha, quando o italiano se mandou para a Coloni e não parou mais de vencer. O substituto, Adam Carroll, conseguiu a façanha de elevar a média de idade da equipe para 28 anos! A efeito de comparação, a media da Toro Rosso é de 20,5 e a da McLaren, 28,5.

No restante das equipes, algumas combinações se destacam. Com a vaga que pertencia a Giedo van de Garde em tese livre, Dani Clos apareceu em um dos carros da Addax e pode ser alguém a ser considerado para o título da temporada. Fabio Leimer na Racing Engineering também é interessante, já que o suíço foi muito rápido em alguns momentos da última temporada, mas sofreu com os próprios erros e com um carro limitado como o da Rapax.

A equipe italiana, aliás, parece apostar em Daniel Zampieri, que faz uma péssima temporada na World Series by Renault, e ainda vai testar Sam Bird. O inglês parece ter sido o grande perdedor ao sair da iSport e testar carros de segundo/terceiro escalão.

Entre os novatos, o principal nome é o de Valtteri Bottas, campeão da GP3, que deve ser confirmado na Lotus ART para 2012. A imprensa finlandesa diz que ele negocia também com a iSport, mas acho difícil que ele fique fora da equipe francesa. Os outros nomes que merecem destaque são os de Nico Muller, Rio Haryanto, Antonio Félix da Costa, James Calado e Tom Dillmann. Vai ser interessante ver o desempenho deles.

Por fim, a ausência mais sentida nesse primeiro treino é Robert Wickens. O canadense, que briga pelo título da World Series by Renault, não apareceu na lista do primeiro dia e pode não treinar no segundo. Aí resta saber se ele optou em continuar focado em tentar ser campeão, já que a taça será definida neste final de semana (e assim Álvaro Parente estaria esquentando lugar para ele), ou se ele não conseguiu vaga.

Ninguém quer ser campeão da GP3 em 2011…

julho 24, 2011
Valtteri Bottas

Valtteri Bottas foi o décimo vencedor diferente em dez provas da GP3 em 2011

A GP3 é um campeonato que foi construído nas coxas para preencher um vazio que existia no final de semana da F1 entre a extinta F-BMW e a GP2. Como não era possível pular de uma categoria para a outra, Bernie Ecclestone resolveu criar o novo certame e encaixá-lo de qualquer jeito no meio da agenda de um GP.

Por isso, pouco se treina durante o final de semana, então a grande vantagem para os jovens pilotos é estar ali na frente dos dirigentes da F1 e da GP2. E esse é o motivo de tanta gente ter interesse em participar da categoria. São absurdas 30 vagas para a pontuação que premia apenas os oito primeiros (e lembrar que a F1 mudou o formato na última temporada devido à entrada das novas equipes).

Ainda com essa injustiça bonificatória, a temporada 2010 pouco empolgou. Havia três pilotos acima da média: Esteban Gutierrez, Robert Wickens e Nico Muller, que dividiram praticamente as vitórias entre eles. O mexicano, por exemplo, antes de conquistar o título no final do ano venceu três corridas principais seguidas, deixando a disputa pela taça entediante.

Com a ida de Gutierrez para a GP2 e de Wickens para a World Series by Renault, a tendência era que 2011 fosse um domínio completo de Muller. Por algum bom motivo, não é isso o que está acontecendo. Na realidade, a atual temporada da GP3 está divertidíssima. Já foram disputadas 10 das 16 corridas previstas e até agora ninguém conseguiu ganhar duas vezes. Para aumentar a imprevisibilidade, as últimas três provas, por exemplo, foram disputadas na chuva e água teve papel fundamental no resultado embaralhado.

Assim, no campeonato, a diferença entre o líder Alexander Sims para Valtteri Bottas, o sexto colocado, é de apenas dez pontos. Mas mesmo com essa margem tão pequena na tabela de pontos, os pilotos parecem que não querem ganhar o campeonato – talvez por isso tanto equilíbrio na pontuação.

Para se ter uma ideia, Sims chegou à etapa da Alemanha vindo de três pódios seguidos. Aí, na corrida principal em Nürburgring, quando tinha tudo para dispara na tabela, a equipe Status o ordenou a entrar nos boxes nas voltas finais para colocar pneus de chuva. Caiu a tormenta esperada, mas o britânico não foi além do 12º lugar. Antes da parada, o piloto era o sexto. Menos mal que ele terminou em segundo no domingo e pôde se distanciar na pontuação.

Mitch Evans é outro que não quer ser campeão. Protegido de Mark Webber (tá explicado…), o neozelandês era o piloto dominante após as primeiras três etapas. O que não deixa de ser algo surpreendente, pois tirando o leitor do World of Motorsport antes do campeonato ninguém tinha ouvido falar no garoto que mal completou 17 anos. Só que aí veio a maré de azar. Na Inglaterra, Evans foi um dos que abriu mão da posição de largada para ir trocar pneus antes da corrida. O piloto, porém, não conseguiu recuperar o tempo perdido por largar nos doxes e ficou sem pontuar. Na Alemanha foi ainda pior. O garoto conseguiu a pole-position, mas a equipe MW Arden fez o favor de se esquecer de deixar os pneus prontos antes do aviso de três minutos para a largada. Assim, na corrida, Evans era líder absoluto antes da tempestade, mas foi punido com um drive-through pela falha da equipe quanto aos pneus e terminou apenas em 19º. Terrível.

E não são só esses os casos. Andrea Caldarelli largou o campeonato na segunda etapa, mas ainda é o oitavo, com 20 pontos. Tom Dillmann, que dominou a pré-temporada, trocou a poderosa Carlin pela Addax, onde ainda não conseguiu se encontrar. Nigel Melker completou cinco corridas de jejum de pontos, marca parecida com a ‘obtida’ por Lewis Williamson e Valtteri Bottas em seus momentos mais críticos.

No final, com tudo isso exposto, é muito divertido ver um campeonato extremamente imprevisível quanto ao resultado final. Por outro lado, parece que nenhum dos 30 (!!) garotos está pronto para subir à GP2. Ainda que o mercado na categoria de cima seja bastante travado, é triste constatar que não tem renovação. Para piorar, enquanto Evans é um novato na Europa, Valtteri Bottas e Alex Sims já estão no terceiro ano de F3 ou GP3, Melker e Calado, no segundo. Ficar mais um ano na categoria debaixo seria desastroso para eles.

Se está difícil ver quem quer ganhar a GP3, pelo menos está bastante divertido acompanhar quem está se esforçando mais para perder.

GP3 2011: campeonato para inglês ver

julho 9, 2011
GP3 2011 Silverstone

Esse é o grid de 30 carros da GP3 na etapa de Silverstone da categoria. Lembrou o caso da Michelin em Indianápolis

A GP3 viveu um momento curioso na etapa deste sábado, dia 9, em Silverstone. Naquela que pode ser considerada a melhor corrida da curta história da categoria até aqui, o suíço Nico Muller se aproveitou da chuva para vencer pela primeira vez em 2011. O piloto da Jenzer, que quebrou um longo jejum de vitórias, no entanto, foi o menos importante dessa prova.

Antes de contar o que aconteceu, pergunto se alguém já viu os gurus da meteorologia das equipes da F1 trabalharem? Eles fazem assim: pegam uma série de informações nos computadores, como pressão, temperatura e outras coisas mais e traçam uma probabilidade de chuva. Aí aparece um time e fala que não vai chover nos próximos quinze minutos. Detalhe: tem nuvens negras cobrindo o autódromo daquelas que qualquer um que olhe muda de ideia na hora de sair de casa. Como resultado, chove para caramba e sempre tem um time ou outro que fica com aquela cara pasma por deixar os pilotos na pista no meio de uma intempérie.

Neste sábado, na GP3, aconteceu algo semelhante. As nuvens eram ameaçadoras, mas os times queriam porque queriam largar com pneus para pista seca. Aí foram todos para a volta de apresentação e desabou o mundo por lá! Dos 30 pilotos, 19 foram correndo para os boxes, antes da largada, para trocar os pneus. Nico Muller, o sexto no grid, foi alçado para primeiro porque não tinha mais nenhum adversário! Todos os rivais sairiam do pit-lane, isto é, só poderiam acelerar depois que o último carro passasse.

Adrian Quaife-Hobbs

Por besteira Adrian Quaife-Hobbs perdeu a bela pole-position que conseguira em Silverstone

Todo esse pessoal que saiu dos boxes começou a ganhar terreno na pista e ultrapassar um a um os adversários. Aos poucos o grid ficou misturado, mas Muller se manteve firme na liderança e praticamente venceu de ponta a ponta. Alexander Sims, da Status, fez uma p.. grande corrida de recuperação e terminou em segundo mesmo tendo sido um dos que fizeram a parada na volta de apresentação.

O destaque da prova, no entanto, acabou ficando com os pilotos que ocuparam da segunda à sétima posição: Sims, Nick Yelloly, Adrian Quaife-Hobbs, Luciano Bacheta, James Calado, Lewis Williamson e Dean Smith. Notou algo? Não? Então, são todos britânicos. A torcida inglesa, que lotou Silverstone, só não pôde comemorar ainda mais porque o vencedor foi um suíço. Por outro lado, pela regra do grid invertido, os sete primeiros para a segunda prova do final de semana – a deste domingo – são pilotos da casa, portanto.

Embora o fator ‘casa’ tenha pesado no resultado da etapa inglesa, o domínio dos britânicos já vem acontecendo faz algumas corridas. Em Valência, por exemplo, Quaife-Hobbs e Calado dividiram as vitórias, enquanto Williamson e Sims também subiram ao pódio. Juntos em 2011, os sete garotos do Reino Unido somam três vitórias, nove pódios e 21 corridas chegando aos pontos. Tudo isso fora as duas pole-positions e quatro voltas mais rápidas.

O sucesso dos ingleses na GP3 contrasta com a realidade da F3 Inglesa. O último piloto do país a vencer o título por lá foi Mike Conway, em 2006. Antes disso, Robbie Kerr, Marc Hynes, Jonny Kane, Olivier Gavin e Kevin Burt (só gente relevante…) foram os responsáveis pelos triunfos nos últimos 20 anos. Em 2011, a realidade é a mesma. O melhor britânico na classificação da F3 é Rupert Svendsen-Cook, em sexto somente.

Fazendo um pequeno levantamento, dos sete pilotos da GP3, apenas Quaife-Hobbs e Bacheta não competiram na F-Renault UK. Os demais, portanto, fugiram do caminho lógico do automobilismo inglês, que seria o pulo para a F3 local. Aliás, de todos, apenas dois chegaram a correr na F3 Inglesa: Dean Smith e James Calado, sendo este o atual vice-campeão do certame.

Outro dado curioso é a média de idade avançada deles. Alexander Sims é o mais velho, com 23 anos, enquanto Adrian Quaife-Hobbs, o mais novo, com 20. A efeito de comparação, Nico Muller, vencedor em Silverstone, tem 19. Nigel Melker, vice-líder do certame, comemorou 20 no início do ano. Mitch Evans, o líder, é uma exceção de apenas 17 anos recém-completados. Felipe Nasr, por exemplo, nasceu em 1992 (então faz 19 esse ano) assim como Lucas Foresti.

Apesar dos pilotos ingleses estarem sendo a sensação da metade da atual temporada da GP3, não vejo futuro para eles em termo de F1. A menos que conquistem o campeonato no final do ano e arrumem uma bela transferência para a GP2, o momento de estrear na F1 vai passar, enquanto eles vão continuar a chamar atenção nas categorias menores.

Primeiro dia da GP3 2011

março 4, 2011

 

Nico Muller

Nico Muller confirmou todo o favoritismo e foi o mais rápido em Paul Ricard

A GP3 realizou o primeiro treino coletivo de 2011 nesta quinta e sexta-feira, dias 3 e 4, no circuito de Paul Ricard, na França. Apesar de terem sido dois dias de testes, a chuva atrapalhou as atividades em um deles, o que tornou ainda mais difícil fazer qualquer comentário.

Levando em conta apenas as marcas obtidas apenas nesta sexta-feira, com sol, - que você pode conferir clicando aqui – já dá para afirmar algumas coisas:

Se ano passado as equipes Jenzer e Status, as menos conhecidas da categoria, fizeram bons campeonatos e disputaram o título com a ART, do campeão Esteban Gutierrez, esse ano esses dois times querem provar que o histórico nas divisões de acesso da Europa não é tão importante assim em se tratando da GP3. Neste único dia de treinos, Nico Muller, da Jenzer foi o mais veloz, confirmando o favoritismo de quem surpreendentemente não subiu à GP2.

James Calado

O carro de James Calado é uma maravilha. Juntou o verde e amarelo da Lotus Group com o branco, vermelho e azul da Racing Steps Foundation e deu isso aí

A segunda colocação ficou com o britânico Alexander Sims, da Status, experiente piloto vindo da F3 Euro Series. Em 2010, apostei nele para a conquista do título, mas o garoto ficou apenas na quarta colocação do certame europeu. Agora serei mais cuidadoso e acho que ele terá grandes dificuldades para superar o companheiro de equipe Antonio Félix da Costa, 7º nos treinos.

O terceiro lugar ficou com o surpreendente Mitch Evans, da MW Arden. O neozelandês, de apenas 16 anos, é o piloto mais jovem da GP3. Apesar dessa estatística curiosa, não apostaria nele para o campeonato, embora ache que ele tenha todas as condições de terminar o ano entre os primeiros colocados para que, em 2012, possa lutar pelo título.

Na sequência, apareceram os pilotos da RSC Mucke, com Nigel Melker e Michael Christensen, em quarto e quinto lugar, respectivamente. Ano passado a Mucke começou como grande força da temporada, incluindo duas pole-positions para Melker. Nada disso adiantou e o time terminou o campeonato de equipes na última colocação. Por isso, o pé atrás agora nessa pré-temporada. Eles vão precisar provar na pista que podem lutar com ART, Jenzer e Status em 2011.

 

Mika Hakkinen

Mika Hakkinen esteve em Paul Ricard para conferir de perto o desempenho de Valtteri Bottas, protegido do bicampeão

Para terminar o post, restou falar da ART e do brasileiro Pedro Nunes. Agora chamada de Lotus ART, a equipe francesa volta em 2011 como favorita e apostando naquilo que sempre deu certo: um piloto campeão. O escolhido foi Valtteri Bottas, que conquistou a F-Renault em 2008 e está no time desde então. Bottas correu com os franceses nos dois últimos anos  F3 Euro Series, mas não conseguiu o pulo para a GP2, agora ele precisa conquistar o título para dar prosseguimento a carreira.

Só que o protegido de Mika Hakkinen não foi tão bem assim no primeiro dia de treinos, terminando apenas na 10ª posição. No entanto, vale lembrar que Esteban Gutierrez só foi dominar os treinos da pré-temporada 2010 praticamente às portas da prova de abertura. O finlandês merece tempo e pode confirmar o favoritismo. Na batalha interna da Lotus ART, ele foi o melhor, com o brasileiro Pedro Nunes terminando em 17º e James Calado em 19º.

A exemplo de Bottas, é muito cedo para falar qualquer coisa sobre o desempenho do brasileiro e do companheiro de equipe. Acho que Nunes vai ter mais um ano difícil, embora, mais experiente, ele tenha chances de melhores resultados.

Treinos da GP3 em Estoril

outubro 15, 2010

Mitch Evans

Mitch Evans foi um dos destaques dos primeiros testes coletivos da GP3 visando a temporada 2011

Continuando com os posts sobre os testes de pré-temporada, agora é a vez de falar da GP3. A categoria que estreou em 2010 realizou três dias de testes coletivos na saudosa pista de Estoril, em Portugal.

Cada equipe pôde inscrever três pilotos para treinar por dia, fazendo com que os trinta carros do grid pudessem ir à pista simultaneamente. Ao contrário da temporada 2010 quando havia quatro brasileiros no grid, nesses treinos apenas Adriano Buzaid e Pedro Nunes estiveram presentes.

Na quarta-feira, dia 13, primeiro dia de treinos, o líder foi Nico Muller, que retornava à equipe Jenzer depois de renovar o contrato por mais um ano na categoria. O piloto suíço terminou a temporada em terceiro lugar, sendo um dos destaques, e era esperado que ele fosse um dos que subissem para a GP2.

Quem também surpreendeu foi a equipe Addax. O time espanhol andou entre os primeiros, com Miki Monrás sendo o segundo mais rápido pela manhã, enquanto Roberto Merhi foi o vice-líder durante a tarde. Adriano Buzaid foi o oitavo no turno matutino.

Menção honrosa também para James Calado (ART) e Adrian Tambay (Manor), que estiveram entre os ponteiros em ambas as sessões, além de Michael Christensen (Status), e Tamas Pál Kiss (Atech). Outro que chamou a atenção foi o americano Conor Daly, que estreava na Europa depois de dominar a Star Mazda. Com um carro da Manor, o piloto terminou em nono na primeira sessão e em 12º na segunda, lembrando que nunca tinha competido na GP3, tampouco em Estoril. Pedro Nunes novamente com a ART finalizou em 14º e 19º.

Lewis Williamson

Lewis Williamson é outro dos nomes para lembrar para 2011

Na quinta-feira, a Addax voltou a mostrar força, liderando a primeira sessão com Antonio Félix da Costa. O português ainda terminaria o segundo treino no terceiro posto. Christensen andou novamente entre os líderes, mas foi a equipe Mücke que foi o grande destaque do dia. Nigel Melker, outro que já renovou contrato, foi terceiro e depois segundo, enquanto Willi Steindl, terminou em quinto e em oitavo. Pedro Nunes também teve destaque ao liderar a ART com o quarto tempo pela manhã e com o sexto posto durante a tarde.

O segundo dia de treinos também antecipou alguns destaques do terceiro dia. Mitch Evans, de apenas 16 anos, surpreendeu a todos ao terminar em quinto na parte da manhã em um carro da MW Arden. Na mesma equipe esteve Robin Frijns, que finalizou em sexto, enquanto Conor Daly, na Manor, permaneceu entre os dez primeiros. No entanto, ninguém chamou mais a atenção que Lewis Williamson. O britânico, vice-campeão da F-Renault UK, liderou a última sessão do dia desbancando favoritos como Melker e Félix da Costa.

No último dia de treinos, Tambay voltou a entrar em cena ao liderar a sessão matutina, novamente em um carro da Manor. Williamson terminou em segundo, seguido por Melker, Pedro Nunes e por Gabby Chaves, que estreava na ART. O colombo-americano, aliás, é apontado como o sucessor de Esteban Gutierrez no time francês. O piloto esteve bem perto de integrar o Ferrari Driver Academy, mas acabou sendo preterido, mas ficou na Itália para a disputa da F3 Italiana, aproveitando da proximidade com a Scuderia de F1. Mitch Evans manteve o bom momento ao finalizar a sessão em décimo, enquanto Adriano Buzaid foi apenas o 23º.

Durante a tarde, Lewis Williamson, da ATECH, cravou o melhor tempo da sessão, encerrando os treinos coletivos da GP3 na frente. Robin Frijns foi o segundo, mostrando que a equipe de Mark Webber (MW Arden) pode vislumbrar em 2011 um desempenho melhor que o da atual temporada, quando terminou em último entre os times. O terceiro foi Dean Smith, com um carro da Addax.

Calado e Chaves completaram os cinco primeiros, sendo que ambos testaram pela ART. O britânico já está fechado com a equipe e o colombo-americano deve ser anunciado tão logo a temporada na Itália termine. Evans voltou a ir bem, finalizando em sexto, seguido por Nigel Melker, Julian Leal, Rio Haryanto e Simon Trummer, no terceiro carro da MW Arden. Adriano Buzaid foi o 15º e Pedro Nunes, o 16º.

Como se pode ver, alguns pilotos como Adrian Tambay, Mitch Evans e Lewis Williamson aproveitaram o primeiro teste coletivo para fazer um nome na categoria e entrar na briga pelas vagas de 2011. Outros, como Pedro Nunes, Dean Smith e Michael Christensen precisam mostrar serviço, já que entram no segundo ano na categoria. Nesse primeiro teste, pelo menos, se saíram bem. A GP3 volta a treinar entre os dias 20 e 22 de outubro, em Jerez.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 121 outros seguidores