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Guia da World Series by Renault 2014

abril 9, 2014
Na World Series é assim: às vezes o inimigo mora ao lado

Na World Series é assim: às vezes o inimigo mora ao lado

A temporada 2014 da World Series by Renault começa neste fim de semana, em Monza, cercada de expectativa. Afinal, com o título de Kevin Magnussen no ano passado, e a promoção do dinamarquês ao posto de titular da McLaren – onde até já conquistou um pódio –, todo mundo quer ver quem será a próxima revelação do automobilismo.

Dado o sucesso de Magnussen, era de se esperar que as 26 vagas do campeonato fossem extremamente disputadas por pilotos de todo o mundo, de olho em repetir a ascensão do nórdico, certo?

Errado! Apesar de ter revelado nomes como o próprio dinamarquês campeão, além de Stoffel Vandoorne e António Félix da Costa no ano passado, não foi isso o que aconteceu. A World Series começa 2014 com um grid minguado e muitos acordos tendo sido costurados de última hora, valendo apenas para a etapa italiana.

A situação foi tão complicada que a tradicional Carlin – bicampeã com Robert Wickens e Mikhail Aleshin – sequer conseguiu fechar com algum piloto e está de fora da prova de abertura. O time ainda negocia para voltar às pistas a partir da segunda rodada, mas já fala em tirar 2014 como um ano sabático, caso a Renault permita.

O curioso disso tudo é que não há uma explicação óbvia para a falta de pilotos. Sempre apontado como causa de todos os problemas, o dinheiro nem é um grande questão dessa vez. É verdade que o campeonato é caro, mas não custa mais que a GP2, e o orçamento não aumentou consideravelmente em relação ao ano passado. Isso sem falar que os piores momentos da crise econômica global já passaram.

Pierre Gasly é o atual campeão da F-Renault Europeia

Pierre Gasly é o atual campeão da F-Renault Eurocup

Talvez a melhor resposta seja a falta de pilotos de uma forma macro. De uma forma atípica, poucos atletas subiram de categoria em 2014. Geralmente a WSbR consegue atrair nomes da F3 Europeia, de outras F3 nacionais, da GP3 e da F-Renault. Mas neste ano muita gente optou por fazer mais um ano nesses campeonatos na tentativa de lutar pelo título. É uma tendência em praticamente todas as categoria – principalmente na GP2 –, mas que nem sempre dá certo.

Como resultado, até o momento apenas oito novatos estão fechados para 2014, sendo que dois só estão confirmados para correr em Monza. Ano passado foram dez estreantes na prova de abertura e, há dois anos, tivemos 16.

Outro fator que não pode ser ignorado é a concorrência com a GP2. A principal categoria de acesso da F1 implantou algumas medidas para reduzir o custo e aumentar o tempo de pista, o que agradou. Daí eles conseguiram atrair nomes importantes, como o próprio Vandoorne, além de André Negrão e Arthur Pic, que estavam na World Series.

Isso sem falar em Raffaele Marciello. O atual campeão da F3 Euro treinou pelos dois campeonatos durante o inverno, mas acabou optando pela GP2. Assim, com a ida do italiano, o campeonato de Bruno Michel começou 2014 com a presença direta ou indireta de Ferrari, McLaren, Williams, Caterham e Force India.

A World Series, por sua vez, ainda mantém um bom número de times da F1, com quatro (Red Bull, Caterham, Lotus e Sauber). Mas é menos que os seis ou sete dos últimos anos.

Oliver Rowland impressionou na pré-temporada

Oliver Rowland impressionou na pré-temporada

Ainda assim, ter um grid enxuto não significa que a World Series by Renault não tenha bons pilotos. Pelo contrário. O campeonato começa 2014 com a chance de um novo embate entre Pierre Gasly e Oliver Rowland. Os dois lutaram pelo título da F-Renault no ano passado, com francês levando a melhor após um acidente entre os dois na última prova. No entanto, o britânico acabou tendo um desempenho superior durante a pré-temporada.

Quem também deve entrar na briga são os companheiros dos dois. É verdade que Rowland assumiu o carro que já foi pilotado por Robin Frijns e Stoffel Vandoorne na Fortec, mas o inglês não terá vida fácil, pois tem Sergey Sirotkin como parceiro. Mesmo tendo ficado de fora na F1 neste ano, o russo não desanimou e foi um dos nomes mais constantes nos treinos de inverno.

Gasly, por sua vez, correrá pela Arden neste ano, mas a maior ameaça a ele será o colega de Red Bull Junior Team Carlos Sainz Jr. O espanhol foi contratado pela Dams para substituir Kevin Magnussen e, portanto, terá um equipamento comprovadamente vencedor. Depois de ter sido ofuscado por Daniil Kvyat em 2013, Sainz espera dar a volta por cima e pavimentar o caminho a uma vaga na Toro Rosso.

O outro piloto da Dams será Norman Nato, que renovou o contrato com a equipe. O francês teve altos e baixos durante o inverno, mas pode usar a experiência acumulada para andar na frente. O segundo nome da Arden, William Buller, também não deve ser descartado.

Pietro Fantin é o único brasileiro no campeonato

Pietro Fantin é o único brasileiro no campeonato

Se no ano passado o Brasil teve quatro representantes na World Series by Renault, agora apenas Pietro Fantin continua no campeonato. Porém, as chances de bons resultados aumentaram. O paranaense trocou a Arden Caterham pela ítalo-brasileira Draco e, pela primeira vez nos últimos anos, terá a maior parte da atenção da equipe.

E os resultados não demoraram a vir. Fantin esteve sempre entre os mais rápidos da pré-temporada, chegando até mesmo a liderar algumas sessões. Além disso, ele conta com um equipamento que conquistou duas vitórias no último campeonato, com Nico Müller. Vale lembrar que o último triunfo de um brasileiro no certame foi em 2008 com Fabio Carbone.

Para encerrar o grid de 2014, Marco Sorensen, agora na Tech 1, quer tentar dar à Dinamarca o bicampeonato do certame após mostrar momentos de muito arrojo nos dois últimos anos. Will Stevens, por sua vez, não teve uma boa pré-temporada, mas é dono de muita velocidade ao longo da carreira e corre por fora na luta pela taça.

Jazeman Jaafar, na ISR, é outro nome que pode surpreender após um inverno de altos e baixos. O campeonato ainda viu a chegada de Roberto Merhi (ex-piloto da Mercedes no DTM) e Beitske Visser (ex-Red Bull). A holandesa, aliás, será a primeira mulher a competir na categoria desde Pippa Mann, em 2008.

Desde que deixou o kartismo, Beitske disputou duas temporadas nos carros na Adac Masters, conquistando três vitórias, mas sempre ficando longe da luta pelo título. Por causa disso, o pulo para a World Series by Renault pode ser considerado grande demais. Para conferir todo o grid de 2014, basta clicar aqui.

Treinos da World Series by Renault em Jerez

março 26, 2014
Oliver Rowland foi o mais rápido em Jerez

Oliver Rowland foi o mais rápido em Jerez

Com a temporada 2014 da World Series by Renault começando no dia 12 de abril, as equipes se reuniram nesta semana, em Jerez de la Frontera, para os últimos três dias de testes coletivos antes do início do campeonato.

Como essa foi a terceira vez que os competidores foram à pista, já dá para ver quem pode ser apontado como favorito antes do início das disputas. Depois de ficar com o segundo tempo nas atividades em Aragón, Oliver Rowland colocou o carro da Fortec na primeira colocação jem Jerez ao superar o companheiro de equipe, Sergey Sirotkin, por apenas 0s095.

O bom desempenho do inglês não é por acaso. Vale lembrar que o garoto está usando o mesmo equipamento que levou Robin Frijns ao título há dois anos e Stoffel Vandoorne ao vice-campeonato no ano passado.

Sirotkin, por sua vez, não parece abalado por ter ficado sem a vaga na Sauber neste ano. O russo , que espera se juntar à F1 no ano que vem, foi um dos pilotos mais constantes durante todas as sessões realizadas no circuito andaluz e chegou a ficar com a primeira colocação na última ida à pista. No entanto, o tempo obtido não foi o suficiente para desbancar o parceiro.

Pietro Fantin foi o líder no terceiro dia dos treinos

Pietro Fantin foi o líder no terceiro dia dos treinos

A terceira posição ficou com Pierre Gasly, da Red Bull. Atual campeão da F-Renault Europeia, o francês não conseguiu mostrar o mesmo desempenho de Aragón. É verdade que ele fechou no top-3 em Jerez, mas o tempo foi obtido durante a segunda manhã de atividades. Nas demais sessões, ele acumulou dois oitavos e um nono lugar antes de voltar aos primeiros postos no último dia.

Mais rápido nos testes de Paul Ricard, Jazeman Jaafar ficou em quarto, se recuperando do desempenho não tão bom em Motorland. Carlos Sainz Jr, o outro piloto da Red Bull no certame, foi o quinto. O espanhol chegou a ser o mais rápido na segunda tarde de treinos, mas o resultado não foi o suficiente para catapultá-lo à liderança no combinado.

O sexto lugar foi de Pietro Fantin. Assim como Sainz, o brasileiro também liderou uma das sessões, mas acabou um pouco mais distante do topo. Apesar disso, o paranaense tem bons motivos para ficar satisfeito. A equipe Draco começou os treinos em Jerez com o carro saindo de frente, o que custou um pouco de desempenho. Entretanto, a escuderia conseguiu solucionar o problema, permitindo que Fantin voltasse a andar entre os ponteiros.

Norman Nato fechou em sétimo, sendo presença constante no top-10 no segundo carro da Dams. Marlon Stockinger colocou o equipamento da Lotus Charouz em oitavo, com Nikolay Martsenko aparecendo em nono. Ainda sem o futuro garantido na categoria, Nigel Melker completou em décimo.

Reserva da Mercedes no DTM, Robeto Merhi terminou em 14º ao andar novamente com a Zeta Corse. Outras novidades da lista de inscritos foram Tio Ellinas – pela Pons e pela Tech 1 – e Robert Visoiu no segundo carro da equipe de Sito Pons. Nenhum desses três pilotos ainda está confirmado para 2014. Eles também negociam com a GP3.

Beitske Visser é a primeira mulher na World Series desde Pippa Mann, em 2009

Beitske Visser é a primeira mulher na World Series desde Pippa Mann, em 2009

Os treinos em Jerez ainda viu a confirmação de Beitske Visser como titular da AVF. Depois de ser dispensada pelo programa de pilotos da Red Bull ao fim do ano passado, a holandesa vem tentando dar a volta por cima na carreira e para isso competirá na World Series by Renault após duas temporadas na Adac Masters.

O pulo da categoria alemã para o campeonato da Renault não deixa de ser grande, mas a escuderia liderada por Adrian Vallés confia em poder lapidar o talento da garota e recolocá-la no caminho das vitórias. Beitske terminou com o oitavo tempo na última sessão de treinos, ma foi apenas a 21ª no combinado.

De qualquer forma, o resultado já mostra uma evolução. Em Aragón ela finalizou 2s4 atrás do melhor tempo, enquanto em Jerez essa diferença diminuiu para 1s5. É verdade que o circuito andaluz é menor em extensão, mas a evolução de 1s não pode ser ignorada.

Por fim, a última sessão de treinos coletivos novamente viu a ausência da Carlin. Bicampeã da categoria com Mikhail Aleshin e Robert Wickens, a escuderia inglesa ainda não conseguiu acertar com algum piloto e já fala em tirar 2014 como um ano sabático do campeonato. O time reclama do preço cobrado por equipes concorrentes, sendo muito abaixo do mercado.

Confira o combinado dos tempos em Jerez:

tempows

Treinos da World Series by Renault em Aragón

fevereiro 28, 2014
Carlos Sainz Jr foi o mais rápido em Aragón

Carlos Sainz Jr foi o mais rápido em Aragón

Não foi apenas a F-Renault Europeia que esteve na pista nesta última semana em Aragón. Quem também andou testando no circuito espanhol foi a irmã mais velha, a World Series by Renault, que conta com um grid com pilotos muito mais experientes e de olho em repetir o sucesso de Kevin Magnussen, o campeão do ano passado e novo titular da McLaren na F1.

Falando em Magnussen, com a saída do dinamarquês, com a graduação de António Félix da Costa ao DTM e a transferência de Stoffel Vandoorne para a GP2, a World Series vive um ano de transição em 2014. Afinal, os nomes que dominaram o certame nas últimas duas temporadas foram embora.

Isso abriu espaço para que novos pilotos aparecessem, como Pierre Gasly e Oliver Rowland, que disputaram o título do ano passado da F-Renault. E, em Aragón, a dupla voltou a mostrar um bom ritmo. Enquanto o francês foi o mais rápido na última das seis sessões de pista, o britânico liderou os treinos na tarde do primeiro dia.

Mas quem acabou na frente na classificação geral foi Carlos Sainz Jr. Depois de perder a vaga na Toro Rosso para Daniil Kvyat, o espanhol é o principal nome do Red Bull Junior Team em 2014. E para confirmar a confiança depositada pela fabricante de energéticos, o piloto terá à disposição o mesmo carro da Dams que levou Magnussen ao título do ano passado.

Nesse primeiro ensaio, as coisas saíram conforme o planejado, e Sainz superou Rowland por Blink 0s182. Só que as coisas não foram tão tranquilas para o espanhol. Embora tenha dominado o segundo dia de treinos – quando as condições de pista eram melhores –, o piloto teve um desempenho de altos e baixos. Mais rápido no geral, ele amargou apenas o 13º posto na primeira sessão e foi o nono na última.

Rowland também foi outro que não teve muitos motivos para comemorar o segundo lugar. Apesar de ter marcado o tempo logo na segunda sessão, ele ainda somou um 16º, um 17º e um 23º lugares (tendo enfrentado problema neste último), em Arágon.

Por outro lado, quem não pecou pela regularidade foi o outro piloto da Fortec, Sergey Sirotkin. Após aquela novela envolvendo a ida para a F1, o russo acabou ficando na World Series by Renault para mais uma temporada – também assumindo o posto de reserva na Sauber – e não fez feio. De todos os pilotos, ele foi o único que terminou todas as atividades no top-5, incluindo tendo liderado duas delas. No final, ficou com a terceira posição no combinado.

Pietro Fantin esteve sempre entre os mais velozes

Pietro Fantin esteve sempre entre os mais velozes

Pierre Gasly, o outro piloto do Red Bull Junior Team, foi o quarto. Ao contrário de Sainz, a regularidade não foi um problema para ele. Salvo um décimo lugar na primeira ida à pista, o francês fechou as demais sessões entre os quatro primeiros, com dois segundos lugares e tendo sido o mais veloz no último dia.

Desempenho parecido teve o brasileiro Pietro Fantin, que completou todas as seis sessões no top-6. Ainda que não tenha brigado pela liderança no geral, o paranaense sempre esteve presente entre os ponteiros, assim como já havia acontecido nas atividades privadas em Paul Ricard.

Como eu já escrevi aqui, esse ano é bastante importante para que Fantin recupere o bom momento da carreira. Ele surgiu muito bem na F3 Inglesa há três anos, mas enfrentou tempos difíceis em 2012 e 2013 quando competiu por Carlin e Arden Caterham, respectivamente, mas não tinha a atenção das equipes. É a chance de ele provar o que pode fazer.

O top-10 em Aragón ainda teve William Buller, Will Stevens, Nigel Melker, Norman Nato e Nikolay Martsenko. Outros detalhes da atividade foram a presença de Tom Dillmann e Roberto Merhi, que parecem buscar uma vaga na World Series by Renault depois de terem as portas fechadas na GP2 e no DTM, respectivamente. São bons nomes que, caso disputem a temporada completa, não devem demorar a estar brigando na frente.

Falando nisso, assim como é na F1, os treinos da pré-temporada geralmente não dizem muito o que pode acontecer durante o campeonato. Basta lembrar que a Lotus Charouz foi a equipe dominante nos últimos dois invernos, mas a gente praticamente não os viu na pista no restante do ano.

A World Series agora faz uma pausa e volta à pista na segunda metade de março, em Jerez. A expectativa para essa segunda atividade é que o grid esteja completo, já que a Carlin não viajou até a Espanha por ainda não ter definido os pilotos para o campeonato. A ISR também só teve um carro.

Confira os tempos de Aragón:

tempos WS

Treinos da World Series by Renault em Paul Ricard

fevereiro 15, 2014
Jazeman Jaafar começou o ano na frente na World Series

Jazeman Jaafar começou o ano na frente na World Series

Por causa do frio na Europa e nos Estados Unidos, as primeiras semanas do ano são mais paradas no automobilismo. Por isso, alguns pilotos aproveitam para participar de torneios de verão, principalmente no hemisfério sul, onde a temperatura é mais quente.

Só que nem todo mundo pensa assim. Enquanto países como Brasil, Nova Zelândia e os próprios EUA (na região da Flórida) recebem jovens do mundo todo, alguns campeonatos já começaram as atividades de olho em 2014. Um deles é a World Series by Renault, que teve dois dias de testes nesta semana em Paul Ricard.

Como a atividade serviu para que as equipes pudessem gastar o que sobrou dos motores do ano passado, além de avaliar os novos compostos da Michelin, apenas 13 dos 26 carros estiveram na pista. A principal ausência foi a Fortec, que já anunciou Oliver Rowland e Sergey Sirotkin como dupla na próxima temporada.

No resto, dos demais 12 pilotos confirmados, Nikolay Martsenko, da Comtec, também não participou, mas o grid acabou reforçado por Nigel Melker, em um segundo carro da ISR, enquanto Zoel Amberg andou pela Tech 1.

Pietro Fantin comandou o trabalho da Draco

Pietro Fantin comandou o trabalho da Draco

Falando na ISR, a equipe tcheca foi o grande destaque dos treinos, com Jazeman Jaafar liderando três das quatro sessões e marcando o melhor tempo no combinado. O malaio só foi superado justamente na primeira atividade de pista, quando Carlos Sainz Jr colocou o carro da Dams – levado ao título do ano passado por Kevin Magnusen – na frente.

Os treinos também tiveram a presença de um brasileiro. Pietro Fantin, que já foi anunciado pela Draco, andou constantemente no top-5 e encerrou com a quarta colocação no geral. Além do desempenho positivo do piloto paranaense, a escuderia ítalo-brasileira aproveitou para testar novos componentes e acertos de olho no novo campeonato.

O bom rendimento de Fantin também foi importante, já que neste ano ele assume a função de principal piloto da escuderia, uma vez que o companheiro – Luca Ghiotto – está estreando no certame. Depois de ser colocado de lado pela Arden Caterham no ano passado, o brasileiro precisará recuperar os bons resultados do início da carreira.

Confira a soma dos tempos da World Series em Paul Ricard:

Tempos WS

World Series by Renault 2013

abril 5, 2013
A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos

A World Series by Renault é sem dúvidas o campeonato mais charmoso de todos

A World Series by Renault sentiu o golpe. Depois de contar com um grid megacompetitivo na temporada passada, com pilotos dos programas de desenvolvimento de Ferrari, McLaren, Mercedes, Lotus e Red Bull, a categoria não conseguiu emplacar seus campeões na F1 e, como resultado, viu o enfraquecimento do grid para 2013.

No ano passado, o título foi decidido na corrida final, quando Robin Frijns e Jules Bianchi se tocaram nas últimas voltas da etapa de Barcelona. Embora o duelo não tenha sido épico na pista, os dois pilotos deixaram o campeonato bastante valorizados. O problema é que eles praticamente não conseguiram dar grandes passos na carreira desde então.

Bianchi, por exemplo, só arrumou uma vaga na F1 aos 45 do segundo tempo, quando Luiz Razia foi dispensado pela Marussia devido a problemas com os patrocinadores. Com isso, o francês, empresariado por Nicolas Todt e contando com o apoio da Academia Ferrari, só se garantiu na principal categoria do automobilismo mundial na pior equipe.

A sorte de Frijns foi ainda pior. O holandês arrumou a vaga de reserva na Sauber, mas não vai correr de nada neste ano porque não tem dinheiro. Isso depois de vencer três campeonatos consecutivos na carreira. Para piorar, ele até sondou uma ida à GP2. Chegou a participar dos treinos da pré-temporada, teve um desempenho bom para um estreante, mas a Sauber optou por mantê-lo apenas como reserva.

O resto do grid passou longe da F1. Sam Bird, por exemplo, foi mantido na função de reserva da Mercedes, mas o britânico também vai se dedicar à GP2 neste ano. Ele foi contratado pela Russian Time e está de volta à categoria.

Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013

Stoffel Vandoorne é o homem a ser observado em 2013

Percebeu que há um padrão aí? Dos três primeiros da World Series by Renault no ano passado, dois procuraram seguir a carreira na GP2. E há uma explicação para isso. A categoria de Bruno Michel emplacou três pilotos na F1 em 2013: Esteban Gutiérrez (terceiro), Max Chilton (quarto) e Giedo van der Garde (sexto). Isso sem falar em Razia.

A consequência foi óbvia. Os pilotos perceberam que precisam estar no caminho da GP2/GP3 se um dia quiserem ter chances de chegar à F1. Por isso, houve uma queda na qualidade do grid da World Series em 2013. Primeiro, além de perder Frijns, Bianchi e Bird, o campeonato também viu nomes promissores, como Richie Stanaway, Kevin Korjus, Nick Yelloly e Alexander Rossi irem embora.

Para o lugar deles, não houve grandes contratações. Se nos últimos anos a WSR se destacou por atrair campeões das diversas F3, além da própria GP3, dessa vez o campeonato viu apenas a chegada de coadjuvantes. A única exceção é Stoffel Vandoorne, campeão da F-Renault Eurocup no ano passado e que ganhou uma bolsa para competir na categoria de cima neste ano.

Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais

Os carros da Carlin, com rodas cromadas, ficaram sensacionais

De resto, são poucos os novos nomes interessantes. Destaque para Nigel Melker, que veio da GP2, Sergey Sirotkin (russo de 17 anos, terceiro colocado na Auto GP no ano passado), Jazeman Jaafar (vice da F3 Inglesa), Pietro Fantin, Marlon Stockinger e Christopher Zanella.

Completam a lista de novidades Norman Nato, Matias Laine, Mihai Marinescu, Emmanuel Piget e Oli Webb, que retorna à categoria depois de um péssimo ano na Indy Lights.

De qualquer forma, uma coisa precisa ficar clara. Embora o grid tenha ficado enfraquecido com relação ao ano passado, isso não quer dizer que ele seja fraco. Há muitos pilotos de qualidade, que podem arrumar uma vaga na F1, contando com algum dinheiro e principalmente sorte de estar no lugar certo e na hora certa.

O principal nome, claro, é António Félix da Costa. O luso entra na competição como favorito depois de conquistar quatro vitórias nas últimas cinco corridas do ano passado. Mas para ficar com o título, o lisboeta terá algumas dificuldades.

Será todos contra António Félix da Costa?

Será todos contra António Félix da Costa?

A primeira é encerrar um jejum de títulos da Red Bull no certame. Mesmo tendo levado nomes como Sebastian Vettel, Robert Wickens, Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne para competir, a empresa austríaca jamais conquistou a taça da World Series. Mas há uma explicação para isso. Geralmente, os pilotos rubro-taurinos já estão tão envolvidos no trabalho com a F1 que a WSR é colocada de lado. Por isso, mesmo com o favoritismo, Félix da Costa não vai ter vida fácil.

O outro problema é que há adversários fortíssimos. Para ser campeão, o luso precisará vencer Kevin Magnussen (apoiado pela McLaren) e Marco Sorensen (Lotus), que também despontam como favoritos, ao lado de Vandoorne. Em um segundo escalão ainda aparecem Nico Müller e Mikhail Aleshin, que briga pelo bicampeonato, e Arthur Pic.

Para encerrar, falo da situação dos brasileiros. Curiosamente, o Brasil é, ao lado da Rússia, o país de maior delegação no campeonato, com quatro representantes. Além de Lucas Foresti, Yann Cunha e André Negrão, que já haviam competido no ano passado, agora ainda há a estreia de Fantin.

Entretanto, mesmo com quatro pilotos, os brasileiros não aparecem entre os favoritos ao título. Do quarteto, acredito que Negrão e Foresti possam brigar por pontos constantemente e até mesmo por pódios, enquanto Fantin tem chances de ter um desempenho aceitável para um novato.

A corrida que ninguém venceu

junho 30, 2012
Daniel Juncadella

Embora Daniel Juncadella tenha terminado a primeira corrida em Norisring na frente, a prova não teve vencedor

A F3 está vivendo um final de semana histórico em Norisring. Como uma das medidas tomadas por Gerhard Berger para fortalecer a categoria, a F3 Inglesa, a F3 Europeia e a F3 Euro Series dividem o circuito de rua alemão para uma etapa conjunta, que vale ponto para todos os campeonatos.

Etapas conjuntas não é uma novidade na F3. Esse ano já tivemos uma em Pau, por exemplo, mas essa é a primeira vez que vale pontos para todos os campeonatos envolvidos.

No entanto, a etapa também está sendo um tormento para os organizadores. Para começar, na sexta-feira, o treino classificatório precisou ser adiado porque o asfalto da cidade de Nuremberg – onde o circuito de Norisring está localizado – começou a se desfazer. A F3 não é o único evento do final de semana, com o DTM, a Porsche Cup Alemã e a Scirocco Cup também correndo. Com tantos carros na pista, o asfalto não aguentou e acabou cedendo durante um treino da Scirocco, prejudicando não só a F3 como também a Porsche.

Mas nada se compara ao que aconteceu neste sábado. A primeira corrida da F3 não teve vencedor. Isso mesmo, ninguém ganhou. Só que Pietro Fantin, que terminou na quarta colocação, pôde comemorar a vitória! Pode isso, Arnaldo?

Com a punição ao espanhol, apenas Pietro Fantin (o quarto colocado) pôde comemorar a vitória em Norisring

Na verdade, a confusão começou quando Daniel Juncadella recebeu a bandeirada na primeira corrida do final de semana. Entretanto, assim que o espanhol cruzou a linha de chegada, a direção de prova anunciou que o resultado estava sob investigação, pois o piloto da Prema havia se envolvido em acidentes com o rival Raffaele Marciello e com Pascal Wehrlein.

A primeira batida aconteceu quando o italiano, que havia largado mal na pole-position, tentou ultrapassar o companheiro de equipe na briga pela segunda colocação. Os dois se tocaram na saída do S, e Marciello acabou batendo no muro na curva seguinte. Depois, no duelo pela liderança, Juncadella forçou a ultrapassagem em cima da Wehrlein e novamente os dois bateram. Enquanto o espanhol seguiu rumo à bandeira quadriculada, o alemão começou a perder posições com o carro danificado e foi somente o sétimo colocado.

Após analisar o que havia acontecido, a direção de prova puniu Juncadella, cassando a vitória. Ou seja, William Buller, que terminou em segundo, foi o novo ganhador, certo? Errado! Os comissários da F3 decidiram deixar o posto de vitorioso vago, ou seja, Buller ganhou os pontos pelo segundo lugar e assim sucessivamente. Até mesmo na segunda corrida, com a regra do grid invertido, a posição original de Juncadella não teve um substituto, deixando um espaço em aberto no meio da fila.

Mas lembra que essa foi uma etapa conjunta entre a F3 Inglesa, a F3 Euro e a F3 Europeia? Então, Juncadella compete apenas nos certames europeus. Como ele não pontua no torneio britânico, para os ingleses a corrida realmente teve um vencedor: o brasileiro Pietro Fantin. O paranaense terminou atrás do espanhol, de Buller e de Emil Berstorff, o terceiro colocado. Só que esses são pilotos dos campeonatos europeus.

Assim, para todos os efeitos, o vencedor da etapa de Norisring da F3 Inglesa foi Pietro Fantin. O único piloto a ganhar a primeira corrida na Alemanha, mesmo terminando na quarta colocação.

Preview da F3 Inglesa 2012

abril 4, 2012
F3 Inglesa 2012

A F3 Inglesa começa a temporada 2012 com um grid enxuto, mas ainda sem um favorito definido

A temporada 2011 da F3 Inglesa foi um sucesso para os pilotos brasileiros. Felipe Nasr conquistou o título da categoria, enquanto Lucas Foresti e Pietro Fantin também venceram corridas no certame. Além do trio, Yann Cunha e Pipo Derani foram os outros representantes do país no campeonato.

Seguindo o caminho natural das carreiras, Nasr foi o primeiro a se despedir da F3 e escolheu competir na GP2, sempre de acordo com o objetivo de chegar à F1. Lucas Foresti e Yann Cunha – de forma curiosa, os três nascidos em Brasília – também deixaram o campeonato e vão se dedicar à World Series em 2012.

Assim, a F3 Inglesa inicia a nova temporada sem a volumosa delegação brasileira do ano anterior. Na realidade, o campeonato conta com o menor número de pilotos do país desde 2008 – quando Adriano Buzaid e Clemente de Faria Jr. participaram de poucas etapas – já que apenas Fantin e Derani estão confirmados.

No entanto, não foi apenas o número de pilotos brasileiros que encolheu para 2012. O grid, como um todo, diminui. A F3 Inglesa resolveu adotar o novo Dallara F312 para a nova temporada, o que aumentou os custos da categoria, que já não era barata. Dessa maneira, a previsão é que apenas 14 carros estejam presentes em Oulton Park na abertura do novo campeonato neste final de semana da Páscoa.

Essa diminuição no grid não é uma crise devastadora. Praticamente todos os campeonatos que resolveram adotar o F312 estão sofrendo. A F3 Euro, por exemplo, deve ter apenas dez carros, enquanto a Italiana, que ainda manteve o modelo antigo, contou com apenas 11 na rodada de abertura.

No caso da Inglaterra em específico, a nova regra de motores, que só entra em vigor no próximo ano, acabou afugentando algumas equipes, que já declararam interesse de se juntar à competição, mas preferiram esperar esse ano para não ter que comprar os propulsores duas vezes. Assim, é natural que o grid da F3 consiga se expandir ao longo de 2012, embora a tendência é que os pilotos que entrem utilizem o campeonato apenas para se adaptarem.

Mas chega de falar do futuro da F3 Inglesa. O que interessa é essa nova temporada que começa agora. Afinal, será que Pietro Fantin e Pipo Derani têm condições de seguir os passos de Felipe Nasr e garantir o 13º triunfo do Brasil no campeonato?

Carlos Sainz Jr F3 Inglesa

Pelo histórico e pelo rendimento na pré-temporada, Carlos Sainz Jr será o piloto a ser batido em 2012

Infelizmente, ao que tudo indica, não. É verdade que os testes de pré-temporada foram bastante inconclusivos, com praticamente todos os pilotos terminando na frente em algum momento. Entretanto, os brasileiros não foram bem. Fantin geralmente ocupou a quinta colocação entre os cinco atletas da Carlin, enquanto Derani teve problemas para se manter n top-10 na classificação geral.

Nem mesmo em Rockingham, onde Fantin conhece como a própria mão, o paranaense foi bem. E por causa desse tipo de resultado não dá para falar que os brasileiros são favoritos. No entanto, vale lembrar que treino é treino e corrida é corrida. Apesar de parecer batido, em 2011, ninguém apostava em um bom desempenho de Lucas Foresti desde o começo, mas o brasiliense chegou a ser o principal rival de Nasr nas primeiras etapas. Por outro lado, Kevin Magnussen teve um início de ano complicado – o que acabaria custando o título – e, de acordo com os resultados da pré-temporada – Jack Harvey seria o favorito ao campeonato.

É por essa razão que não dá para colocar Fantin e Derani fora da briga, mas os dois terão muito trabalho em 2012 se quiserem conquistar o título da F3 Inglesa.

Até porque, favorito mesmo o campeonato já tem um: Carlos Sainz Jr. O espanhol, protegido pela Red Bull, chega à Inglaterra com a responsabilidade de seguir os passos de Jaime Alguersuari, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne, que foram campeões da F3 antes de alcançarem a F1.

Como os outros três foram campeões, o espanhol é mais do que favorito, mas isso não quer dizer que ele vai ter vida fácil. Sainz chega à F3 bastante pressionado pela falta de títulos na carreira. Quando estreou na F-BMW, em 2010, o piloto teve a responsabilidade de substituir Felipe Nasr na equipe Eurointernational, mas, mesmo contando com o suporte da Red Bull, o garoto passou longe da briga pelo título.

Jack Harvey F3 Inglesa

Apoiado pela Racing Steps Foundation, Jack Harvey está de volta à F3 em 2012

No último ano, o espanhol correu tanto na F-Renault Eurocup quanto na NEC, onde conquistou o título. No entanto, no campeonato principal, acabou perdendo a taça para Robin Frijns (que já havia sido o campeão da F-BMW em 2010), o que colocou dúvidas quanto ao seu talento. Só que vale lembrar que o último campeão da Red Bull em uma F-Renault foi Brendon Hartley. E, em termos de pressão, Vergne havia chegado ao campeonato inglês com a corda muito mais no pescoço que o colega de Junior Team, então a situação de Sainz não é uma novidade em terras rubro-taurinas.

Mas é difícil apontar quem pode vencer Carlos Sainz. Entre os próprios pilotos da Carlin, nenhum inspira confiança em relação ao título. Jazeman Jaafar, que inicia o terceiro ano no campeonato, em tese deveria ser o principal rival, mas o malaio jamais venceu uma corrida na categoria e sempre foi um piloto bastante veloz na pré-temporada, mas que deixou a desejar ao longo das corridas.

Jack Harvey é outro que pode ameaçar. O inglês conhece Sainz da época em que dividiram a F-BMW, quando saiu-se vencedor. A situação é bastante parecida em 2012. Harvey inicia o segundo ano na F3, enquanto o companheiro de equipe é um novato. O favoritismo, claro, agora é do espanhol, mas o inglês tem todas as condições de surpreender novamente.

Por fim, ainda falando da Carlin, se Fantin não fez uma boa temporada, o mesmo não pode ser dito de Harry Tincknell. O quinto piloto do time foi um dos mais constantes dos treinos do inverno europeu e corre por fora na briga pelo título. Tincknell fará de tudo para encerrar um jejum de título dos ingleses na F3 local, que já dura desde 2006, quando Mike Conway foi campeão.

Nas demais equipes, a única que pode ameaçar a Carlin é a Fortec. O time de Richard Dutton aposta em Alex Lynn, atual campeão da F-Renault UK, para superar os carros da equipe rival. Para você ter uma ideia da rivalidade entre essas duas escuderias, no press release oficial da confirmação dos pilotos para 2012, Dutton disse a palavra ‘Carlin’ mais do que a própria palavra ‘Fortec’. O dirigente tá com sanguenozóio para acabar com a supremacia da adversária.

Além de Lynn, o time ainda conta com Pipo Derani, contratado da Double R, e Hannes Van Asseldonk, que veio da F3 Alemã com status de sucessor de Kevin Magnussen – que havia trilhado o mesmo caminho na carreira – mas acabou decepcionando na pré-temporada. O quarto piloto é o porto-riquenho Felix Serralles, conhecido pela regularidade e pela consistência.

Nick McBride

Nick McBride conta com o apoio da Nissan para tentar vencer Carlin e Fortec em 2012

Para finalizar as últimas equipes, chegou a hora de falar dos australianos. Em 2012, a F3 Inglesa terá um sotaque típico de Down Under, já que quatro pilotos da terra dos cangurus vão tomar parte do certame. É a maior delegação de 2012, vencendo até mesmo os ingleses, que têm três representantes.

Nick McBride e Spike Goddard vão competir pela T-Sport, enquanto Geoff Uhrhane e Duvashen Padayachee são os atletas da Double R. Os quatro vão tentar seguir os passos de Will Power e de Daniel Ricciardo, que disputaram a F3 Inglesa antes de fazerem sucesso no mundo do esporte ao motor.

Para não falar de cada um deles de forma isolada, cito algumas curiosidades gerais. McBride é o único dos 14 pilotos confirmados a correr com motores Nissan. Aliás, além dele, Uhrhane e Goddard vieram direto da F-Ford inglesa, enquanto Padayachee correu na F-BMW do Pacífico. Esses dois últimos, aliás, são os únicos concorrentes da National Class.

O outro piloto que disputa a F3 Inglesa em 2012 é Fahmi Ilyas, que correrá pela Double R.

Para finalizar, existe a possibilidade de a CF, comandada pelo ex-piloto Hywel Lloyd entrar no campeonato com dois carros da National Class. A ideia era já estar presente em Oulton, mas, ao que tudo indica, o time ainda não conseguiu fechar com algum piloto.

Para ver o calendário completo da F3 Inglesa basta clicar aqui.

O recomeço da F3 Inglesa em 2012

março 7, 2012
Carlos Sainz Jr.

O primeiro treino da F3 Inglesa mostrou o que deve ser a categoria em 2012: grid reduzido e domínio da Carlin/Red Bull

Em 2011, os brasileiros comemoram o título de Felipe Nasr na F3 Inglesa, quando o piloto se tornou o 12º campeão do país neste tradicional campeonato das categorias de base. Agora, em 2012, as celebrações ficaram para trás, e a F3 inicia a nova temporada, que vai consagrar um novo garoto daqui a alguns meses.

O primeiro passo do novo campeonato foi dado nesta semana, quando a F3 Inglesa se reuniu na pista de Snetterton para a realização de dois dias de treinos coletivos no local. Apesar de as equipes já estarem treinando de forma privada desde o final do ano passado, essa foi a primeira oportunidade que os times tiveram para se reunir e levar à pista o novo Dallara F312.

Como a chuva esteve presente durante os dois dias de treinos, fica muito difícil avaliar o desempenho de cada um, afinal, bastava ter a sorte de sair dos boxes no momento em que as condições eram menos ruins para conseguir fazer a volta mais rápida.

No entanto, esse primeiro treino confirmou algumas expectativas para o novo campeonato que dificilmente devem mudar durante a temporada. A Carlin é mais uma vez a equipe favorita e será muito complicado para a Fortec tirar o título deles.

Entre os pilotos, a tendência é que Carlos Sainz Jr, apoiado pela Red Bull e pilotando o poderoso carro número 31, seja o cara a ser batido, mas o espanhol deverá encontrar mais dificuldades que Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne tiveram em suas campanhas vitoriosas. Nos treinos, o filho de Carlos Sainz terminou como o mais rápido no segundo dia de treinos e foi o quarto na atividade inicial.

Ainda falando sobre o primeiro dia de treinos, a liderança ficou com o experiente Jazeman Jaafar, que inicia a terceira temporada na categoria. Contando com o apoio da Petronas e ambientado à Carlin, a expectativa é que o malaio possa usar a experiência para levantar a taça. Nos treinos, a liderança da primeira sessão foi um bom sinal, mas o piloto terminou apenas em décimo no segundo dia.

Ainda na esquadra de Trevor Carlin, Jack Harvey (2º e 5º) e Pietro Fantin (3º e 6º) também são candidatos ao título, mas vão precisar capitalizar em cima de eventuais maus resultados de Sainz.

Do lado da Fortec, o destaque do treino ficou com Alex Lynn. O atual campeão da F-Renault UK abriu as atividades como o sétimo colocado, mas encerrou na terceira posição no último dia de treinos. Pipo Derani terminou logo atrás, em oitavo e em quarto.

O ponto negativo dos treinos em Snetterton – e que deve se manter durante todo o ano de 2012 – é a baixa adesão de participantes. Apenas 16 carros estiveram na pista ao longo dos dois dias de atividade. Para piorar, a equipe sueca Performance, que disputa a F3 Alemã, levou três pilotos aos treinos, o que diminui o número de ingleses para 13. A Carlin também inscreveu um sexto carro para Richard Bradley, mas o singapuriano já renovou com a TOM’S para a F3 Japonesa, então, na realidade, foram apenas 12 participantes, dos quais três guiaram pela National Class.

Pietro Fantin F3 Inglesa

Ao que tudo indica, Pietro Fantin corre por fora na disputa do título da F3 Inglesa em 2012

Esse número deve melhorar para a próxima semana, quando a categoria segue para Rockingham para continuar a pré-temporada. A Double R, por exemplo, deverá estar presente com o japonês Yuki Shiraishi e com o australiano Duvashen Padayachee, mas ambos devem competir pela National Class, já que a tradicional equipe vive uma crise financeira e não comprou os novos F312.

A National Class também deve ganhar a adesão dos pilotos da CF, comandada por Hywel Lloyd. O britânico, que até a temporada passada pilotou na F3, resolveu se dedicar apenas à administração da própria equipe e já anunciou que planeja inscrever três carros em 2012. Ele foi um dos pilotos em Snetterton, mas a tendência é que ao menos um novo contratado já esteja em Rockingham.

Para terminar, a T-Sport não contou com os novíssimos motores Nissan, o que obrigou a Nick McBride a treinar com o carro antigo. O australiano também deve ter um novo equipamento na próxima semana, quando estreará na divisão principal.

Apesar dessas mudanças na escalação, seja 12 ou 15, a verdade é que a F3 Inglesa muito provavelmente vá ter um grid reduzido na nova temporada. Com o aumento do custo por causa da mudança do carro coincidindo com a crise econômica na Europa, as equipes menores se mostraram cautelosas na hora de planejar o novo campeonato e não seria surpresa se alguma fechar as portas neste ano.

Entretanto, é necessário encarar o problema do tamanho que ele realmente é, sem criar um falso medo. O grid realmente vai ser pequeno, mas esse parece ser um problema pontual. A F3 Inglesa não está em crise, ao contrário do que acontece com a Euro Series, nem corre o risco de desaparecer.

Ainda falando de 2012, em algumas etapas deve haver a presença de equipes de outros certames, como a própria Performance, o que ameniza a situação. Lembrando que as etapas de Pau e de Spa-Francorchamps fazem parte da F3 International e devem atrair os times do certame europeu. Além disso, é comum que alguns pilotos sejam confirmados já às vésperas da primeira corrida, então é possível que haja mais algumas novidades na lista de inscritos.

Dito isso e pensando um pouco mais adiante, em 2013, o campeonato deve voltar a um grid mais parecido ao que nos acostumamos nos últimos anos. Lembrando que o World of Motorsport acompanha tudo o que acontece na F3 Inglesa, para que você tenha a melhor análise possível do que acontece nas pistas da Inglaterra.

P.S.: os tempos do primeiro dia de treinos da F3 Inglesa você pode ver clicando aqui. E os do segundo dia, clicando aqui.

Tudo pronto para a F3 Inglesa 2011

abril 7, 2011

 

Pietro Fantin

Pietro Fantin é um dos brasileiros na temporada 2011 da F3 Inglesa

Pronto. A pré-temporada da F3 Inglesa terminou nesta semana, em Snetterton, com os pilotos podendo testar na nova configuração da pista – chamada de 300R – que recebe a terceira etapa do campeonato.

Mais importante que conhecer o traçado de uma das rodadas foi poder acertar o carro para toda a temporada. Afinal, na F3 Inglesa não há treinos livres nos finais de semana de corrida. Isso significa que os pilotos chegam às pistas e já caem no treino classificatório. Por isso a importância da pré-temporada e dos treinos coletivos ao longo do ano.

Pelo que pode ser visto até agora, o ano parece ser muito bom para os brasileiros. Tirando Felipe Nasr e Yann Cunha, os demais foram sempre mais velozes que os companheiros de equipe, o que é algo muito positivo para um início de campeonato.

Começando pelo próprio Nasr, a situação dele é um pouco diferente das dos compatriotas. O brasiliense compete pela Carlin, principal equipe do campeonato, que inscreve nada menos que seis carros na categoria – fora os três da GP3, os dois da GP2 e da World Series. Assim, ficar atrás dos companheiros não é algo tão grave.

 

Felipe Nasr

Felipe Nasr aposta na consistência para levar o título de 2011

Nasr liderou os treinos em Rockingham, foi superado por Carlos Huertas em Oulton e voltou a ficar atrás do colombiano e também de Kevin Magnussen em Snetterton. Apesar de não ter mantido o desempenho dominante, o brasileiro ficou sempre entre os primeiros em todas as sessões que participou.

Em 2009, foi justamente na consistência que Felipe se tornou campeão da F-BMW europeia. Então correndo pela Eurointernational, o brasileiro não foi o piloto que mais venceu ao longo do ano, mas terminou todas as etapas, menos duas, entre os dois primeiros. Repetir o desempenho pode significar título levando em conta que o rendimento dos carros da Carlin não é tão diferente.

Yann Cunha, por sua vez, não tem conseguido fazer bons tempos. Pode ser dificuldade de adaptação ou até mesmo alguma preferência da equipe pelo companheiro do brasileiro, Menasheh Idafar. Entretanto, o fato é que Yann constantemente fechou a tabela de tempos.

Entre os demais brasileiros, Pipo Derani, da Double R, é o que apresenta melhor chance de brigar pelo título. A antiga equipe de Kimi Raikkonen foi a que mais se aproximou da Carlin durante os testes, com Scott Pye, aliás, liderando um dos dias de treinos em Oulton. Fora essa ocasião, o brasileiro superou constantemente o companheiro.

Esse rendimento pode fazer Pipo enfim conseguir alavancar a carreira nos monopostos. Se há três anos Derani era considerado o principal kartista brasileiro, desde a transição para os carros de fórmula ele jamais conseguiu repetir bons resultados, com temporadas razoáveis na F-Renault Norte-europeia e na F3 Alemã.

 

Jack Harvey

Jack Harvey é um dos desafiantes dos brasileiros ao título da F3

Pietro Fantin é uma grata surpresa para o automobilismo brasileiro. Depois de passar um ano treinando pela Hitech e fazendo corridas tanto no Brasil quanto na Inglaterra, o paranaense vai disputar a primeira temporada completa no automobilismo. Com a experiência adquirida, assumiu o posto de líder da equipe inglesa e até agora não fez feio, sendo sempre mais rápido que Riki Christodoulou, quarto colocado no campeonato de 2009 do certame.

O último dos brasileiros na F3 Inglesa é Lucas Foresti. Entrando no segundo ano na categoria e terceiro no automobilismo, o brasileiro divide a Fortec com os ingleses Harry Ticknell e William Buller. Embora na pré-temporada não tenha sido tão unanimidade como líder do time, Lucas evoluiu bastante durante os treinos e tem tudo para fazer uma temporada melhor que a de 2010.

No geral, ainda bato na tecla de que essa parece ser a melhor geração do automobilismo brasileiro desde aquela que revelou Antonio Pizzonia, Ricardo e Rodrigo Sperafico, Ricardo Maurício, Enrique Bernoldi, Jaime Melo e João Paulo de Oliveira um tempo atrás. No entanto, como esses pilotos da F3 Inglesa ainda são muito jovens, é difícil afirmar qualquer coisa em relação ao futuro.

Outro ponto interessante é levarmos em conta que sempre que uma grande – de tamanho, não de qualidade – geração de pilotos brasileiros se forma em uma categoria, é comum histórias de que um acaba tirando o outro durante as corridas. Não falo aqui de rivalidade, mas sim de incidentes de corrida. A solução é torcer para que os pilotos de agora tenham cabeça fria na pista.

De resto, a F3 Inglesa começa no dia 16 de abril, em Monza, e o World of Motorsport acompanha todas as etapas.

Em tempo: a F3 Inglesa divulgou a lista de inscritos para a primeira etapa, na Itália, nesta sexta-feira com a adesão de dois pilotos que não participaram dos testes coletivos. O malaio Fahmi Ilyas, vindo da F-BMW europeia, estreia pela Fortec, enquanto o espanhol Bruno Mendez compete pela Hitech depois de participar da AutoGP e da World Series. A lista completa você pode conferir clicando aqui.

Brasil em destaque na F3 Inglesa

março 11, 2011

 

Felipe Nasr

Felipe Nasr encabeça (belo trocadilho com a imagem, hã hã) a lista de pilotos brasileiros na F3 Inglesa

Na apresentação oficial da temporada 2011 da F3 Inglesa, no site da categoria, o destaque ficou todo com os pilotos brasileiros. Com o grid enxuto e sem nenhum grande nome entre os ingleses, a populosa delegação brasileira, com cinco representantes, ficou em evidência.

Esse espaço maior destinado ao Brasil acontece por três grandes motivos. Em primeiro lugar, a falta de algum jovem que por si só atraia o interesse da mídia internacional. Nos últimos anos, a categoria se aproveitou do investimento feito pela Red Bull na equipe Carlin, coisa que não vai haver nessa temporada porque nenhum dos pilotos rubrotaurinos conseguiu subir para a F3. Em outras épocas, Sergio Pérez levava o dinheiro da Telmex, enquanto Marcus Ericsson atraia o grande contingente de fãs nórdicos, que moram no Reino Unido.

Essa falta de destaque dos pilotos pode ser explicada pelo pouco número de títulos de expressão que eles levam para o certame. O principal triunfo dentre os inscritos é o da F-BMW Europeia, de Felipe Nasr, em 2009. Além dele, Yann Cunha conquistou a F3 Sudam; Jazeman Jaafar, a F-BMW asiática; Kevin Magnussen, a F-Ford da Dinamarca; Hywell Lloyd, a F-Renault BARC e Scott Pye é o atual campeão da F-Ford inglesa. Com menos destaque, William Buller e Lucas Foresti já levaram o F3 Brazil Open. A maioria portanto, títulos de segundo escalão.

Além disso, ao contrário dos últimos anos, o Reino Unido não tem nenhum pilotos com chances de conquistar o campeonato. Inegavelmente, Jack Harvey, da Carlin, é o que está em melhor posição, mas nos treinos o jovem apoiado pela Racing Steps Foundation foi constantemente o mais lento dentre os companheiros de equipe, chegando a ser superado por carros da Hitech e da Double R. Rupert Svendsen-Cook, companheiro de Harvey, sofre do mesmo mal da maioria dos pilotos ingleses que chega à categoria: a falta de dinheiro. Mesmo mais rápido, Svendsen não tem o mesmo lobby do companheiro de equipe e seguirá relegado à posição de coadjuvante.

 

Jack Harvey

Ao contrário de Oliver Turvey e James Calado, Jack Harvey não deve brigar pelo título no primeiro ano de F3 Inglesa correndo com as cores da Racing Steps Foundation

Os demais ingleses, Buller, Lloyd, Menasheh Idafar e Harry Ticknell servem para encher as estatísticas somente. Um dado bastante curioso é o fato de a delegação britânica só superar a brasileira por conta de Idafar correr com a uma licença do UK apesar de ter nascido no Bahrein. Do contrário, seria cinco pilotos para cada lado.

O último fator que faz o Brasil ganhar destaque na Inglaterra é que, na realidade, somos o único país no mundo que ainda aposta nesse certame. Todos os outros – e de certa forma até mesmo o Reino Unido – ou preferem investir nos próprios campeonatos caseiros, ou acham que a melhor saída é a GP3. Se vermos os novatos do atual grid da GP2, são quatro pilotos com passagem pela GP3 – Estaban Gutierrez, Pal Varhaug, Stefano Coletti, James Jakes – enquanto ninguém fez a transição saindo diretamente da F3 Inglesa.

No entanto, Sergio Pérez, Jaime Alguersuari, Bruno Senna, Lucas Di Grassi, Karun Chandhok e Daniel Ricciardo são nomes de alguns pilotos que recentemente chegaram à F1 depois de fazer a carreira quase que exclusivamente no campeonato inglês. Claro, que, por outro lado, ninguém da GP3 chegou na principal categoria. É difícil julgar uma categoria conta a outra para ver quem prepara melhor, talvez vendo o desempenho de ex-GP3 contra ex-F3 Inglesa nessa temporada da GP2 dê para chegar a alguma conclusão.

Voltando aos motivos de os pilotos brasileiros optarem pela F3 Inglesa, são dois em principal: o seat time disponível e a tradição. Foi nesse certame que Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Rubens Barrichello começaram, logo fica uma ideia de que esse é o caminho certo para quem quiser ter sucesso na F1. Vale lembrar que Felipe Massa passou bem longe da Inglaterra na carreira.

 

Pipo Derani

Pipo Derani teve problemas nos treinos em Rockingham, mas esteve entre os mais rápidos nos testes em Silverstone

Quanto ao seat time, a F3 Inglesa oferece 30 corridas (!) por temporada além de 25 dias de treinos no ano. No entanto, não há treinos livres nos finais de semana de corrida, enquanto na GP3 o treino livre é resumido a uma pequena sessão de cerca de uma hora.

Por esses dois fatores principalmente e levando em conta motivos como a aclimatação e a proximidade com as fábricas da F1, o fato é que o Brasil juntou cinco dos principais pilotos do país para a temporada 2011 da F3 Inglesa. E os organizadores da competição sabem disso. Nasr é favorito ao título ao lado do colombiano Carlos Huertas e de Magnussen. Pipo Derani, Pietro Fantin e Lucas Foresti estão superando os companheiros de equipe com facilidade e Yann Cunha têm um excelente histórico.

Talvez falando um pouco como torcedor, mas o Brasil conseguiu acertar na mão ao menos uma vez em se tratando de automobilismo e juntou um grande geração de pilotos, digna dos velhos tempos, e não se tratando somente de acesso à F1.

P.S.: clicando aqui você pode ver o resultado dos treinos da categoria em Silverstone, onde não teve domínio brasileiro, mas teve os pilotos do país com um excelentre retrospecto no geral


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