O homem que pode mudar o automobilismo

Jann Mardenborough pode revolucionar o automobilismo em 2013
Jann Mardenborough pode revolucionar o automobilismo em 2013

Jann Mardenborough. Guarde bem este nome. O garoto de apenas 20 anos pode iniciar em 2013 uma verdadeira revolução no automobilismo. Depois de uma boa temporada no campeonato britânico de GT, o galês andou testando com a Carlin e pode assinar contrato com a equipe para a próxima temporada da F3 Inglesa.

Mas não é apenas essa mudança de categoria que o torna especial, evidentemente. A grande revolução é porque Jann é um dos integrantes do GT Academy, aquele programa criado pela Nissan em parceria com a Sony e com o Playstation para revelar jovens pilotos a partir do jogo Gran Turismo. Eu escrevi um post no início do ano explicando como esse programa funciona, basta clicar aqui para relembrar.

Como integrante do GT Academy, Mardenborough foi escalado pela Nissan para participar em 2012 da Blancpain Endurance Series e do campeonato britânico de GT, onde terminou com o vice-campeonato, mas foi a grande sensação da temporada.

A boa fase fez com que a montadora japonesa o promovesse para o programa do Mundial de Endurance (WEC), onde ele deve pilotar um dos carros da Signatech, na categoria LMP2, em 2013. Para ele se acostumar aos carros mais potentes e com alta downforce, a solução encontrada pela empresa foi marcar uma série de testes com um carro da F3 da Carlin durante a pós-temporada.

Só que o desempenho do garoto foi tão bom, que Trevor Carlin entrou em contato com a Nissan para tentar convencer a montadora de liberar Mardenborough por um ano, para que ele pudesse competir na F3 Inglesa e, quem sabe, seguir carreira nos monopostos.

Com isso, pela primeira vez um piloto descoberto no ambiente virtual tem chance real de percorrer o caminho dos monopostos e brigar por uma vaga nas principais categorias do automobilismo mundial, incluindo até mesmo a F1.

Mardenborough testou com o carro da Carlin usado na F3 Inglesa até 2011
Mardenborough testou com o carro da Carlin usado na F3 Inglesa até 2011

Por isso, todo o mundo vai estar de olho em Mardenborough em 2013. Se o garoto realmente competir na F3, tiver um mínimo de sucesso e conseguir dar prosseguimento à carreira, uma série de paradigmas no esporte a motor poderão ser quebrados. Isto é, todo o percurso que um jovem faz hoje do kart às categorias menores poderá ser questionado.

Não estou dizendo que o sucesso de Jann pode ser o fim do kartismo. Pelo contrário, o que podemos vez nos próximos anos são as equipes dando cada vez mais espaço a garotos descobertos no videogame. Por exemplo, uma escuderia da F-Renault pode fechar uma parceria com alguma produtora de jogos e lançar um game – ou aproveitar algum do mercado como Forza, Burnout, Grid ou Need for Speed – para descobrir novos atletas.

A partir daí, o time seleciona alguns finalistas, leva-os à pista e faz uma série de testes físicos e de pilotagem em um carro. Com isso, dois jovens são selecionados e passam a integrar o plantel da escuderia na temporada seguinte, podendo até mesmo serem companheiros de alguém vindo do kart.

Essa é uma situação que pode acontecer ano após ano, contando também com a evolução dos softwares e dos videogames. Com isso, pode ser que em algum momento um piloto muito talentoso seja descoberto, podendo chegar à F1, Indy, DTM e etc.

E qual a grande vantagem desse processo? O custo. Correr de kart é caríssimo, e muitas empresas envolvidas no esporte não têm o menor interesse em diminuir o custo. Por outro lado, para jogar videogame, os garotos precisam adquirir apenas a televisão, o game, o volante/pedal e ter uma boa conexão com a internet, além de eventualmente precisar pagar uma taxa de subscriber para participar de um determinado programa similar ao GT Academy (que é de graça).

Como consequência, o campo de observação é muito maior. A edição de 2011 do GT Academy USA, por exemplo, teve 53 mil participantes e apenas um vencedor foi filtrado. Imagina o custo que uma equipe teria para analisar dezenas de milhares de kartista para tentar fechar contrato com o mais promissor?

É por isso que o sucesso de Mardenborough em 2013 é tão importante. Se ele alcançar bons resultados, a maneira como conhecemos o automobilismo de base pode mudar extraordinariamente, aproximando o mundo real ao ambiente virtual.

A gente vai poder começar a conferir o desempenho de Jann, a partir de janeiro, na Toyota Racing Series, quando ele competirá contra alguns dos jovens pilotos mais promissores da atual geração, como Felix Serralles, Lucas Auer e os brasileiros Pipo Derani e Bruno Bonifácio.

20 comentários sobre “O homem que pode mudar o automobilismo

  1. {acabei de ver no site e eles agora tem seletivas no oriente medio e na africa do sul. como eles não possuem uma versão latina, provavelmente o programa ira demorar pra chegar no brasil.}
    o dia que chegar nas terras de FITIPALDI , PIKEE e SENA … OS BRASILEIROS VÃO DOMINAR.
    AI ENTRO COM PATROCINIO ….{ TIBURCIO INTER PRAISE TECNOLOGY }…. VAMOS AGUARDA

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  2. Acho que o AV ja é uma fonte de separar o “joio do trigo”, como dito pelo Falko, a muitos anos mas aqui no brasil tudo demora a ser usado. O kart nos moldes atuais, ao meu ver, so serve para formar pilotos com grande poder aquisitivo, mas não necessariamente talentosos.

    Muito diferente do que acontece com outros esportes, principalmente o futebol, onde um “muleke” talentoso tem condição de mostrar seu talento mesmo sendo super pobre.

    Eu tenho absoluta certeza de que os simuladores são excelentes “peneiras” para achar talentos. Mas isso so deveria ser usado quando existir um suporte maior para esses pilotos, tanto da CBA, como de possíveis patrocinadores, caso contrario, o talento principal possivelmente morreria na praia por falta de apoio.

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  3. Ola Felipe, boa tarde, aproveite a deixa dessa informação e forneça uns links, ou endereços de quem é como eu calouro nesse negócio mais que lendo a matéria acima e os diversos comentários, ficou muito interessado,. dê o caminho das pedras por favor,..e parabéns, muito bem sacada essa matéria, muito bem sacado mesmo esse post!

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  4. Forza, Burnout, Grid ou Need for Speed….

    Pego pesado nos exemplos Felipe, se eu fosse dono de equipe não contrataria ninguém vindo desses ARCADES! Agora se você citar SIMULADORES como rFactor, serie GTR, serie Race 07 e o Iracing(esse eu faço uso e é fantastico) ficaria mais legal. Me desculpa mas Forza é um lixo, Burnout prega o demo derby( Grosjean veio dele só pode) Grid e Need seguem a linha do lixo Forza.

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  5. http://eu.gran-turismo.com/gb/academy/

    pessoal, nesse link tem todos os vencedores e também como funciona o programa, o que é bem legal. mas a media de idade dos vencedores subiu um pouco com os americanos, com os campeões de 2011 e 2012 com 31 e 29 anos respectivamente. outra informação: o jann mardernborough tem hj 21 anos, não 20 como o post diz.

    alias, poderiamos ter algo parecido no brasil, com o apoio de uma montadora com respaldo ou até mesmo com a entrada da nissan no automobilismo brasileiro, ja que a empresa está muito forte no varejo.

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  6. Olha, só acho que tu peca quando cita “need for speed”, “burnout” e similares. Gran Turismo não é um simulador, é quase isso. Mas serve para separar o “joio do trigo”, como todos os programas GT Academy mostram (não se esqueça do Lucas Ordonez, que hoje tem uma carreira sólida nos GTs e foi descoberto pelo GT Academy, em 2009 se não me engano).

    De qualquer forma, seria fantástico se algo do gênero ocorresse. Lembro, ainda, que um dos maiores nomes no automobilismo virtual mundial é brasileiro. O nome dele é Hugo Luis, é carioca, tem 18 anos de idade, e foi o único cara no mundo a derrotar o outro “alien”, o Finlandês Greger Huttu, nos últimos DEZ anos. Ganho o campeonato mundial do iRacing em 2011 e foi vice campeão em 2012 (faturando cerca de 15 mil dólares nesses dois anos). Hugo está tentando iniciar no kart, competindo na categoria F4 (se não me engano) no kartismo carioca, em parceria com outro piloto oriundo do mundo virtual, Thiago Izequiel.

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    1. Vou repetir aqui a mesma coisa que eu disse num comntário mais abaixo. Não pense no Need for Speed e no Burnout com as versões de hoje, no mercado.

      Mas sim no potencial que eles têm para fazer um simulador mais ou menos decente, além de ter um alcance amplo de público (aumentando o número de pessoas no programa)

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      1. Olha… O “publico” em geral, de verdade, nao interessa. Se uma empresa faz uma ação do genero com qualquer simulador, eles terão um baita alcance.
        Depois, se verificares os nomes dos caras que chegam nas finais dos eventos na Europa, Brasil ou EUA, verificará que são sempre os mesmos.
        No Brasil mesmo a Fiat já promoveu uma competição do gênero, em que o vencedor ganhou um Fiat Punto (amigo meu) e, se não me engano, uma marca de desodorante promoveu um game que dava uma visita à Fábrica da Ferrari, e a possibilidade de guiar uma Ferrari por cerca de 300km nas estradas italianas. O vencedor foi o mesmo amigo que ganhou o Punto.

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  7. Eu sei que to entrando naquele papo chato de Arcade x Simulador, mas descobrir talentos para automobilismo usando Burnout e Need For Speed é dose… Existem muitos simuladores que por justamente se focar em chegar perto da realidade não são amplamente difundidos e não são lançados para consoles. Entre os já lançados e os em fase de testes estão o iRacing, pCars, Asseto Corsa, rFactor 1 e 2, GTR 1 e 2 e vários outros.

    Inclusive exixtem vários campeonatos muito bem reconhecido. Rubens Barrichello por exemplo participa de campeonatos do GTR, eu acho… O iRacing tem um campeonato para seus melhores jogadores no qual o campeão é considerado campeão da Nascar, com premiação em dinheiro. Inclusive aparece no site oficial como uma das categorias nacionais da Nascar, junto com a Sprint Cup, Nationwide Series e a Truck Series.

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    1. Alguém um dia poderia ter dito “usar o Gran Turismo para descobrir piloto é dose…”, e veja o que aconteceu. O jogo não só é usado como agora vai levar um cara aos monopostos. É isso o que chamamos de revolução.

      De qualquer forma, não estou dizendo que as atuais versões de Burnout e Need for Speed podem ser usadas. Acho que se houver uma parceria, as versões futuras podem ser mais parecidas com um simulador

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  8. é uma pena que não chegou no nosso país, mais é uma forma de democratizar e popularizar o automobilismo, já que o Kart é bastante caro. E o bom é que podemos ter outro negro na Fórmula 1.

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      1. acabei de ver no site e eles agora tem seletivas no oriente medio e na africa do sul. como eles não possuem uma versão latina, provavelmente o programa ira demorar pra chegar no brasil.

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