Caminho das Índias

A MRF 2000 surgiu na Índia e é disputada fora da temporada europeia
A MRF 2000 surgiu na Índia e é disputada fora da temporada europeia

Um dos processos mais curiosos do automobilismo no cenário atual é a eterna luta pelo corte de custos, na tentativa de tornar o esporte mais acessível, se é que podemos chamar assim. Uma das soluções encontradas pelos dirigentes para economizar foi limitar o tempo de pista. Ou seja, para que os pilotos não precisem gastar muito dinheiro, eles praticamente são proibidos de entrar nos carros fora dos finais de semana de corrida, além de uma ou outra data de treino coletivo no início do campeonato.

No entanto, essa tática teve um efeito colateral. Como os pilotos são proibidos de treinar em seus campeonatos originais, a solução encontrada pelos mais ricos para continuar competindo foi se aproveitar de certames emergentes, mas com um padrão um pouco menor daquele que é praticado na Europa. É nesse contexto que a Toyota Racing Series, da Nova Zelândia, se popularizou e a MRF 2000 foi criada na Índia.

Esses são campeonatos pré-F3, já que embora tenham carros potentes, eles têm equipamento defasado ao usado no Europa. A grande vantagem é que eles acontecem em épocas do ano que não há mais atividade no Velho Mundo, fazendo com que os jovens pilotos deixem a Europa para competir nesses países periféricos.

A MRF 2000, por exemplo, foi criada há dois anos, mas dessa vez conseguiu atrair uma boa gama de pilotos por causa do novo pacote técnico. Até mesmo pelos laços históricos e geopolíticos, o certame viu em 2012 uma invasão de pilotos ingleses. O líder do campeonato é Jordan King, que fez carreira na F-Renault. Além deles, os britânicos são representados por Luciano Bacheta (atual campeão da F2), Alice Powell (da GP3), Jon Lancaster (GP2), Hector Hurst (F2), entre outros menos conhecidos.

Quem também apareceu na Índia foi o americano Conor Daly, que até ganhou uma das corridas preliminares do GP indiano em Buddh.

Gustavo Myasava (2º à equerda) em meio à colônia anglófona, com Rupert Svendsen-Cook, Conor Daly, Jon Lancaster e Alice Powell
Gustavo Myasava (2º à equerda) em meio à colônia anglófona, com Rupert Svendsen-Cook, Conor Daly, Jon Lancaster e Alice Powell

Fora a colônia anglófona, a maior delegação por lá curiosamente é a brasileira, que conta com dois representantes. O primeiro é Henrique Baptista, que fez carreira em um campeonato de F-Renault na Inglaterra e está retornando ao automobilismo depois de se formar em uma universidade local.

O segundo é Gustavo Myasava, um dos principais nomes do kartismo brasileiro em 2012. O piloto paranaense já havia disputado algumas corridas na F3 Sul-americana, mas acabou se mandando para o outro lado do mundo para dar os primeiros passos na carreira nos monopostos.

Só que essa excursão pela Índia tem sido levada bem a sério pelo garoto. Gustavo chegou até mesmo a abrir mão de participar da Seletiva Petrobras de Kart para correr na Ásia, pois havia um choque de datas entre os dois campeonatos.

Curiosamente, a escolha deu resultado, e Myasava conquistou a melhor colocação final da carreira justamente no fim de semana da Seletiva. Na segunda prova da segunda rodada de Buddh, o piloto terminou na sétima colocação. Assim, com seis provas disputadas até agora, o brasileiro soma sete pontos é o 15º na classificação do campeonato, que usa um sistema de pontuação semelhante ao da F1.

Em termos de desempenho, eu acho que é muito cedo para fazer qualquer análise. Tanto Gustavo quanto Henrique estão disputando contra pilotos infinitamente mais experientes. Por isso, o mais importante é ver como vai ser a evolução deles dentro do grid.

Além disso, também é interessante ver como é essa nova geografia do automobilismo. Por todas as críticas que cansamos de fazer às entidades que chancelam o esporte a motor no Brasil, chegamos ao momento em que os garotos precisam ir para Índia para começar a competir, enquanto por aqui não há muito o que fazer.

Aí chegamos em uma estatística que diz muito. Sabe quantas corridas Myasava e Baptista já fizeram em Interlagos em toda a carreira? Zero. Porém, já conhecem Buddh como a palma da mão.

A próxima etapa da MRF 2000 acontece entre os dias 1º e 3 de fevereiro, no circuito de Chennai, também na Índia.

5 comentários sobre “Caminho das Índias

      1. Obrigado pela resposta, Felipe. Esse chassi se não me engano é usado na Formula Masters alemã. Não seria uma boa opção de chassi pra criar uma categoria no Brasil? Ou aqui seria mais interessante algo mais simples, semelhante à Formula Ford?

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        1. Acho que a Adac Masters usa uma configuração mais básica do Formulino.

          Acredito que o automobilismo de base no Brasil não vai deslanchar se não for subisidado ou se não for criado em ideias alternativas. Não adianta ter um campeonatoa qui só para ter. Assim, os pilotos com mais recursos vao continuar fazendo carreira na Europa (o que é muito melhor para eles)

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          1. Então uma boa ideia não seria a Formula Renault 1.6, desde que contando com o apoio da montadora? Poderia servir de preparação para aqueles que pretendessem ingressar na Formula Renault 2.0, para que chegassem com mais quilometragem. Ou ainda valeria mais a pena competir na Formula Renault 1.6 NEC?

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