O curioso centenário de Luca Filippi

Luca Filippi
Luca Filippi tem 25 anos e 100 corridas na GP2. Logo ele disputou quatro provas por ano e.. oh, wait!

Luca Filippi conseguiu duas curiosas marcas na primeira corrida da etapa da GP2 em Nurburgring, disputada nesta sábado, dia 23. A primeira é que o agora piloto da Coloni completou a 100ª corrida na categoria, enquanto a segunda é que ele pôde comemorar o fato com uma surpreendente vitória.

O triunfo, na realidade, serviu para coroar a inconsistente carreira do piloto de apenas 25 anos – pouca idade se levarmos em conta a marca alcançada. Em 2011, Filippi venceu a prova que marcou o centenário e, antes, havia conquistado um pódio em Mônaco. Fora isso, foram três abandonos nas corridas principais e resultados sempre abaixo do 12º lugar.

A impressão que o italiano passou ao longo da carreira foi a de que era uma questão de tempo para que ele estourasse como um grande piloto do cenário internacional. Talvez, infelizmente o próprio Luca Filippi tenha acreditado nessa versão e ele acabou se tornando um espectador dele mesmo.

Filippi, aliás, teve um início de carreira meteórico. Correu de F-Renault em 2003 e 2004, mas não fez a transição para a F3. Foi direto para a F3000 italiana, onde ainda como um novato conquistaria o título que o credenciaria para disputar a GP2 em 2006. A partir daí o piloto completou 100 corridas perambulando por FMSI, BCN, ART, Arden, Super Nova e Coloni.

A grande frustração do italiano deve ter sido o ano de 2008, quando foi contratado pela ART para conquistar o título, mas acabou somando apenas cinco pontos pela equipe francesa, que o dispensaria no meio do campeoanto. Naquela época, porém, era sabido que o time de Frederic Vasseur só conseguia fazer um carro competitivo e o companheiro de Filippi foi Romain Grosjean, o queridinho da casa.

Claro que isso não justifica a enorme quantidade de erros cometidos pelo italiano que, na ocasião, já estava na terceira temporada na categoria. Mas revela que o piloto teve todos os motivos do mundo para se desiludir com a carreira. Quando era para estar no auge e brigar com o título, ele viu o ano inteiro passar sem conseguir resultado algum. Deve ser ainda mais desapontador ver que quase toda a geração 2008 da GP2 conseguiu algum destaque na carreira, enquanto ele ainda está na categoria sendo apenas mais um no meio do pelotão.

Filippi, aliás, continua na GP2 com a expectativa de ver se algo de bom aparece na carreira. Creio que ele julga – e até de forma correta – ser bom demais para ir correr em alguma equipe privada do WTCC, ou desaparecer no automobilismo italiano, ou no GT2. Le Mans deve ser uma opção muito distante, assim como ir para os Estados Unidos. A F1, por sua vez, foi perdida em 2008, embora até hoje o piloto seja especulado em alguma vaga – como foi na Sauber no último ano – só que não pelo talento realmente.

Enquanto a grande oportunidade não vem, Filippi detém um aproveitamento razoável na categoria de acesso. Venceu 3 das 100 provas que disputou, 3% portanto. A efeito de comparação, Jules Bianchi tem 1 vitória em 29 corridas (pouco mais que 3%), Marcus Ericsson 1/31 (pouco mais que 3%), Dani Clos e Luiz Razia têm 1/49 (quase 2%), Davide Valsecchi tem 3/64 (cerca de 4%) e Fairuz Fauzy jamais venceu em 55 provas. Todos estes, porém já foram especulados na F1 nos últimos anos.

Vendo assim, é possível concluir que Filippi não é um piloto ruim, mas a inércia em não reagir para conseguir grandes resultados parece estar dominando a carreira do italiano. Aos poucos, ele vai se tornando o novo Pantano da GP2, mas com o diferencial de que só é capaz de conseguir um grande desempenho, no máximo, uma vez a cada 33 provas.

P.S.: gostaria de ver o Cléber Machado narrando um dia uma corrida da GP2 com o Luca Filiiiiiiiipiii

3 comentários sobre “O curioso centenário de Luca Filippi

  1. Demorei para voltar e ler sua resposta, mas é que cai fazendo um 720 de moto….rs Você tem um bom argumento “quanto mais velho, piores são as vagas que sobram no grid”.
    É verdade e indo além, poderiamos pegar vários outros desvios como comparar quando se está numa equipe boa e etc… Porém, assim como você concluiu, creio que são tantos os desvios possíveis que nunca teremos como estatisticamente isolar essa comparação e na média o desvio estatístico não deve mesmo ser tão grande assim.
    Abraços

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  2. Excelete post, apesar de eu não acreditar nem no potencial nem que ele é melhor que o Pantano. Porém tem um adendo, não dá para comparar às 100 provas do Felipe com às 29 do Bianchi ou 31 do Ericsson…. Pois, quanto mais velho, maiores as chances de vencer uma prova numa categoria de pilotos em desenvolvimento, então tem que se comparar com as primeiras 30 de cada ou primeiras 20. Ou seja, tem que ter como base a mesma etapa de desenvolvimento.
    Abraços

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    1. De fato, tem isso que quanto mais velho maior as chances de vencer. Por outro lado, quanto mais velho, piores são as vagas que sobram no grid. Por isso o triunfo do Filippi pela Coloni foi surpreendente.
      Acho que na média, o desvio estatístico não é tão grande assim.

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