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Adrian Quaife-Hobbs é campeão da Auto GP

julho 22, 2012

Adrian Quaife-Hobbs enfim pôde levantar a cobiçada taça de campeão da Auto GP

Não achei que este ano eu fosse fazer o primeiro post sobre um piloto campeão ainda no mês de julho. Geralmente as primeiras conquistas acontecem apenas no final de agosto, mas tudo bem.

Neste final de semana, Adrian Quaife-Hobbs finalmente conquistou a taça da Auto GP, em etapa realizada em Curitiba. O britânico dominou a temporada de uma forma inquestionável, mas teve péssimas exibições na capital paranaense. Ainda assim, toda aquela gordura acumulada pôde ser queimada, e o piloto garantiu a taça com uma rodada de antecipação.

É verdade que a precocidade da conquista aconteceu por causa do calendário bizarro da Auto GP, onde praticamente todas as etapas foram disputadas no primeiro semestre, tendo apenas os dois rounds da América – um no Brasil e outro em Sonoma, nos Estados Unidos – nos últimos meses de 2012. Mas esse é o preço que se paga para acompanhar o WTCC pelo mundo, então paciência.

De qualquer forma, o que eu mais gosto na Auto GP é a capacidade da categoria em premiar bons pilotos de forma significativa, mesmo com grids de qualidade questionável ou pistas distantes dos principais centros do esporte a motor.

Até agora, o campeão mais simbólico de todos foi Romain Grosjean. O título, conquistado em 2009, representou o início da reabilitação do francês, que havia sido defenestrado da F1 no ano anterior. Na ocasião, o atual titular da Lotus foi convidado a estrear no certame apenas na terceira rodada e mesmo assim garantiu a taça com uma etapa de antecipação. Ou seja, ele foi campeão tendo participado apenas de metade das corridas que os demais adversários.

No ano passado, foi a vez de Kevin Ceccon triunfar sobre Luca Filippi. Para o resto do mundo, a conquista não foi tão importante, mas para o automobilismo italiano representou uma renovação, afinal, um piloto de 19 anos (Ceccon) superou alguém que já estava na GP2 desde meados da década passada (Filippi).

Esse também foi o primeiro título da Super Nova desde… a era do gelo?

Mas o que tornaria a conquista de Quaife-Hobbs especial? Talvez ter sido a volta por cima da equipe Super Nova, que enfim pôde reviver os dias de glória na F3000 e voltar a ser campeã? Ou então o esquecido rival de Jean-Éric Vergne e Antonio Félix da Costa nas categorias de base finalmente ter seu talento reconhecido?

Na verdade, mais do que tudo isso, o título de Quaife é uma espécie de vitória do talento sobre o dinheiro. Desde o final da última temporada, o britânico negociou com algumas equipes da World Series by Renault – a Comtec e a Dams em especial – para se juntar à categoria em 2012. Aliás, mais do que isso, o piloto era quase considerado um nome certo no certame neste ano depois de dominar os treinos de pós-temporada em 2010.

Mas as negociações não evoluíram. A Dams e a Comtec acabaram escolhendo outros pilotos – e não digo que os atletas compararam a vaga –, mais atrativos que o inglês no pacote patrocínio + talento. Assim, longe do badalado grid da categoria, o piloto foi obrigado bater em outras portas para se manter em atividade.

Ele encontrou a tradicional equipe Super Nova e acabou decidindo participar de toda a temporada da Auto GP. No final, deu tudo certo. Nas primeiras cinco rodadas duplas, o inglês venceu cinco vezes, largou na pole-position em quatro oportunidades e só não terminou no pódio na segunda corrida do Marrocos, quando foi o quarto nas ruas de Marrakesh.

Aí veio a etapa brasileira, e Quaife mudou do vinho para a água. Ele errou na largada da primeira corrida e depois ainda foi prejudicado pela demora da equipe na parada dos boxes. Na segunda bateria, foi um desastre. O piloto liderava com uma vantagem de mais de 35s para Antonio Pizzonia, quando errou na entrada dos boxes, rodou, bateu e deu adeus à prova.

Como o domínio nas primeiras cinco etapas havia sido avassalador, esse erro patético acabou não sendo decisivo, e Quaife-Hobbes foi campeão da Auto GP em 2012.

No final, acho que o britânico fez um grande favor a si mesmo tendo vencido o campeonato. Como a GP2 tem procurado cada vez mais pilotos na Auto GP, acho que ele sai na frente por uma vaga em uma boa equipe em 2013. O problema é conseguir reunir o orçamento necessário, mas se conseguir é um nome fortíssimo para o próximo ano.

O primeiro dia da GP2 2012

setembro 27, 2011
GP2

Luca Filippi em segundo. Entra ano, sai ano e certas coisas não mudam

A GP2 inicia a preparação para a temporada 2012 da categoria nesta quarta-feira, dia 28, com o primeiro dos dois dias de treinos coletivos em Jerez de la Frontera. Nessa primeira atividade, os times costumam optar por dar maior quilometragem a novatos antes de escolher quem serão os pilotos para a próxima temporada.

Apesar disso, é seguro dizer que o grid da categoria em 2012 será formado pelos participantes deste primeiro teste somados aos pilotos que disputaram o campeonato de 2011 e ficaram de fora dessa atividade inicial. Salvo uma ou outra surpresa que possa aparecer.

A lista de inscritos para este primeiro dia – que você pode conferir clicando aqui – chama a atenção pela divisão entre novatos e velhos conhecidos.

De um lado, 11 dos 27 pilotos jamais disputaram uma corrida da categoria: Daniel Zampieri, Valtteri Bottas, Nathanael Berthon, Nico Müller, Rio Haryanto, Simon Trummer, Nigel Melker, Fabio Onidi, James Calado e Antonio Félix da Costa, além de Stéphane Richelmi, que só correu a rodada final de Monza.

Do outro, veteranos como Javier Villa, Adam Carroll, Yelmer Buurman, Luca Filippi entre outro, são lembrados pelos times. Na realidade, não é nenhuma surpresa que esse pessoal cada vez mais experiente ganhe espaço na GP2. Basta ver que Pastor Maldonado e Romain Grosjean, os dois últimos campeões, levantaram a taça da categoria depois de disputarem o certame por quatro anos.

Filippi, porém, pode entrar na sétima temporada (!!!!) na categoria. Carroll (praticamente um vovô aos 28 anos), na sexta – ainda que as duas últimas tenham sido incompletas. Villa, de apenas 23 anos, estaria na quinta temporada, assim como Álvaro Parente. E mesmo que Buurman só tenha competido em metade de 2008, o nome do holandês é o que causa mais espanto. Só falta o Roldan Rodríguez aparecer e a festa fica completa.

Essa participação de pilotos mais experientes – assim como a quantidade elevada de novatos – não significa necessariamente que as equipes possam apostar nesses nomes para 2012. Alguns times podem escolher fazer os primeiros treinos com gente que conhece a categoria, com o objetivo de acertar o carro para depois escolher ($) quem vai correr. A Carlin, por exemplo, é um exemplo de time que precisa pensar no equipamento depois de terminar a última temporada em uma humilhante última colocação com apenas quatro pontos.

A Super Nova, por outro lado, é uma equipe que aposta em veteranos sem explicação. Em 2011, eles competiram inicialmente com Fairuz Fauzy e Luca Filippi. Embora os dois pilotos tenham nove temporadas somadas entre eles, pouco conseguiram fazer. Juntos obtiveram 12 pontos até a etapa da Alemanha, quando o italiano se mandou para a Coloni e não parou mais de vencer. O substituto, Adam Carroll, conseguiu a façanha de elevar a média de idade da equipe para 28 anos! A efeito de comparação, a media da Toro Rosso é de 20,5 e a da McLaren, 28,5.

No restante das equipes, algumas combinações se destacam. Com a vaga que pertencia a Giedo van de Garde em tese livre, Dani Clos apareceu em um dos carros da Addax e pode ser alguém a ser considerado para o título da temporada. Fabio Leimer na Racing Engineering também é interessante, já que o suíço foi muito rápido em alguns momentos da última temporada, mas sofreu com os próprios erros e com um carro limitado como o da Rapax.

A equipe italiana, aliás, parece apostar em Daniel Zampieri, que faz uma péssima temporada na World Series by Renault, e ainda vai testar Sam Bird. O inglês parece ter sido o grande perdedor ao sair da iSport e testar carros de segundo/terceiro escalão.

Entre os novatos, o principal nome é o de Valtteri Bottas, campeão da GP3, que deve ser confirmado na Lotus ART para 2012. A imprensa finlandesa diz que ele negocia também com a iSport, mas acho difícil que ele fique fora da equipe francesa. Os outros nomes que merecem destaque são os de Nico Muller, Rio Haryanto, Antonio Félix da Costa, James Calado e Tom Dillmann. Vai ser interessante ver o desempenho deles.

Por fim, a ausência mais sentida nesse primeiro treino é Robert Wickens. O canadense, que briga pelo título da World Series by Renault, não apareceu na lista do primeiro dia e pode não treinar no segundo. Aí resta saber se ele optou em continuar focado em tentar ser campeão, já que a taça será definida neste final de semana (e assim Álvaro Parente estaria esquentando lugar para ele), ou se ele não conseguiu vaga.

O curioso centenário de Luca Filippi

julho 23, 2011
Luca Filippi

Luca Filippi tem 25 anos e 100 corridas na GP2. Logo ele disputou quatro provas por ano e.. oh, wait!

Luca Filippi conseguiu duas curiosas marcas na primeira corrida da etapa da GP2 em Nurburgring, disputada nesta sábado, dia 23. A primeira é que o agora piloto da Coloni completou a 100ª corrida na categoria, enquanto a segunda é que ele pôde comemorar o fato com uma surpreendente vitória.

O triunfo, na realidade, serviu para coroar a inconsistente carreira do piloto de apenas 25 anos – pouca idade se levarmos em conta a marca alcançada. Em 2011, Filippi venceu a prova que marcou o centenário e, antes, havia conquistado um pódio em Mônaco. Fora isso, foram três abandonos nas corridas principais e resultados sempre abaixo do 12º lugar.

A impressão que o italiano passou ao longo da carreira foi a de que era uma questão de tempo para que ele estourasse como um grande piloto do cenário internacional. Talvez, infelizmente o próprio Luca Filippi tenha acreditado nessa versão e ele acabou se tornando um espectador dele mesmo.

Filippi, aliás, teve um início de carreira meteórico. Correu de F-Renault em 2003 e 2004, mas não fez a transição para a F3. Foi direto para a F3000 italiana, onde ainda como um novato conquistaria o título que o credenciaria para disputar a GP2 em 2006. A partir daí o piloto completou 100 corridas perambulando por FMSI, BCN, ART, Arden, Super Nova e Coloni.

A grande frustração do italiano deve ter sido o ano de 2008, quando foi contratado pela ART para conquistar o título, mas acabou somando apenas cinco pontos pela equipe francesa, que o dispensaria no meio do campeoanto. Naquela época, porém, era sabido que o time de Frederic Vasseur só conseguia fazer um carro competitivo e o companheiro de Filippi foi Romain Grosjean, o queridinho da casa.

Claro que isso não justifica a enorme quantidade de erros cometidos pelo italiano que, na ocasião, já estava na terceira temporada na categoria. Mas revela que o piloto teve todos os motivos do mundo para se desiludir com a carreira. Quando era para estar no auge e brigar com o título, ele viu o ano inteiro passar sem conseguir resultado algum. Deve ser ainda mais desapontador ver que quase toda a geração 2008 da GP2 conseguiu algum destaque na carreira, enquanto ele ainda está na categoria sendo apenas mais um no meio do pelotão.

Filippi, aliás, continua na GP2 com a expectativa de ver se algo de bom aparece na carreira. Creio que ele julga – e até de forma correta – ser bom demais para ir correr em alguma equipe privada do WTCC, ou desaparecer no automobilismo italiano, ou no GT2. Le Mans deve ser uma opção muito distante, assim como ir para os Estados Unidos. A F1, por sua vez, foi perdida em 2008, embora até hoje o piloto seja especulado em alguma vaga – como foi na Sauber no último ano – só que não pelo talento realmente.

Enquanto a grande oportunidade não vem, Filippi detém um aproveitamento razoável na categoria de acesso. Venceu 3 das 100 provas que disputou, 3% portanto. A efeito de comparação, Jules Bianchi tem 1 vitória em 29 corridas (pouco mais que 3%), Marcus Ericsson 1/31 (pouco mais que 3%), Dani Clos e Luiz Razia têm 1/49 (quase 2%), Davide Valsecchi tem 3/64 (cerca de 4%) e Fairuz Fauzy jamais venceu em 55 provas. Todos estes, porém já foram especulados na F1 nos últimos anos.

Vendo assim, é possível concluir que Filippi não é um piloto ruim, mas a inércia em não reagir para conseguir grandes resultados parece estar dominando a carreira do italiano. Aos poucos, ele vai se tornando o novo Pantano da GP2, mas com o diferencial de que só é capaz de conseguir um grande desempenho, no máximo, uma vez a cada 33 provas.

P.S.: gostaria de ver o Cléber Machado narrando um dia uma corrida da GP2 com o Luca Filiiiiiiiipiii


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