Yann Cunha
Yann Cunha reencontrou o topo da tabela depois de mudar para a F3 Espanhola

Atual campeão da F3 Sul-americana (ou não), Yann Cunha não vinha tendo a temporada que esperava na F3 Inglesa. Ao contrário do sucesso dos compatriotas Felipe Nasr e Lucas Foresti – os três de Brasília, por coincidência – o piloto da T-Sport ocupa somente a 20ª colocação no campeonato inglês com apenas três pontos somados.

Para acelerar a adaptação ao Velho Continente, Yann decidiu desde o final do mês de junho participar também da F3 Espanhola, já que não há conflito de calendário entre as duas categorias. No novo certame, o piloto encontrou os também brasileiros Victor Corrêa e Fabio Gamberini. Todos com passagens relativamente apagadas pelo automobilismo inglês.

Na Espanha, Gamberini é o vice-líder do campeonato – mesmo correndo na equivalente à National Class –, enquanto Corrêa é o quarto colocado.

Depois de uma fraca etapa de estreia em Spa-Francorchamps, quando acumulou uma sétima posição e um abandono ao brigar pelo pódio, Yann Cunha teve um desempenho melhor neste início de etapa de Brands Hatch, que acontece nesse final de semana. O brasiliense liderou o primeiro treino livre e terminou o dia na quinta colocação na soma dos tempos.

Essa brusca mudança de resultados de Cunha pode ter uma explicação: essa é a primeira vez que ele chega a uma pista já conhecida na Europa. O brasileiro havia corrido em Brands Hatch no campeonato inglês, portanto, não precisou gastar o primeiro treino livre para aprender o traçado.

Ainda assim, também não é difícil concluir que o equipamento que o piloto dispõe na F3 Inglesa seja pior em relação ao restante do grid na comparação feita ao da F3 Espanhola. Obviamente, não é o caso de culpar o equipamento inglês pela falta de vitórias, mas é o caso de refletir se em um carro melhor os resultados obtidos até aqui não seriam mais competitivos.

Outro ponto interessante é questionar o mito de que faz alguns anos que a F3 Sul-americana não prepara os pilotos brasileiros para correr na Europa. O bom desempenho de Lucas Foresti no início de 2011, além dos resultados sólidos de Pietro Fantin, também no começo da temporada, poderiam provar o contrário. Agora, o bom rendimento de Cunha na F3 Espanhola pode mostrar que o automobilismo que se disputa por aqui ainda tem um nível de desenvolvimento parecido com o de lá fora. Vale lembrar que Felipe Nasr ia correr na F3 Sul-americana, em 2009, caso não tivesse recebido o convite de Augusto Farfus para correr na F-BMW.

A explicação para o fracasso da maioria dos pilotos com passagem pela F3 Sul-americana não é a categoria em si. O campeonato tem, sim, todos os problemas conhecidos de falta de estrutura, orçamento elevado, falta de apoio, grids enxutos e etc. Só que o real motivo da falta de resultado dos pilotos que por ele passaram é, digamos, o talento limitado dos mesmos.

Como o campeonato é mal elaborado, não atrai mais os melhores pilotos. Assim, os campeões acabam ficando pelo caminho na tentativa de chegar à F1, ou a outras categorias maiores. Do contrário, quando surge alguém razoavelmente bom, o garoto não só se destaca por aqui como tem certo sucesso na Europa. A questão, na verdade, passa a ser o número de pilotos: há mais de uma década se garimpava um fora de série em meio a dezenas de jovens pilotos. Hoje, o grid da F3 Sul-americana sequer chega a uma dezena de competidores.