19 carros estiveram na F3 Brasil em Curitiba - foto de bruno terena/vicar
19 carros estiveram na F3 Brasil em Curitiba – foto de bruno terena/vicar

Depois de uma longa pausa para a disputa da Copa do Mundo de futebol, o automobilismo começa a voltar aqui no Brasil. Após a F-Truck ter dado o novo pontapé inicial na semana passada, neste fim de semana foi a vez do Vicar Tour chegar a Curitiba para mais uma etapa do Brasileiro de Marcas, Mercedes Challenge e, claro, da principal categoria do país, a F3 Brasil.

Como houve um intervalo de dois meses entre os rounds de Interlagos e de Curitiba, não seria absurdo imaginar uma diminuição no grid da F3. Esse tempo poderia ter servido para que alguns pilotos – com pouquíssimas chances de título – decidissem abandonar o certame e direcionar o orçamento para outros torneios, já pensando em 2015.

E é verdade que houve mudanças no mercado de pilotos. Arthur Oliveira rompeu com a Hitech, enquanto Artur Fortunato deixou a R&R/Weissach na divisão A para andar com a própria equipe a partir de agora. Na Light, Victor Miranda também saiu da R&R para correr com a Prop Car, enquanto Mauro Auricchio seguiu na escuderia de Rogério Raucci e Sergio Bürger, mas agora na divisão principal.

Só que os carros vagos acabaram ocupados para esta etapa. Na sexta-feira, Gaetano Di Mauro, que compete na F4 Inglesa, fechou com a Hitech – com quem já havia treinado no começo do ano – para substituir Oliveira em Curitiba. Renan Guerra, vencedor em São Paulo, subiu em um bólido da Light da R&R e Francisco Alfaya retornou à Capital. Isso sem falar na volta de Raphael Raucci, recuperado de uma lesão que o deixou de fora da rodada de Interlagos.

Com isso, um impressionante grid de 19 carros acabou formado. A efeito de comparação, a primeira prova em Curitiba da F3 Sudamericana de 2013, realizada entre os dias 24 e 25 de agosto, reuniu dez competidores. O mesmo número de participantes da prova de Interlagos do ano passado, disputada no penúltimo fim de semana de julho.

Gaetano Di Mauro andou pela Hitech - foto de luca bassani
Gaetano Di Mauro andou pela Hitech – foto de luca bassani

Os 19 garotos de Curitiba também é uma marca relevante internacionalmente. Neste fim de semana, quem também foi à pista foi a F3 Inglesa, em Spa-Francorchamps. Tradicionalmente, a etapa belga costuma receber equipes de outros campeonatos – antes a F3 Europeia e agora a F3 Alemã – e já chegou a ter mais de 30 carros na disputa. Dessa vez, porém, somente 14 bólidos passaram pela Eau Rouge em um grid combinado.

A Euroformula Open – antiga F3 Espanhola – enfrentou dias difíceis em Silverstone, nos dias 19 e 20 de julho. Com alguns pilotos com problema para conseguir o visto inglês, o grid da categoria teve somente 16 participantes. É um número bom na verdade, mas muito abaixo dos 30 do ano passado.

Nem mesmo a F3 Euro escapou do encolhimento. No fim de semana da decisão da Copa do Mundo de futebol, a categoria esteve em Moscou para a disputa da sétima etapa de 2014. E apenas 20 pilotos viajaram à capital russa. Como os custos para essa viagem são maiores, é possível que algum time tenha optado por pular essa prova. Mas outras escuderias enfrentaram a rescisão de contratos, como a Fortec (que perdeu Mitchell Gilbert) e a Double R (sem Felipe Guimarães).

Pedro Piquet, pra variar, venceu as duas provas - foto de bruno terena/vicar
Pedro Piquet, pra variar, venceu as duas provas – foto de bruno terena/vicar

Voltando a Curitiba, é verdade que apenas 18 participaram das duas corridas. O 19º integrante era o carro da equipe Chemin, originalmente escalado para Edson Ferreira da Silva, mas que teve Denis Navarro – do Brasileiro de Marcas – na classificação. O paulista colocou o bólido em 15º do grid, mas não participou das baterias.

Entretanto, para todos os efeitos, 19 carros andaram em algum momento. Mas isso pouco importa, na verdade. Fossem 16 ou 17, o número já é muito maior que a expectativa inicial de 12 participantes na atual temporada.

Com esse sucesso inicial, a Vicar, a CBA e as equipes da categoria precisam de duas coisas. A primeira, óbvia, é manter o tamanho do grid. Pode-se perder um participante aqui ou ali, mas a F3 Brasil precisa estar saudável para arrumar substitutos.

A segunda é fortalecer a divisão principal. Apesar de os campeonatos europeus terem perdido grid em 2014, todos eles usam o novo carro da Dallara, o F312, e apenas a F3 Inglesa admite que os participantes andem com o F308. Aqui a Light usa o F301, que é ótimo para quem está começando. Mas isso deixa os 19 participantes como algo relativo na hora de comparar com o que acontece lá fora.