O renascimento de Bruno Senna

Bruno Senna terá uma nova casa em 2013
Bruno Senna terá uma nova casa em 2013

Bruno Senna pegou muita gente de surpresa nesta terça-feira, dia 5, ao anunciar o acerto com a Aston Martin para a disputa da temporada 2013 do Mundial de Endurance, o WEC. Não estou dizendo que um piloto não tenha o direito de mudar de categoria e buscar novos ares, mas o brasileiro ficou conhecido nos últimos anos por fazer de tudo para permanecer na F1, mesmo que fosse para se arrastar por equipes de qualidade duvidosa.

Em três anos na principal categoria do automobilismo mundial, Bruno assinou com a Campos, mas foi estrear apenas pela Hispania. Depois passou por Lotus e Williams, antes de ter as portas fechadas e se mudar para as corridas de longa duração.

Nesse tempo todo, talvez mesmo que de forma não consciente, ele vendia a esperança de em algum momento ter um desempenho semelhante ao tio. É inegável que os torcedores ao vê-lo pilotar os carros aurinegros da Lotus e depois a Williams tinham de volta lembranças de outras décadas, nos anos gloriosos de Ayrton.

O problema é que Bruno nunca foi Ayton, da mesma forma que as equipes não eram mais as mesmas. A Lotus que o sobrinho pilotou, embora seja da mesma Enstone que a Toleman e com a tradicional pintura em amarelo e preto, era um carro bastante defasado com relação aos demais do grid de 2011. A equipe já havia desistido de desenvolvê-lo e estava focada em construir a máquina vencedora da temporada seguinte.

Por isso, é até injusto pensar que ele teve à disposição o mesmo equipamento com o qual Vitaly Petrov subiu ao pódio no GP da Austrália.

Quanto à Williams, o laço emocional com a equipe é ainda maior, afinal, Ayrton morreu em 1994 sem pontuar pelo time. Para algum fã, poderia haver a ideia de negócios inacabados entre a família Senna e a escuderia inglesa. Aí sobrou para Bruno resolvê-los.

Só que a equipe também não era a mesma da década de 1990. Além de não contar mais com uma fortuna dos patrocinadores nem com as criações de Adrian Newey, o time só aceitou a chegada de Bruno em um contrato, digamos, perigoso. Para ter a vaga de titular, o brasileiro teria que abrir mão de 75% dos treinos livres. E o próprio piloto já afirmou que isso foi uma das causas do fraco desempenho de 2012.

Por isso, na minha visão, Bruno fez de tudo para seguir na F1, mesmo que precisasse usar a imagem do tio ao seu favor. Deu no que deu. Para os fãs de Ayrton, as comparações não demoraram a acontecer, e eles naturalmente acabaram torcendo o nariz para o desempenho do sobrinho.

Portanto, a ida para a Aston Martin é a primeira vez em muito tempo que poderemos ver realmente quem é Bruno Senna, um piloto que não tem a responsabilidade de continuar o legado de Ayrton na F1 nem agradar a cada torcedor do tio. Um piloto cujo único objetivo a partir de agora é colocar o carro azul e laranja na frente de Ferrari, Porsche e Corvette

12 comentários sobre “O renascimento de Bruno Senna

  1. “…o brasileiro ficou conhecido nos últimos anos por fazer de tudo para permanecer na F1, mesmo que fosse para se arrastar por equipes de qualidade duvidosa.”

    Bruno so correu numa equipa de qualidade duvidosa (ou muito pior do que isso) na sua estreia oficial na F1. Mas quando assinou pela Campos ainda nao era previsivel tudo o que iria acontecer, ate a estreia no Bahrein e depois durante a epoca.

    Nao esquecer que sem a crise financeira tinha resultados para entrar na F1 em 2009 com todo o merito, logo apos a excelente temporada na GP2, onde so perdeu o titulo para alguem que ja la estava ha quatro anos. Entrando em 2009, com a Honda ou a Brawn, provavelmente ate conseguiria vitorias logo na epoca de estreia. Certamente seria agora um piloto muito mais desenvolvido. Foi a partir dessa altura que as equipas passaram a exigir muito dinheiro aos novos talentos e ele nem em 2010 tinha o suficiente para uma equipa media. Foi isso que o afastou definitivamente do caminho do sucesso na F1. Agora ha muitos pilotos de talento e com bons apoios financeiros que ficam de fora (da F1), portanto nao ha aqui nenhum demerito para o Bruno, sobretudo dadas as circunstancias da sua carreira. E melhor assim, pelos vistos na Force India ja estaria descartado (ao contrario do que pensavamos) e no DTM tambem estava a ficar dificil, com as restriçoes aos treinos que entram em vigor este ano e levam as equipas a preferir quem ja tem experiencia na categoria.

    Para a historia fica a sua unica temporada completa num carro decente, terminando 10 vezes nos pontos enquanto o colega (velocissimo) que ja la estava ha um ano pontuou apenas em 5 ocasioes. Isto tendo a desvantagem de perder 15 treinos livres durante o ano, o que contribuiu tambem para mas posiçoes a partida e consequentemente tambem resultados mais fracos. Portanto mesmo o Bruno Senna versao 2012 – com um desempenho bem mais fraco do que um Bruno Senna que entrasse na altura certa (2009) com o carro certo (Honda ou Brawn) – esteve longe de atingir o seu verdadeiro potencial, pois alem de menor tempo de pista relativamente ao colega teve ainda o handicap de os pneus de 2012 nao combinarem nada bem com o seu estilo de pilotagem. Em 2013 os pneus serao diferentes, terao uma margem de funcionamento maior nas qualificaçoes e tenho a certeza que o Bruno iria dar-se muito melhor com eles. Ele sempre foi rapido em qualificaçao (com Poles na F3, na GP2, 4 idas ao Q3 com a Lotus em 2011), portanto os problemas que teve em 2012 nao podem ser justificados apenas pela perda dos treinos livres. Portanto poderia fazer muito melhor em 2013 se tivesse uma segunda temporada completa com um carro do meio do pelotao. Partindo mais na frente teria melhores resultados. Na Williams mostrou ser mais talentoso do que Maldonado em corrida (tao veloz como ele e mais consistente) e com os pneus de 2013 reduziria muito a sua desvantagem na qualificaçao. Nunca seria veloz como Maldonado numa so volta, tal como Button nao e tao veloz como Hamilton e Prost nao era tao veloz como Ayrton.

    Por ultimo convem recordar alguns factos da historia: o Ayrton estava a preparar o Bruno para uma carreira ao mais alto nivel quando se deu o acidente em Imola. Antes desse acidente o Bruno ja tinha batido o tio e o recorde da pista de Tatui, ao ponto de o Ayrton proferir aquela celebre frase “voces acham que eu sou bom, entao esperem pelo meu sobrinho”. Nunca saberemos ate que ponto o Ayrton tinha razao mas uma coisa e certa, teria inteligencia suficiente para perceber que 10 anos sem competir, sem fazer carreira nos karts, fariam toda a diferença. Isso e ficar ainda mais 3 anos sem uma epoca normal, devido aos efeitos da crise financeira. Eu recordo que o Ayrton dizia que para um piloto ter sucesso na F1 nao pode dar passos em falso e o Bruno deu muitos passos em falso por motivos que fugiram ao seu controlo. Portanto esteve muito longe de atingir o seu verdadeiro potencial.

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  2. Bruno é um bom piloto. Mas não é o cara que faz a diferença. O fato de não ter andado nos primeiros treinos não quer dizer muita coisa para grandes pilotos, afinal os carros de F1 já chegam nas pistas com o setup pronto, mexem em poucas coisas, como altura, pressão dos pneus, alguns cliques no amortecedor e ajuste das asas. Se o piloto já conhece a pista então é só sentar e acelerar. Correndo de endurance não conseguirá mostrar muita coisa, pois é uma categoria cheia de estratégias, não é lugar para acelerar tudo. Acredito que ele já mostrou seu potencial, ou seja, é um bom piloto, mas longe de ser excepcional.

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  3. Felipe, pode paracer implicância, mas a culpa é do sobrenome. Se o Bruno tivesse utilizado o sobrenome do pai, ele teria uma carga bem menor de cobranças, pois boa parte dos pachecos não saberiam que o Bruno Lalli é o sobrinho do “nosso Ayrton Senna”.

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    1. Diogo,
      Permita-me responder ao seu comentário…
      Se ele aparecesse correndo como Bruno Lalli , como ele mesmo comentou, as pessoas demorariam 15 minutos prá descobrir de quem ele era filho e consequentemente sobrinho…
      Da mesma forma que muitos associaram Bruno a Ayrton e o criticaram por ‘macular’ o nome da família outros (ou mais) iriam levantar-se ante ao ‘desaforo’, ‘ingratidão’ e outros adjetivos negativos por ele supostamente ‘virar as costas’ para o sobrenome famoso …
      No fundo ele é Bruno Senna, Bruno Lalli, Bruno Senna Lalli …

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      1. Fantástica resposta, MSS. Eu não faria melhor. Se o cara nasceu com esta “insígnia”, por que privá-lo de algo que gosta de fazer só por que carrega um sobrenome famoso. Ora, fosse assim seria preciso esperar que um dia nascesse outro fera na família para permitir que algum entre esses pudesse ter a benção da torcida para pilotar. Bruno é Bruno, Ayrton é Ayrton e ambos são Senna. Cada um no seu quadrado.

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        1. O Bruno não é mau piloto, longe disso. Mas, por carregar o nome Senna, a cobrança para que ele seja um novo Ayrton é muito maior. O ufanismo da transmissão da Globo é prova disso. Ele não é culpado por ter sobrenome famoso, mas tem a opção de não carregar esse peso.

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          1. Será que tem a opção de não carregar esse peso? Parece-me que teve essa opção no final de 2004, quando começou a sua carreira no automobilismo. Mas uma vez decidido está decidido, não dá para voltar atrás. Pelo menos assim houve mais um Senna a ganhar no Mónaco (na GP2) e mais um Campeão Mundial (na LMP2).

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