O pulo do gato de Bottas

Valtteri Bottas será piloto da Williams em 2013
Valtteri Bottas será piloto da Williams em 2013

Qual é melhor, World Series by Renault ou GP2? Quem não está muito preocupado com essa velha discussão é Valtteri Bottas. Anunciado no início da semana como titular da Williams na temporada 2013 da F1, o finlandês fez história e se tornou o primeiro piloto em algum tempo a pular de categorias menores direto para a F1.

Depois de dois anos correndo na F3 Euro Series, onde não conseguiu conquistar o título, Bottas se tornou campeão da GP3, em 2011, ao superar James Calado nas corridas finais daquela temporada.

A partir daí, negociou principalmente com a Tech 1 e com ISR, na World Series, mas com um orçamento enxuto resolveu arriscar. Ao invés de continuar correndo nas categorias de base, o nórdico resolveu se mandar para a F1. Como não podia competir com a grana trazida por Bruno Senna, a solução foi acertar um contrato de piloto de testes e participar de 15 treinos livres ao longo do ano.

O bom desempenho nos treinos chamou a atenção da equipe inglesa, e o piloto garantiu a vaga de 2013, mesmo levando menos dinheiro que Pastor Maldonado e Senna.

Só que Bottas não é o único piloto do grid da F1 a não ter participado de GP2 ou World Series (e suas antecessoras). Na realidade, dos 25 pilotos que disputaram ao menos uma etapa no último campeonato seis percorreram caminhos bastante alternativos na carreira: Jenson Button, Felipe Massa, Michael Schumacher, Kimi Raikkonen, Paul Di Resta e Pedro de la Rosa.

Se você ler o título desse post com atenção, verá que falo sobre esse felino saltitando
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De todos, o caso mais surpreendente foi o do também finlandês Raikkonen. O atual piloto da Lotus estreou na categoria, em 2001, pela Sauber, depois de ter disputado apenas a F-Renault UK. Na época, a equipe suíça foi criticada por dar chance a um piloto sem experiência. Apesar disso, Kimi mostrou que tinha lugar para ele na F1, pontuando na corrida de estreia.

Só que aquela era uma época em que os treinos estavam liberados ao longo da temporada. Assim, quando Kimi estreou no GP da Austrália, já tinha percorrido a quilometragem de vários e vários GPs antes do campeonato começar.

No entanto, quem passou por uma situação mais parecida à de Bottas foi Jenson Button. O inglês foi chamado pela Williams, em 2000, tendo apenas disputado uma única temporada da F3 Inglesa. Paul Di Resta e Michael Schumacher também pularam da F3 para a F1. Só que no caso deles não foi algo direto.

O alemão, por exemplo, foi campeão da F3 Alemã em 1990 e estreou na F1 no ano seguinte. O debute, porém, aconteceu apenas no dia 25 de agosto, em Spa-Francorchamps. Nesse intervalo todo, o piloto participou de quase duas temporadas no Mundial de Carros Protótipos. Di Resta, por sua vez, entre o título da F3 Euro de 2006 e a estreia na Force India, foram quatro anos de DTM, com direito a um título.

Felipe Massa e Pedro de la Rosa tiveram experiências com carros mais potentes. O brasileiro disputou a chamada F3000 Europeia (hoje conhecida como Auto GP) antes de acertar com a Sauber. De La Rosa, por fim, correu no Japão, onde foi um dos poucos pilotos a vencer F-Nippon e SuperGT no mesmo ano.

A diferença desses pilotos para Bottas é que todos – menos Di Resta – tiveram a chance de treinar exaustivamente com o equipamento da F1 antes da estreia. Então, quando chegaram à primeira corrida do ano já conheciam o carro como a palma da mão.

2 comentários sobre “O pulo do gato de Bottas

  1. Jenson Button passou por uma situaçao parecida a de Bottas (chamado a Williams sem passar pela categoria secundaria, que na altura era a F3000) e tambem por uma situaçao parecida a de Bruno Senna (dispensado da Williams apos um ano com a equipa para dar lugar a outra jovem promessa, Montoya no caso de Button, Bottas no caso de Bruno).

    Depois Button ainda teve duas temporadas relativamente fracas com a Benetton (2001), chamada Renault no ano seguinte (2002) antes de fazer uma boa temporada no seu quarto ano na F1, com a BAR em 2003. Esperemos que o Bruno tenha as mesmas oportunidades para se desenvolver, pois temporada completa com um carro decente ainda so teve uma e mesma essa com muito piores condiçoes do que Button teve em 2000, por ter perdido 15 FP1 durante o ano.

    Voltando ao Button, vale lembrar que o ingles teve uma excelente epoca em 2004 (a sua 5.ª na categoria), vencendo o seu primeiro GP apenas na sua 7.ª temporada e sendo Campeao na 10.ª.

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  2. Acho bacana quando um piloto chega na F1 com um currículo forte de categorias de base, algo que acho que ocorria mais antigamente. Achava o máximo ouvir que o piloto foi campeão da tradicionalíssima F3 inglesa por exemplo e que anteriormente tinha passado por F-Fords ou outra qualquer. Mas também aprendi a ver que isso não era tudo em termos de sucesso na F1. Pizzonia tinha “o currículo”, mas não vingou e Haikkonen surpreendeu a todos tendo passado só pela F-Renault. Gostava mais quando um piloto vinha adquirindo experiência e botando respeito desde o kart por exemplo.

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