Após a vitória na Espanha, Pastor Maldonado não teve muito o que comemorar em 2012
Após a vitória na Espanha, Pastor Maldonado não teve muito o que comemorar em 2012

A temporada 2012 da F1 foi de altos e baixos para Pastor Maldonado. O venezuelano se mostrou um dos pilotos mais rápidos do grid, mas também completamente incapaz de manter um carro na pista sem maiores problemas. O ponto alto do ano foi a vitória no GP da Espanha, mas o triunfo foi seguido por uma sequência de nove corridas – cerca de metade da temporada – fora do longe dos pontos, o que resume bem a inconstância do bolivariano.

Por causa disso, Maldonado fechou 2012 com uma incomoda marca. Jamais na história da F1 um piloto que venceu uma corrida terminou tão atrás na tabela de pontos. O venezuelano foi apenas o 15º, tendo superado somente Bruno Senna, a dupla da Toro Rosso e os pilotos das nanicas – além de Jérôme D’Ambrosio.

O recorde é tão ruim que mesmo em algumas corridas malucas, o vencedor acabou tendo um resultado melhor no final do ano. Sebastian Vettel, por exemplo, que venceu o GP da Itália de 2008, ainda conseguiu terminar aquele campeonato em oitavo, tendo pontuado em mais oito corridas.

Em uma situação mais absurda, Giancarlo Fisichella, de Jordan, ganhou o GP do Brasil de 2003 – marcado por uma tempestade e um forte acidente de Fernando Alonso na Curva do Café. Naquele ano, o piloto só voltou a pontuar 13 corridas depois, nos Estados Unidos. Mesmo assim, ainda foi o 12º colocado na tabela de pontos.

Em 1996, Olivier Panis foi um dos três pilotos – ao lado de David Coulthard e Johnny Herbert –a receber a bandeira quadriculada debaixo de uma tormenta em Mônaco. Mesmo tendo ganhado praticamente correndo sozinho, o piloto concluiu o ano em nono, depois de pontuar em mais duas oportunidades. Situação semelhante aconteceu dois anos antes com Nigel Mansell. Depois de se aventurar na Indy, o piloto disputou as três últimas etapas pela Williams, venceu uma corrida e fechou o campeonato também na nona posição.

Voltando um pouco mais no tempo, começamos a achar resultados mais parecidos com os de Maldonado. Um deles aconteceu em 1983, quando oito pilotos diferentes ganharam corridas. Em Detroit, o saudoso Michele Alboreto levou a Tyrrel à vitória. Como o italiano só voltou a pontuar em outra oportunidade, acabou completando o ano na 12ª colocação.

Michele Alboreto venceu com a Tyrrel em 1983
Michele Alboreto venceu com a Tyrrel em 1983

Pior que Alboreto, apenas Jean-Pierre Jabouille, em 1979. O francês foi o piloto responsável por liderar a chegada da Renault à F1, na década de 1970, e por isso conseguia resultados bastante curiosos. Embora abandonasse a maior parte das corridas, o piloto também conseguia algumas marcas interessantes. Depois de três anos na categoria,  Jabouille conquistou a primeira vitória da montadora na F1, no GP da França – não havia um lugar mais apropriado – de 1979. Naquele mesmo ano, o piloto largou quatro vezes na pole, mas não conseguiu pontuar em outra oportunidade. Por isso, acabou fechando o ano apenas em 13º.

Pilotos cuja vitória foi a única vez em que pontuou na temporada, na verdade, é algo comum na F1, principalmente quando a chuva dá as caras. Isso aconteceu em 1972, com Jean-Pierre Beltoise (11º na classificação final) e em 1975, com Vittorio Bambrilla, que mesmo tendo recebido apenas a metade dos pontos pela conquista no GP da Áustria ainda conseguiu terminar a temporada em 11º.

Jim Clark também só pontuou uma vez, em 1968, com a vitória na África do Sul. O britânico morreu dias depois em uma etapa da F2, mas mesmo assim acabou o ano em 11º. O inglês, aliás, foi um dos poucos pilotos da F1 a ter competido nas 500 Milhas de Indianápolis. A conquista aconteceu em 1965, quando a prova americana não fazia mais parte do calendário do certame.

Jimmy Bryan foi o vencedor da Indy 500 pior classificado na F1
Jimmy Bryan foi o vencedor da Indy 500 pior classificado na F1

Porém, durante muitos anos, o vencedor da Indy 500 também somava pontos para a F1. O pior vencedor, digamos assim, foi Jimmy Bryan, em 1958. Com o triunfo, o piloto somou oito pontos e encerrou aquela temporada em 13º.

Para encerrar a lista de vencedores mal classificados, chegamos ao curioso caso de Luigi Fagioli. No GP da França de 1951, Juan Manuel Fangio teve um problema no motor e, ao parar nos boxes, a Alfa Romeo ordenou que ele pegasse o carro de Fagioli para terminar a prova. Como o argentino venceu assim mesmo, tanto ele quanto o parceiro foram creditados com o triunfo – e também com a 11ª posição – tendo os pontos divididos. Mesmo tendo somado somente quatro pontos, o italiano – que só disputou esse GP – foi o 11º na classificação final.

Depois de tudo isso, é possível concluir dois motivos para o fracasso de Maldonado em 2012. O primeiro, lógico, é o mau desempenho do venezuelano, que acumulou batidas e punições. O problema é que ele fez isso em um ano em que o grid foi muito competitivo e praticamente todas as equipes tiveram chances de ganhar uma prova. Então todo mundo conseguiu somar muitos pontos.

Em outros anos, a F1 foi dominada por uma ou outra equipe. Por isso, era comum que o piloto que tivesse uma só vitória ainda conseguisse terminar o ano próximo do top-5.

Outra coisa, é que nunca se correu tanto na categoria. Foram 20 etapas em 2012. Assim, os pilotos tiveram mais e mais oportunidades para ultrapassar a pontuação do venezuelano. Por outro, o próprio piloto da Williams também teve mais chances de sair do ralo em que se encontrou. Só que ele não soube aproveitar.