O Aldair da Nascar

Patrick Carpentier se aposentou em 2011. Teve direito a 28349234832423 homenagens em Montreal, mas agora está de volta

Lembra o Aldair, aquele zagueiro brasileiro que disputou as Copas do Mundo de 1990, 94 e 98, além dos Jogos Olímpicos de 1996? Então, ao longo da carreira, ele ficou conhecido não só pela habilidade defensiva, mas também por uma série de erros e trapalhadas como gols contra e a trombada com Dida nas Olimpíadas.

Mas o jogador brasileiro curiosamente também ficou marcado por não conseguir se aposentar. Ele chegou a anunciar que deixaria os gramados em duas oportunidades, mas sempre acabou retornando aos campos.

A primeira aconteceu em 1999, quando anunciou que não jogaria mais pela Seleção. Teve jogo de despedida e tudo, mas um ano depois ele voltou a ser convocado. Jogando por clubes, Aldair viveu uma situação parecida. Ele pendurou as chuteiras em 2004, aos 39 anos de idade. Só que três anos depois voltou aos campos por uma equipe de San Marino.

Assim, quando Aldair deixou de jogar definitivamente em 2009, já estava na sua terceira aposentadoria. O problema é saber até quando ela vai durar, já que pelo histórico, eu não ficaria surpreso se o zagueiro retornar aos campos nos próximos anos.

Talvez você esteja se perguntando por que estou contando a história de Aldair se este é um blog sobre automobilismo. Bom, em primeiro lugar, é que os pilotos também não são muito bons em anunciar aposentadoria. Talvez Michael Schumacher seja o caso mais famoso. O alemão deixou a F1 em 2006, mas mudou de ideia e corre até hoje.

Nascar, Montreal, Patrick Carpentier
Carpentier apareceu para a Nascar correndo justamente em Montreal, em 2007 – foto: robert laberge/getty images/nascar/divulgação

Na Nascar, se aposentar é um pouco mais difícil. Alguns anos atrás, Michael Waltrip anunciou que deixaria as pistas, mas fez questão de deixar claro que continuaria tentando se classificar para a Daytona 500, além das demais etapas de em super-ovais. O problema é que essa ‘aposentadoria’ já se estendeu a participações em corridas de endurance como as 24 Horas de Daytona e de Dubai, além de uma equipe presente em Le Mans.

Em 2012, Waltrip contratou Mark Martin, outro famoso piloto aposentado. A primeira vez que o veterano anunciou que deixaria as pistas foi em 2005. Desde então, ele concordou em ficar mais um ano na Roush e depois aceitou a proposta de transformar a Ginn Racing em uma equipe de ponta. Mas com a falência do time, ele acabou passando por DEI, Hendrick e agora, finalmente, está na Waltrip.

Neste ano, Martin não disputa a temporada completa, deixando que Brian Vickers e o próprio Waltrip disputem as corridas mais desgastantes fisicamente. No entanto, o piloto está distante de deixar as pistas. Ao que tudo indica, ele deve continuar correndo em 2013 de forma similar à deste ano.

Quem parece ter aprendido a arte da aposentadoria com o mestre Waltrip foi Patrick Carpentier. O canadense, que teve uma longa carreira na Indy, tentou competir na Nascar em 2008, mas acabou sacado da equipe em que competia.

No ano passado, ele acertou com a própria equipe de Waltrip para participar da etapa de Montreal da Nationwide, onde finalmente anunciou que despediria das pistas, desgostoso com toda a política presente no esporte. A experiência não deu muito certo. Depois de muito choro e homenagens antes da largada, o piloto canadense se envolveu em um acidente com Steve Wallace e abandonou na 56ª volta. Depois disso, frustrado com o acidente, o chefe de mecânicos de Carpentier foi atrás de Wallace, nos boxes, e puxou o cabelo (!!) do americano em uma espécie de retaliação.

Bom, apesar do incidente capilar, Carpentier se aposentou e todos vivemos felizes para sempre, certo? Errado. Nesta terça-feira, dia 10, o canadense anunciou que vai disputar a etapa de Montreal de 2012 pela RAB Racing, equipe que tem uma parceira técnica com o time de… Waltrip(!). Quanto à aposentadoria? O canadense afirmou que não poderia recusar o convite para voltar a correr.

7 comentários sobre “O Aldair da Nascar

  1. Primeiro um detahe: a trombada foi com o Dida, não?

    E nos casos de aposentadoria no esporte, pra mim o mais emblemático talvez seja o Jordan: parou, foi jogar baseball, voltou parou de novo, voltou e aposentou definitivamente

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  2. Fala sério, o cara tenta se aposentar e acaba contratado pela Hendrick, e ganha corrida, obvio. Mark Martin o MumRa da Nascar, o melhor plano de aposentadoria de todos os tempos! Ganhou mais corridas que o Dale Jr no periodo (obvio também)!

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  3. Na F1 teve o Lauda, que se aposentou, ficou três anos fora, voltou e ainda ganhou um título. O Raikkonen seria um caso de “aposentado” que voltou? Embora tenha corrido no WRC, quando deixou a F1 dois anos atrás, não dava indícios que retornaria.

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    1. Creio que o caso do Raikkonen não seja igual, ele havia saído meio sujo da F-1 por não render na Ferrari enquanto o Felipe brigava por título. Foi mais forçado.

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