Gabriel Casagrande chegou à Europa sem muito alarde, mas vem conseguindo bons resultados

Em 2012, o Brasil vem se colocando em uma posição de destaque nas categorias de base do automobilismo mundial. Depois de fazer figuração nos últimos anos, o país vem conseguindo bons resultados nos mais diversos campeonatos. Prova disso é a liderança de Luiz Razia, na GP2, e o empate entre Nicolas Costa e Bruno Bonifácio na F-Abarth.

Na F-Renault não é diferente. Ainda que longe da briga por vitórias, Felipe Fraga e Guilherme Silva têm conquistado bons resultados, incluindo pódio. Entretanto, não é absurdo dizer que o bom desempenho deles já era esperado.

Por causa disso, quem também vem surpreendendo é Gabriel Casagrande, piloto paranaense que, sem muito alarde, fez a transição para do kart para os monopostos em 2012. Menos badalado que os dois compatriotas, o garoto já vem chamando a atenção pela rápida evolução apresentada em pouco menos de três meses de corridas.

O piloto estreou no automobilismo no dia 21 de abril, em Hockenheimring, na primeira rodada da F-Renault Norte-Europeia (NEC) e, desde então, disputou 12 provas. O interessante é que já há uma evolução visível em tão poucas corridas, algo relativamente incomum para um piloto em início de carreira.

No gráfico abaixo você pode conferir a evolução dos resultados. Cada ponto representa uma corrida e a respectiva posição final. As três primeiras dizem respeito à rodada de Hockenheim. Depois, uma sequência de duas rodadas duplas na versão Alps da F-Renault, com provas em Imola e Spa-Francorchamps. Depois, mais duas corridas em Nurburgring, pela Eurocup, além de mais três em Oschersleben na NEC, realizadas neste final de semana. Por fim, o buraco representa três abandonos do piloto.

Só que qualquer gráfico precisa interpretado, pois esconde algumas informações. Casagrande disputou corridas em três campeonatos diferentes e o nível de cada um deles é bastante distinto. A Eurocup, por exemplo, tem um grid de cerca de 40 carros, com pilotos em desenvolvimento de equipes da F1, como McLaren, Red Bull, Lotus e Caterham.

NEC e Alps, por sua vez, grosseiramente falando, são formadas por metade do grid da Eurocup cada. Além disso, em Oschersleben, neste final de semana, a atual campeã Josef Kauffmann e a R-Ace (ART Grand Prix) não estiveram presentes, pois se preparam para a etapa de Moscou da Eurocup, marcada para o próximo final de semana.

Dessa maneira, Casagrande competiu contra um grid esvaziado da NEC (27 carros). Consequentemente, era mais fácil para o piloto conseguir um bom resultado. Ou seja, terminar no top-5 na NEC, competindo contra um grid vazio, certamente é diferente de um top-10 na Eurocup. Por isso, o gráfico não é completamente preciso.

Apesar disso, é inegável que há um progresso. O curioso de tudo disso é que já há uma mudança na, digamos, hierarquia dos brasileiros na F-Renault. Se Fraga e Silva começaram o ano como os principais nomes, o terceiro piloto com mais chances de se destacar era Victor Franzoni, principalmente pelo bom desempenho na F-Futuro no ano passado.

No entanto, o piloto paulista ainda não conseguiu consolidar uma sequência de resultados. Para piorar, ainda sofreu uma lesão em uma corrida em Spa-Francorchamps e deve ficar longe das pistas até o segundo semestre. Enquanto isso, Casagrande aproveitou a chance para tomar essa terceira posição entre os brasileiros na categoria.

A partir de agora, o importante é ver se esses pilotos vão conseguir dar prosseguimento à carreira. Desde a metade da década passada, o país não tem tantos representantes nas categorias de base, mas naquela época os competidores não tiveram paciência e deixaram a Europa após somente uma temporada sem resultados expressivos.