Desconhecido, Alan Chanoski venceu uma etapa da Latam Challenge, em Zacatecas

Todos os anos eu tento fazer uma lista com os pilotos brasileiros no mundo e bem o mal ficar de olho no desempenho deles durante toda a temporada. Mas é óbvio que não dá. Tem campeonato que não dá para acompanhar, seja por problemas de idioma, seja por falta de informação no site do oficial. Ou então por lapso meu mesmo.

Um desses campeonatos que passou em branco é a Latam Challenge, uma espécie de F-Renault disputada no México, com motores da Volkswagen. Não é um certame forte, evidentemente, os próprios mexicanos reconhecem isso, mas ele tem certo destaque regional, revelando alguns pilotos como Giancarlo Serenelli (hoje na GP2), Diego Ferreira e Diego Menchaca, mas como você pode ver nada de muito promissor.

Apesar disso, todos os anos ela reúne um grid com certo destaque entre pilotos da América Central e até mesmo alguns venezuelanos. Em 2012, um brasileiro resolveu correr por lá, Alan Chanoski.

Para quem não conhece, Chanoski é um brasileiro que fez carreira no Paraguai, competindo desde o kart até mesmo em categorias de rali ali no país do lado. Ele chegou a disputar algumas etapas da Stock Car em 2006 e 2007, mas sem nenhum destaque.

Esse ano ele resolveu mudar de ares e resolveu trocar o Paraguai pelo México. Para começar, foi uma excelente escolha visto toda a crise política paraguaia. Só que em termos de desempenho também deu certo. Na etapa de Zacatecas, disputada no dia 24 de junho, o brasileiro segurou o guatemalteco Sebastián Arriola para ficar com a vitória.

Só que a corrida foi bastante conturbada, para vencer Chanoski se aproveitou dos incidentes envolvendo os favoritos André Solano, Francisco Cerullo e Martin Fuentes. Com os três se enroscando, o brasileiro conseguiu assumir a liderança da corrida e nem mesmo a chuva o impediu de receber a bandeira quadriculada.

Com a vitória, Alan assumiu a sexta colocação do campeonato, com 64 pontos, sendo o melhor novato na classificação. O mexicano Rudy Camarillo, com 156, é o líder. Ainda restam cinco rodadas duplas para o fim do campeonato, incluindo duas etapas nos Estados Unidos, ambas no Texas, sendo uma em Houston e outra em Dallas.

Claro que existe uma diferença muito grande entre campeonato e até mesmo em carreira, mas a comparação óbvia aqui é o Oswaldo Negri. Para quem não sabe, o vencedor das 24 Horas de Daytona fez carreira no México depois de rodar a Inglaterra, até tentou correr na Indy Lights, mas deslanchou mesmo na Grand-Am.

Eu não sei quais são os planos que Alan Chanoski tem para a carreira, mas é legal ver que tem um desenvolvimento de pilotos fora dos grandes centros. No geral, em termos de projeção internacional, as últimas gerações de pilotos brasileiros não deram certo. A imensa maioria foi para a Europa com aquele objetivo de chegar à F1, mas quebrou a cara e acabou voltando para a Stock Car.

Não estou criticando a escolha deles, mas não tem mais um cara que preferiu seguir carreira em Le Mans ou correndo em GT. Em algum momento, Jaime Melo, João Paulo de Oliveira, Thomas Erdos e o próprio Oswaldo Negri vão se aposentar. Depois disso acabou, e até agora não teve renovação nessas categorias fora F1/Indy/Nascar. Por isso, é muito legal ver que tem um piloto, mesmo que desconhecido, tentando correr nesses lugares.