James Thompson: ele pode salvar o WTCC?

No esporte a motor, há alguns campeonatos que são chatos de acompanhar. Geralmente, quando uma determinada equipe ou piloto domina todas as corridas, o interesse pelo certame diminui devido a previsibilidade do resultado. Outra coisa que contribui para que um campeonato perca prestígio é a falta de um grid talentoso. Pouca gente tem vontade de assistir a duelos entre ricaços que tomam mais de 1s por volta dos pilotos profissionais.

Esses são alguns dos fatores que têm ameaçado o WTCC nos últimos anos. Desde que Seat e BMW decidiram deixar a categoria de forma oficial, o certame passou a ser dominado pela Chevrolet. A montadora americana praticamente é a única a investir pesadamente no campeonato e por isso em uma semana sim e na outra também termina nas três primeiras colocações das corridas.

Aliás, o domínio da Chevrolet não acontece apenas pelo dinheiro colocado pela montadora no campeonato. É que eles também têm os melhores pilotos. Em todo o grid da categoria, praticamente apenas Gabriele Tarquini (Seat) consegue fazer frente ao trio formado por Yvan Muller, Robert Huff e Alain Menu.

O restante dos competidores é formado por uma mescla entre promessas do esporte a motor que ainda buscam um lugar ao sol, gentleman drivers endinheirados e pilotos que não deram certo em outro lugar.

Para piorar, as disputas acontecem em corridas com apenas 20 minutos de duração. Muito pouco, levando em conta que se trata de um campeonato mundial. Até mesmo para os fãs que vão aos circuitos, a duração da corrida não parece uma boa ideia. Ele assiste a um domínio da Chevrolet durante menos de dez voltas, depois espera horas para a próxima bateria e aí vê mais um passeio da empresa americana.

De olho na temporada 2013, a Lada volta ao WTCC e corre na Hungria e em Portugal

É nesse contexto que a Lada retorna ao WTCC neste final de semana para a disputa da rodada de Hungaroring. A montadora russa esteve presente no certame até 2009, mas decidiu encerrar as atividades devido ao custo elevado do campeonato e dos fracos resultados obtidos. No entanto, desde a temporada passada a empresa passou a trabalhar na construção do modelo Granta para que pudesse retornar ao campeonato.

Assim, já pensou se a montadora lá do Leste Europeu consegue desbancar a toda poderosa Chevrolet e abocanhar uma vitória em Hungaroring? É bem difícil que isso aconteça, mas seria bom para a categoria. Pela primeira vez nos últimos anos, há interesse pelo WTCC. Se o campeonato conseguiu manter alguns fãs, eles estão esperando com ansiedade para ver o retorno dos carros russos.

O que também pode contribuir para o sucesso da Lada é a escolha de James Thompson como piloto. Aos 38 anos, o britânico é dono de um currículo bastante extenso, com o bicampeonato do BTCC, além do terceiro lugar no WTCC quando competia para a Alfa Romeo. Agora, o experiente piloto mais uma vez foi contratado pelo russo para liderar a empresa na empreitada mundial.

No entanto, o que chama a atenção em Thompson não é apenas a habilidade é a carisma que o piloto tem, que pode trazer alguns fãs ao campeonato.

Ao contrário dos pilotos da Chevrolet, que empolgam tanto quanto ver tinta secar, Thompson é conhecido pelo comportamento meio peculiar. Nascido em uma terra em que as pessoas se tratam por ‘Sir’ e ‘Majestade’, o inglês é barbudo e dono de um vasto cabelão. Para completar, o britânico escolheu correr com o número 69 (!!). Um verdadeiro sucesso entre os fãs.

Assim, em um campeonato tão chato quanto o WTCC tem sido nos últimos anos, a chegada de uma montadora como a Lada, contando com alguém como Thompson, é sinônimo de alguma diversão para a próxima etapa. Ainda que essa diversão venha em doses curtas de 20 minutos por corrida.