A busca pelo novo Tony Stewart

Bryan Clauson fez carreira nos Midgets, chegou a correr na Nascar e agora está próximo de disputar a primeira Indy 500

Maio tradicionalmente é conhecido popularmente como o mês das noivas. Mas todo mundo sabe que isso é mentira. Esses 31 dias do ano deveriam ser conhecidos como mês internacional do automobilismo, afinal, são disputados apenas o GP de Mônaco, as 24 Horas de Le Mans e as 500 Milhas de Indianápolis.

Enquanto a corrida da F1 não tem nenhuma diferença – a não ser o glamour – de uma etapa qualquer da categoria e a prova de Le Mans geralmente é encarada como oportunidade única para muita gente, mas Indy é um meio termo. É verdade que muitos pilotos aparecem apenas para essa prova, mas a corrida (sem contar o quali) vale os mesmos pontos para o título que qualquer outra etapa.

No entanto, isso nunca impediu que, às vezes, as principais histórias de Indianápolis fossem contadas justamente por aqueles pilotos que apenas disputam as 500 Milhas. Em 2011, por exemplo, a história de Dan Wheldon – e posteriormente também a história da Indy – mudou quando o inglês recebeu a bandeira quadriculada na frente em Indianápolis. Na ocasião, Wheldon estava sem emprego e acordo com a equipe de Bryan Herta só valia para o mês de maio.

Essa ano, já tem algumas boas histórias, encabeçadas pelos retornos de Michel Jourdain Jr e de Jean Alesi ao automobilismo. Com bem menos fama, mas que também vai participar da Indy 500 pela primeira vez é Bryan Clauson. O americano fechou contrato com a equipe de Sarah Fisher para correr na tradicional prova.

Clauson é o vencedor de uma bolsa dada pela própria Indy para o campeão da Usac no ano anterior. Em 2011, o americano ganhou US$ 300 mil para disputar seis etapas – todas em ovais – na Indy Lights. Agora, em 2012, o prêmio valeu a participação nas 500 Milhas. Apesar disso, tanto Clauson quanto Sarah Fisher já falaram que podem se inscrever para mais corridas caso consigam patrocínio, sem depender da bolsa dada pela Indy.

Entretanto, para que isso aconteça, é bom que os investidores se apressem. Tirando a etapa da Califórnia, que encerra a temporada de 2012, as provas em ovais terminam no dia 23 de junho. Até lá, a categoria vai ter passado por Indy, Texas, Milwaukee e Iowa.

Antes de estrear na Indy, a experiência de Tony Stewart se resumia aos Midgets e algumas provas na Nascar

Dito isso, talvez você esteja se perguntando o que tem a ver o acordo de Clauson com Sarah Fisher e corridas em ovais. A resposta é que o americano jamais disputou uma corrida em circuitos mistos ou de rua. Bryan fez carreira nos midgets, que correm apenas nos ovais curtos dos Estados Unidos. O garoto tem passagem pelas divisões menores da Nascar, incluindo uma pole-position em Daytona na Nationwide, mas mesmo assim sempre foi substituído quando a categoria chegava a um misto.

Ou seja, não é muito prudente alguém estrear em um circuito desse tipo correndo com um carro tão potente quanto o da Indy, certo?

A história, no entanto, não é bem assim. A própria chegada dos circuitos mistos à IRL forçou alguns pilotos a aprenderem na marra esse tipo de pista. Um exemplo clássico é o de Sam Hornish Jr, mestre nos ovais, mas que não conseguia os mesmos resultados quando era obrigado a virar à direita.

Mas há outro caso emblemático na história da Indy: Tony Stewart. Não ache absurdo se ao longo do mês de maio Clauson for comparado ao atual piloto da Nascar. Essa é justamente a estratégia da Indy para os próximos anos. O novo contratado de Sarah Fisher é um piloto que está sendo desenvolvido pela própria categoria para se tornar um ídolo nos próximos anos.

Com os campeonatos do programa Road To Indy competindo cada vez menos em ovais, a ideia foi buscar alguém que já conhece esse tipo de pista e possa repetir os domínios outrora comandados por Hornish e por Stewart. E por que a Indy quer um americano que possa vencer nos ovais? Ela não quer. O objetivo é apenas que Clauson consiga triunfar em Indianápolis. Um dos elementos que a Indy aposta para fazer crescer a base de fãs e a audiência é ter um piloto da casa com chances nas 500 Milhas.

E por que Clauson? É só ver a carreira dele. O americano é o principal nome da Usac nos últimos anos. Bastante parecido com Tony Stewart, que em 1995 se tornou o primeiro piloto da história a vencer a chamada Triple Crown, os três campeonatos mais importantes do EUA em midgets. Depois disso, Stewart se mudou para a Indy, onde rapidamente se tornou um dos ídolos da categoria. Foi campeão em 1997, mas jamais conseguiu vencer as 500 Milhas.

A Indy gosta tanto de Bryan Clauson que até já o patrocinou em algumas corridas

Agora é a vez de Bryan Clauson seguir caminho parecido. Assim como Tony, o garoto já correu tanto em categorias de turismo – como a Nascar – como em midgets, então ele é alguém com experiência no automobilismo. Caso ele consiga fazer um bom trabalho nessa estreia em Indianápolis, não seria absurdo imaginar que a própria Indy tentaria arrumar uma vaga para ele ainda nesse ano.

Mas voltando à história de ovais contra circuito misto. Há um detalhe curioso que possa beneficiar Clauson. O primeiro contato de Tony Stewart com curvas à direita aconteceu apenas em 1999, quando já estava na Nascar. Na ocasião, ele terminou a etapa de Sonoma em 15º (depois de largar em segundo) e a de Watkins Glen em sexto. Hoje, o piloto é considerado um dos principais nomes nesse tipo de pista da principal categoria do turismo americano.

Se Stewart teve sucesso em seu primeiro contato com mistos, talvez Clauson também possa ter. Aí a correria para colocá-lo em um carro antes de Iowa não fará mais sentido. E a Indy poderá ter mais tempo para encontrar uma empresa disposta a investir no piloto até o fim do ano.

Ah, um último detalhe na comparação entre Bryan Clauson e Tony Stewart. A carreira do primeiro mudou em 2010, quando resolveu largar o osso da Nascar para se dedicar à Usac e, consequentemente, ganhar a bolsa na Indy. Sabe quem é o patrão dele desde então? Pois é, ele corre para a Tony Stewart Racing. Que coisa não?

4 comentários sobre “A busca pelo novo Tony Stewart

  1. acho que o problema é que tão apressando as coisas… o Clauson foi bem meia boca ano passado na Lights, causou alguns acidentes e o maximo que conseguiu foi um pódio. acho que valeria mais um ano por la.

    ja o Stewart é um daqueles genios do esporte que é rapido praticamente imediatamente ao sentar num carro.

    mas desejo boa sorte pro Clauson

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