O que esperar da F2 em 2012 e além

Kazimeras Vasiliasukas F2
Um dos grandes momentos da história da F2 foi Kazim Vasiliasukas ter se tornado o primeiro lituano a vencer uma corrida profissional internacional na história

Não é absurdo dizer que em três temporadas desde que a F2 retornou, a maior revelação da categoria tenha sido Kazim Vasiliauskas. O garoto, que completa 22 anos em 2012, disputou o certame entre 2009 e 2010, conquistando duas vitórias e a quarta colocação na classificação final como melhor resultado. De quebra, se tronou o primeiro piloto da história da Lituânia a vencer uma corrida profissional internacional.

Kazim ainda testou pela GP2, conseguindo algum destaque com o carro da Trident. Ficou no meio do bolo, mas o esperado para um novato. Apesar desse destaque, a carreira do garoto não continuou. Com problemas de patrocínio em uma época de recessão econômica, Vasiliauskas acabou escolhendo seguir os estudos na faculdade de direito ao invés de bater de porta e porta na busca por um investidor.

Em termos competitivo, foi uma pena, já que ele parecia ser um piloto acima da média. Entretanto, nada impede que Kazim retorne às pistas depois de concluir os estudos, mesmo que pensar na F1 como objetivo tenha se tornado algo inviável. A história de Kazim, no entanto, é um resumo fiel do que foi a F2 nestes três primeiros anos.

A categoria de base da FIA começa a temporada 2012 neste final de semana, em Silverstone, contando com a presença de 16 pilotos. Um grid enxuto em relação aos últimos anos, mas nem por isso menos interessante.

A história do garoto lituano que venceu corridas e se tornou famoso no mundo todo tem grandes chances de se repetir. Por exemplo, David Zhu pode se tornar o primeiro piloto chinês a conquistar um título internacional desde o triunfo de Ho-Pin Tung na F3 Alemã. Ou então Mihai Marinescu pode acabar com a fama de eterna promessa da Romênia e torna-se um dos principais pilotos das categorias de base.

Apesar disso, as duas histórias mais interessantes talvez sejam de Kourosh Khani (favor não confundir com Kasey Khane) e Axcil Jeffereis. Quem poderia imaginar que um piloto do Irã e outro do Zimbabué (!!) estariam presentes no grid? E, melhor, ambos são realmente bons pilotos e devem brigar pelas vitórias ao invés de fazer figuração no fim do grid.

Axcil Jefferies F2
Um piloto do Zimbabué na F2 e com chances de bons resultados. Tem como ser mais legal?

A presença desses pilotos mostra aquele que talvez tenha sido o maior sucesso da F2 nesses três anos de existência: a possibilidade de permitir que atletas de países com pouca tradição no esporte a motor pudessem competir em um campeonato mundial. Com o baixo custo de uma temporada, Khani, Jefferies e Vasiliauskas puderam ganhar experiência e pilotarem em algumas das principais pistas do mundo.

Assim, o grande problema talvez seja como avaliar a F2 após esse tempo. Se pensarmos em termos de preparar pilotos para a F1, foi um fracasso, já que apenas Jolyon Palmer – filho do dono da categoria – conseguiu progredir para a GP2. Por outro lado, se levarmos em conta que o certame permitiu que garotos de diferentes países pudessem se desenvolver para os alguns dos maiores campeonatos do mundo, então a categoria fez seu trabalho. Afinal, seus pupilos já são vistos na disputa da Le Mans Series, do Mundial de Endurance, da Porsche Supercup, do GT1 e até mesmo do DTM.

Essa indefinição de a F2 revela pilotos para correm aonde, na realidade, tem prejudicado até mesmo os campeões da categoria. Em 2009, Andy Soucek levantou o caneco e esperava conseguir fechar algo com a F1. O espanhol fez de tudo para garantir uma vaga na Williams, mas o time inglês optou por Nico Hülkenberg, que vencera a GP2, além de Rubens Barrichello. Soucek ainda assinou com a Virgin para a vaga de piloto de testes, mas logo percebeu que a função de aspone servia praticamente como fachada. Depois disso, rodou F-Superleague e esse ano esteve inscrito para correr no GT1.

Dean Stoneman foi o campeão de 2010, mas o britânico não conseguiu dar prosseguimento à carreira. Contando sempre com um orçamento apertado para competir, o piloto parecia usar o título para conseguir finalmente dar um grande passo na carreira ao acertar com a ISR para ser companheiro de Daniel Ricciardo na World Series by Renault, mas um câncer descoberto dias antes do início da temporada frustrou os planos do garoto. Agora, recuperado, Dean não conseguiu retornar à WS e ainda viu uma vaga praticamente certa na Andretti, para correr na Indy Lights, ser praticamente tomada por Sebastian Saavedra e por Carlos Muñoz.

O último dos campeões da F2 foi Mirko Bortolotti, que sumiu após a conquista.

Andy Soucek F2
Mesmo com o título da F2, a carreira de Andy Soucek não decolou

Com esse histórico em mente, é difícil julgar o sucesso da F2. O que atrapalhou esses garotos parece ter sido justamente o nome da categoria. O número ‘2’ leva a entender que é um campeonato pré-F1, mas o certame, quando muito, parece valer como uma alternativa mais barata à F3. Não é por acaso que Stoneman, que usaria o título como trampolim para a World Series, seria o campeão de maior sucesso se não fosse o problema de saúde.

Se a F2 tivesse o nome, por exemplo, de F-Williams talvez essa confusão não tivesse acontecido. Entretanto, o campeonato poderia não teria o mesmo apelo que tem e correria o risco de grids cada vez menores e mais fracos. Por outro lado, a categoria poderia se apoiar no treino dado ao campeão – que disputa o Treino dos Novatos da F1 pela Williams –, para continuar reunindo um grid talentoso. Em 2012, por exemplo, Alex Fontana (F3 Espanhola), Mathéo Tuscher (F-Pilota China) e Dino Zamparelli (F-Renault BARC) foram campeões dos torneios em que disputaram no ano passado, o que evidencia ainda uma forte procura pela categoria.

Assim, se esse problema de identidade for ignorado, é possível afirmar que a F2 até conseguiu revelar alguns bons pilotos para o automobilismo. Para encerrar o post, o World of Motorsport listou de forma resumida o que aconteceu com os dez primeiros colocados da temporada inaugural de 2009.

Kazim Vasiliauskas F2
Apesar de não ter seguido carreira no esporte a motor, Kazim Vasiliauskas foi o grande destaque da F2 até aqui

10) Nicola de Marco – ficou na categoria até 2010 e depois sumiu.
9) Milos Pavlovic – o piloto sérvio faz aparições esporádicas no GT1. Está confirmado para 2012
8) Philipp Eng – um dos destaques da temporada de abertura, o austríaco ficou na F2 até 2010, depois disputou o ADAC GT no ano passado e agora está confirmado para correr na Porsche Supercup
7) Kazim Vasiliauskas – deixou a F2 em 2010 e agora estuda direito na Lituânia
6) Tobias Hegewald – disputou a F2 em 2011 depois de correr na GP3 em 2010. Não teve sucesso em nenhuma. Ninguém sabe o que fará neste ano
5) Julien Jousse – correu na F-Superleague e se estabilizou como um dos pilotos da Pescarolo no endurance
4) Mirko Bortolotti – correu na GP3 em 2010 e voltou à F2 em 2011, quando foi campeão antes de sumir. Foi dispensado dos programas de desenvolvimento da Red Bull e da Ferrari
3) Mikhail Aleshin – voltou para a World Series by Renault, onde foi campeão em 2010. Tentou a GP2, não deu certo e mais uma vez está no grid da WS
2) Robert Wickens – depois do vice-campeonato da F3, foi vice-campeão da GP3 e levantou a taça na World Series. Sondou a Marussia para correr na F1, mas, preterido por Charles Pic, acabou fechando com a Mercedes para o DTM
1) Andy Soucek – tentou ser piloto de testes da F1, correu na F-Superleague, no GT1, mas ainda não se encontrou

Portanto, de uma forma geral, se ignorarmos o fracasso em termos de F1, não dá para dizer que todos naufragaram na carreira. Alguns pilotos conquistaram títulos e bem ou mal conseguem viver profissionalmente no esporte a motor.

P.S.: caso você queria conferir os 16 inscritos para a temporada 2012 da F2 basta clicar aqui.

P.S.2: ao que tudo indica, Axcil Jefferies não vai participar da rodada de Silverstone e  provavelmente também esteja fora da temporada. Portanto, retiro tudo o que disse nesse post, a F2 é a pior categoria do mundo e não deveria existir.

3 comentários sobre “O que esperar da F2 em 2012 e além

  1. Pense bem: você está ELOGIANDO a Fórmula 2.

    Sério, estou ficando preocupado com sua visão de automobilismo de base. Achar a WSbR algo decente até dá para perdoar nas coxas, mas a categoria do Mosley não merece elogio algum.

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  2. Caro Filipe,

    Acho muito legal o seu blog, pois através dele ficamos sabendo das noticias das categorias de base do automobilismo e sobre a trajetorias das revelações e promessas pelos quatro cantos do mundo.
    Continue assim.
    Entretanto, gostaria de lhe dizer para dar uma ‘garibada’ no seu trato, com a ultima flor do Lacio, pois às vezes fica meio dificil de entender o que você quer dizer.
    Como no artigo acima, por exemplo, nas passagens:
    “Essa indefinição de a F2 revela pilotos para correm aonde, na realidade, tem prejudicado até mesmo os campeões da categoria”
    e “Entretanto, o campeonato poderia não teria o mesmo apelo…”
    Ja pensei em escrever outras vezes, pois esses deslizes são frequentes e penso que um pouquinho de atenção na revisão pode resolver.
    Espero que tome isso como uma critica construtiva.

    Flavio Torre

    ps.: desculpe a falta de acentos, mas no meu teclado alguns simplesmente não existem

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