O que se passa no Bahrein?

GP do Bahrein
Há muito achismo e pouca interpretação real dos fatos sobre o que acontece no Bahrein. E isso acontece dos dois lados

Ao menos por enquanto, o longo imbróglio envolvendo o GP do Bahrein terminou, e a FIA confirmou a corrida marcada para o próximo final de semana. De todos os argumentos usados tanto por quem é contra quanto por quem é a favor da prova, algo dito por Bernie Ecclestone faz sentido: ninguém sabe o que acontece no país asiático.

A verdade é que a grande maioria das informações que chegam sobre o Bahrein é intermediada por jornalistas que estão na Europa, nos Estados Unidos e até mesmo na China, onde a F1 corre neste domingo. Então, como consequência, ninguém consegue afirmar com 100% de certeza o contexto social em que os protestos estão acontecendo.

Para exemplificar, farei uma analogia à Marcha Contra Corrupção, que aconteceu no ano passado em algumas cidades brasileiras. Para quem não sabe, em algumas datas de 2011 – muitas delas em feriados –, alguns protestos foram marcados pelas redes sociais onde principalmente jovens se mobilizaram para saírem às ruas contra os constantes escândalos políticos brasileiros.

A primeira manifestação foi um sucesso. Em várias capitais, as pessoas saíram às ruas, e o protesto ganhou destaque tanto na mídia nacional quanto na internacional.

Só que o movimento acabou perdendo força. Os organizadores passaram a marcar novas ações para horários como 9h da manhã em um feriado de 12 de outubro. Como resultado, o protesto ficou esvaziado. Evidentemente, as autoridades interessadas diminuíam o número de presentes dizendo algo como “tinham no máximo 20 pessoas”. Enquanto, nas redes sociais, quem fez parte do movimento jurava a presença de centenas e centenas de manifestantes.

Embora tenha havido esse tipo de discordância quanto ao número de participantes, a verdade é que os demais eventos não conseguiram chegar perto da primeira manifestação. No entanto, imagine se, por exemplo, os organizadores tivessem filmado tudo o que aconteceu. Obviamente, com um viés de quem quer exaltar o que está acontecendo, os pontos negativos do momento não seriam retratados.

Em seguida, essas imagens ganhariam o Brasil e o mundo, e quem não esteve presente no protesto poderia acreditar que a manifestação foi um sucesso. E não foi. Tanto que ninguém mais fala em Marcha Contra Corrupção, e os políticos conhecidos como adeptos dessa prática continuam no poder.

Voltando ao Bahrein, ninguém pode garantir que isso não esteja acontecendo. E se todas as informações sobre protestos e atentados, na realidade, são plantadas por um grupo de alguns ativistas, que realmente são contra a corrida e ao governo monárquico? É difícil chegar a qualquer tipo de conclusão, já que não é possível confirmar o que se passa por lá.

Os manifestantes, obviamente, têm todo o interesse em mostrar que não há condições de se fazer a corrida. Por outro lado, o governo e grandes empresários sabem que seus negócios serão prejudicados caso não haja prova, então eles querem que Bernie Ecclestone saiba que o Bahrein está em condições de receber a F1, mesmo que a realidade seja bastante diferente.

Assim, acredito que qualquer pessoa que more no Bahrein sabe muito bem se há condições ou não de uma corrida de F1. Do mesmo jeito, qualquer pessoa de fora do país não sabe.

Dito isso, é natural pensarmos o que a FIA fez nesses últimos meses. Afinal, com a crise no Bahrein acontecendo desde o ano passado, por que a entidade não colocou alguém independente no país asiático para realmente saber o que se passa por lá? Fácil, porque eles não têm interesse. A vontade deles é que a corrida aconteça, independente da situação política do local.

Para encerrar, há algo verdadeiro em toda essa situação. É inegável que mesmo com Bernie afirmando que a F1 não pretende se meter com a política do Bahrein, a categoria está fazendo isso. A partir do momento em que os ativistas asiáticos consideram o fato de haver corrida como um apoio à monarquia, não tem como separar o evento esportivo de uma espécie de comício pelo governo.

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