Mario Andretti Newman/Haas
O carro alvinegro da Newman/Haas é facilmente reconhecido por uma geração. Ver a Indy sem ele e sem a Newman/Haas é como se faltasse algo

Nesta segunda-feira, dia 13, a Indy fez a apresentação oficial para a temporada 2012 da categoria. Entre os destaques, evidentemente, estão o retorno da concorrência no fornecimento de motores (agora com Honda, Chevrolet e Lotus) e o novo carro da Dallara.

A festa deve ter sido bem legal para quem esteve lá, mas acompanhá-la pela internet foi bastante chato. Bom, paciência, né? São ossos do ofício, diriam por aí.

Eu aproveitei o marasmo da apresentação para continuar a ler a biografia do Paul Newman. Eu gosto de cinema, juro, mas a única razão para ter comprado o livro foi para ver como nasceu a Newman/Haas e quais histórias curiosas a equipe tem.

E a biografia aborda bem esses aspectos, mesmo eles ficando em segundo plano na história. Por exemplo, eu não sabia como a equipe tinha surgido. Tanto Paul Newman quanto Carl Haas tinham carros na Can-Am, na década de 1980, mas eram rivais. Sequer eram amigos. Um dia Haas ligou para o ator e fez a proposta de montarem uma esquadra.

A conversa foi mais ou menos assim. “Paul, estou querendo montar uma equipe para correr nessa tal de Indy, o que você acha?” – “Não sei, estou ficando velho. Estou cansando dessa coisa de ser dono de equipe. Fica para a próxima, tudo bem?” – “E se eu disser que Mario Andretti vai ser o piloto?” – “Onde que eu assino?”

Em outro capítulo, o livro conta o dia em que Paul Newman levou o diretor John Huston para uma etapa em Portland. Como o ator era a personalidade mais famosa das garagens da Indy, ele tinha o melhor lugar ver a corrida. No entanto, nada disso convenceu Huston, que se levantou antes da metade da prova e foi embora reclamando de como o esporte a motor era entediante.

Paul Newman Mario Andretti
Carl Haas foi bastante talentoso ao arquitetar uma equipe que reunia Paul Newman e Mario Andretti

Por que estou contando isso? Por nada, na verdade. Mas aproveitando que a Indy fez a apresentação da temporada 2012, vale o gancho para lembrar que a Newman/Haas não estará no grid.

Por conta dos problemas que a equipe vinha tendo para arrumar patrocinadores e pela chegada do novo carro, Carl Haas decidiu abrir mão de disputar o campeonato, embora ainda garanta que o time existe e vai voltar às competições.

Mas a verdade é que a Newman/Haas acabou. A equipe sempre foi centrada na figura do Paul Newman – e isso foi dito em entrevista pelo Cristiano da Matta –, que exercia uma função central na hora das negociações. Por mais afastado que o ator pudesse estar das competições, todo mundo queria patrocinar a equipe dele. Dava status falar que investia no time de Paul Newman. E tanto ele quanto Carl Haas eram espertos. Ofereciam aos patrocinadores pacotes bastante atrativos, contando com os Andretti, Mansell e um Fittipaldi.

O sucesso da equipe – em maior ou menor escala – durou até 2007. No ano seguinte, duas notícias fizeram com que as coisas mudassem completamente. A Indy absorveu o que sobrou da ChampCar, enquanto Newman foi diagnosticado com câncer na laringe.

Como o diagnóstico veio apenas no mês de maio, já havia dado tempo para que a equipe se rearranja-se após a união das categorias. Não é por acaso que o time contou com uma dupla bastante promissora formada por Justin Wilson e por Graham Rahal. Os dois venceram naquela temporada, sendo que o americano terminou na frente justamente na corrida de estreia na categoria.

Graham Rahal
Graham Rahal chegou à Newman/Haas já em clima de fim de feira. Mas conseguiu vencer uma corrida na Indy, que foi o último grande feito da equipe

Newman morreu no dia 26 de setembro de 2008, o que acelerou o processo do fim da Newman/Haas. Desde então, Haas teve dificuldade de negociar com as empresas, e o time foi obrigado a recorrer a pilotos pagantes de qualidade questionável para continuar existindo.

Na temporada passada, Oriol Servià e James Hinchcliffe formaram uma dupla bastante interessante e quase conseguiram levar a Newman/Haas de volta às glórias. Mas esse ano foi um ponto fora da curva. O piloto canadense por exemplo, não participou da primeira etapa do campeonato porque ainda buscava o orçamento necessário para disputar o ano todo. E quase que ele não veio para a etapa no Brasil.

Com tantas dificuldades, Carl Haas resolveu parar as coisas na sede em Lincolnshire e reestruturar a equipe. No fim das contas, é algo positivo. Foi ele quem arquitetou a criação da Newman/Haas ao juntar nomes como Paul Newman e Mario Andretti sob o mesmo teto. Agora está na hora de ver o que a equipe tem e o que pode fazer no futuro.

E é algo justo na verdade, a Newman/Haas foi uma das principais equipes da sua época, mas não dá para passar a eternidade dependendo da fama de um ator que vai ficando cada vez mais desconhecido para as novas gerações.