A transposição do autódromo de Goiânia

Projeto do autódromo de Goiânia
Querem fazer com o autódromo de Goiânia o que fizeram com o Rio São Franciso: transpor. Espero que dessa vez não tenha ninguém fazendo greve de fome

Automobilismo brasileiro nunca foi o assunto preferido a ser tratado aqui neste blog. Por alguns bons motivos, nós sabemos o nível que as competições daqui se encontram e é difícil arranjar alguns bons destaques para escrever sobre. No entanto, hoje será um pouco diferente e o mote deste post é o autódromo de Goiânia, ou melhor dizendo, futuro autódromo de Goiânia.

Para quem não sabe, o circuito existente atualmente no Goiás será transposto. Mais ou menos aquilo que pretendiam fazer com o Rio São Francisco um tempo atrás. Ao invés da água do Velho Chico, querem tirar a pista de um lugar e levar para outro, a 7 km de distância. É claro que para fazer isso precisa demolir em um lugar e construir a partir do zero no outro. No terreno antigo, absurdamente valorizado, será construído um condomínio de luxo.

A ideia até aqui já é estranha. Tentei puxar aqui pela memória – e me corrijam se estiver errado –, mas não me lembro de nenhuma pista ter sido transposta até hoje. Normalmente, quando o autódromo não é mais lucrativo e é melhor usar o terreno para outro fim, dificilmente o circuito é novamente erguido. Jacarepaguá que o diga.

Só que essa mudança de local de palcos de eventos esportivos é algo que está na moda. Em Barcelona, por exemplo, o estádio do Sarrià, onde o Brasil perdeu a copa de 1982, veio abaixo para sanar alguns problemas financeiros do Espanyol, clube que o tinha como propriedade. Com o dinheiro, o clube construiu uma das mais modernas arenas multiuso da Espanha, embora a qualidade da equipe ainda seja questionável.

Aqui no Brasil, mesmo, acontece algo parecido. O Grêmio negociou com uma construtora a venda do estádio Olímpico para a construção de um moderno shopping. A construtora, então, está construindo em um local um pouco mais distante um dos estádios mais modernos do país que, pasme, não irá fazer parte da Copa do Mundo (e por isso parece ser um investimento mais certo).

Mas no caso de Goiânia, algo chama a atenção. O objetivo será realmente mudar a pista de lugar, mantendo o traçado praticamente inalterado. Salvo uma atualização ou outra no que diz respeito à segurança, as grandes obras devem ser mesmo na infra-estrutura do local. Parece-me muito estranho mudar uma pista de local, mas exigir veementemente que o traçado permaneça igual. Ora, se é para reerguer um circuito ao invés de reformar, não seria mais fácil transformar em uma arena com o que tem de mais moderno – e não necessariamente caro – no quesito esportes a motor?

Pois bem. Para fazer a obra da transposição da pista chamaram Hermann Tilke, o responsável pelas maravilhas arquitetônicas das pistas de Abu Dhabi, Bahrein, China, Coreia do Sul, Malásia, entre outras, e que são extremamente chatas sem asa móvel ou pneu Pirelli que se esfarela.  Alguém mais atento pode até contestar e dizer que isso tudo faz sentido. Afinal, a pista está a salvo, já que não é para mexer no traçado. Então, não tem como o Tilke estragar tudo.

Ok, mas vejam só. Vão ter o trabalho de transpor a pista de lugar, construir uma infra-estrutura de ponta a 7 km de distância, recriar a pista idêntica e para tudo isso ainda chamam alguém como o Tilke – cujo ‘cachê’ não deve ser nada módico –, tudo isso para construir um condomínio de luxo em um terreno privado? Só eu acho isso estranho?

Além do mais, sejamos francos, Goiânia já deixou de ser um pólo de automobilismo faz tempo. É de estranhar um governo estar tão empenhado em uma obra desse porte para receber, no máximo, Stock Car e F-Truck. Até porque os caminhões já correm por lá.  Ah sim, a F-Superleague diz que vai correr por lá. Eles dizem, também, que a prova será esse ano. Então, portanto, será ainda no autódromo velho..

8 comentários sobre “A transposição do autódromo de Goiânia

  1. Não acredito que o Goianiense não goste de automobilismo, acredito que não existe insentivo algum. Nos estados do sul uma prova é anunciada com meses de antecedência em todas as mídias, todo mundo se prepara para prestigiar. Aqui a imprensa anuncia no máximo um dia antes, quando não mostra apenas alguns flashs do evento no dia seguinte ao ocorrido. A paixão pelo automobilismo ainda acho que só perde para o futebol, o que falta é iniciativa para trazer o público.

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  2. Não acredito nessa obra em curto prazo, longe disso, o estado atravessa problemas financeiros e de infra-estrutura a anos e não tem como arcar com uma obra dessas, assim sendo permutou essa obra, construam um novo e eu cedo a area do velho, assim como o estadio do Gremio. A Antiga AGETUR hoje GOIAS TURISMO tem planos para trazer de novo aos goianos o automobilismo de ponta, mas como promover um evento de grande porte em um circuito com estrutura defesada apesar de um ótimo traçado elogiado por 9 em cada 10 pilotos que correm em seu traçado. E a tal dita poluição sonora não deixa nossos pobres milionários sossegados aos finais de semana em suas pobres residencias, que hoje são vizinhos de luxo de um autodromo feio. Sendo assim é melhor (se conseguirem), deixar os pobrezinhos descançando em santo lar e fazer barulho bem longe, não só a sete km, é bem mais longe do centro urbano.

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  3. Felipe, Goiânia cresceu muito e o que tem de rico (leia-se milionário) querendo um lugar de luxo para morar não é brincadeira. As construtoras fazem uma pressão enorme para construir no local do autódromo, que está ao lado do condomínio mais luxuoso de Goiânia, o Alpha Ville. Os moradores também reclamam do autódromo naquele local, como se o condomínio estivesse lá antes. Mas como só tem poderoso morando lá, o governo cedeu. Então a explicação para tirar o autódromo de lá é essa.

    Sobre o “novo” autódromo, o atual governador, Marconi Perillo, é famoso por prometer grandes obras e não cumprir nenhuma. Então não coloco muita fé que essa transposição vai sair. Seria legal termos um novo e moderno autódromo aqui, podendo no futuro receber provas da WTCC e outras grandes categorias. Só que eu também acho que o público goianiense não curte muito automobilismo. Já curtiu mais.

    Quando se pensa em projetista de circuito a única pessoa que passa na cabeça desse povo é o Tilke. Por mim, colocava o Di Grassi para desenhar um novo traçado, para quem sabe receber provas maiores. Sairia bem mais barato.

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  4. Realmente essa história tá me cheirando a picaretagem da brabá ainda mais a iniciativa partindo do nosso excelentíssimo governador Marconi “cala imprensa” Perillo. No entanto, concordo com o comentário abaixo que apesar de tudo ainda temos um resquício de automobilismo aqui em Goiás atrás apenas do sul e de São Paulo acredito.
    De qualquer maneira uma coisa temos de dar o braço a torcer: só de não deixarem o tal do Tilke nem fazer a maquete da pista já ganharam um pouco mais de simpátia em relação ao projeto.

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  5. Parabéns pelo blog… e já que o sr. citou o time que me toca ao coração (embora esteja uma porcaria), vale ressaltar que o Olimpico só “passará para as mãos” da construtura,quando a arena estiver terminada. Diferente do mais novo time sem estadio de São Paulo, que pelo menos já ganhou uma Libertadores hehehehe.

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  6. Parabéns pela ótima matéria, só não concordo com você que Goiás não seja mais um pólo do automobilismo. Eu acho, claro essa é minha opinião, que nosso estado só fica atrás de São Paulo e dos estados do Sul, no que diz respeito ao esporte a motor, claro podemos contar Minas Gerais mais pelo off-road. O regional de Marcas e Pilotos aqui é bem disputado com grids bem cheios, campeonatos de karts estão entre os mais disputados do Brasil, é só perguntar quem conhece, temos também a motovelocidade que apesar das condições do autódromo também andam aqui, alem do pessoal das arrancadas que utilizam à boa reta com segurança. O fato de estarmos a menos de 200 km de Brasília nos possibilita termos dois autódromos bem próximos, apesar dos dois estarem em péssimas condições de uso, a turma do DF vem muito para Goiânia assim como o pessoal daqui vai para lá. Temos ainda o pessoal que anda nas ruas de cidades do interior com kart e com os F200, que fogem da federação goiana para não serem extintos. O problema aqui não é a transformação do autódromo em condomínio de luxo, e sim que o atual autódromo foi cercado de notórios e ricos vizinhos, que quando compraram ou construíram suas casas já sabiam da existência de um autódromo, mas por serem Juizes, Promotores, grandes advogados, políticos e outros, conseguem parar a as reformas e ate mesmo alguns eventos a motor. Por todos esses condomínios chiques vizinhos é que o metro quadrado do autódromo subiu aos astros, estimasse que vala mais de 500 milhões de Reais, como vão gastar bem menos para construir um novo, falam em 150 milhões, acho que vai dar para ganhar um graninha. Eu concordo com esse negocio da China, desde que o novo autódromo seja passado para iniciativa privada, já que o estado provou que não consegue manter. Obrigado!

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  7. Formula Superleague aqui em Goiânia este ano? Será que eles sabem que não existe autódromo aqui? O autodromo de Goiânia é só mato! A Truck correr aqui tudo bem, afinal, são caminhões, tudo sem frescura mesmo, mas um carro como os da Superleague? Impossível!

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