Matt Kenseth
Matt Kenseth apostou na tática de dois pneus e venceu em Dover pela segunda vez na temporada. Aliás, nem no título de 2003 Kenseth venceu duas vezes

Analisar a corrida de Dover da Nascar Sprint Cup já sabendo o resultado é muito fácil. Apenas preciso dizer que quem optou por trocar os quatro pneus na última bandeira amarela jogou fora o resultado. Se você não viu como foi a prova, ou quiser relembrar, basta clicar aqui.

Em resumo, choveu para caramba em Dover, durante o final de semana, e os carros não tinham aderência nenhuma. Então, ficou muito difícil ultrapassar. Levando isso em conta, faltando umas 40 voltas para o final, Juan Pablo Montoya bateu e chamou a bandeira amarela. Na dúvida, os pilotos foram para os boxes e os líderes optaram por trocar quatro pneus. Outros pilotos trocaram apenas dois, avançaram à liderança e mesmo com pneus mais velhos não foram ultrapassados porque não tinha como.

Então, depois da corrida fica fácil tacar pedra na tática adotada por todos os líderes, já que essa aposta não deu certo. Só que é preciso lembrar, ainda, que a estratégia de trocar dois pneus durante a prova também não se mostrou algo acertado. Montoya mesmo, salvo engano, foi um dos que optou por fazer essa tentativa durante corrida e era cerca de 1s5 mais lento por volta em uma pista de 30s. Fazendo uma conta por cima, 30/1s5 por volta quer dizer que em 20 giros o cara se tornava retardatário.

Então para ser tão lento assim, não faria sentido para nenhum dos líderes arriscar um resultado para se arrastar na pista. Infelizmente, para eles, não foi isso o que aconteceu. Quem entrou nos boxes como líder foi Clint Bower, que retornou em sexto e ficou preso atrás de Brian Vickers – sem sequer ameaçar a posição – até o final da corrida. Portanto, não é exagero dizer que Bowyer, Carl Edwards, Jimmie Johnson, Kevin Harvick e Jeff Burton, que trocaram quatro pneus, perderam a corrida ao invés de falar em vitória de Kenseth.

Clint Bowyer e Matt Kenseth
Clint Bowyer perdeu a corrida em Dover, enquanto Matt Kenseth se aproveitou e venceu

Só que como dito acima eles não tinham muito que fazer. Por outro lado, a maior critica é na equipe de Richard Childress. Eles estavam com os três carros entre os cinco primeiros antes da parada e no final arremataram um sexto, um décimo e um 11º lugar apenas. Na Hendrick, por exemplo, Johnson perdeu, mas Mark Martin não parou, ficou na pista e terminou em segundo. Na Roush-Fenway, mesma coisa. Edwards parou e perdeu, Kenseth ficou e venceu.

Na RCR, os três pararam. Os três perderam. Não tinha como arriscar com um? Por exemplo, Jeff Burton não conseguiu um top 10 até agora, custava apostar em algo diferente? A Penske já cansou de vencer corrida na Indy em situações como essa. Quando o final de prova oferece duas táticas distintas, Roger Penske faz cada carro seguir uma e consegue um bom resultado de qualquer jeito. Fácil.

Antes de terminar, vale um dado curioso. Matt Kenseth tem tamanha aversão às vitórias que nem mesmo quando foi campeão em 2003 tinha triunfado tanto. Com duas conquistar em 2011, será que agora vai, hein?

A próxima etapa é as 600 milhas de Charlotte. É uma corrida muito legal que vez ou outra acaba com resultados surpreendentes. Por isso, dessa vez não vou apostar. Mentira, vou sim. Com base no que aconteceu até agora, a Roush é favorita. Para não descartar o fator surpresa, aposto então em Greg Biffle que não faz um bom 2011. Antes, é claro, tem o AllStar Weekend.