André Pedralli
André Pedralli é um dos novatos na temporada 2011 da F-Futuro

A temporada 2011 da F-Futuro começa neste sábado, dia 7, em Interlagos, cercada pela expectativa de conseguir revelar bons pilotos brasileiros para o mercado internacional. A importância do atual campeonato (e dos próximos anos) aumenta se levado em conta que a fase de Felipe Massa e Rubens Barrichello na F1 está nos últimos momentos e que faz dois anos sem estreias de brasileiros na GP2.

Se renovação é uma palavra chave para o campeonato da Fiat, o primeiro ano da categoria teve altos e baixos. Dos oito pilotos que disputaram o torneio todo, evidentemente, Nicolas Costa foi o que mais se destacou. O carioca, que conquistou o título e uma vaga na Academia da Ferrari, ainda venceria o torneio de inverno da F-Abarth antes de estrear com um pódio (por conta da regra do grid invertido) na categoria italiana, onde compete de forma integral pela Cram.

O restante dos pilotos, porém, acabou se perdendo. O vice-campeão Francisco Alfaya chegou a testar pelas principais equipes da F-Abarth, mas não conseguiu fechar acordo para fazer temporada 2011. Assim, depois de ter perdido o campeonato por apenas um ponto o gaúcho parece estar longe do automobilismo. A situação de João Jardim, terceiro em 2010, não foi muito melhor. Depois de fechar com a Interwetten para a disputa da F-Renault europeia, o piloto acabou sendo excluído do campeonato pela equipe ter desrespeitado a regra do uso do carro em outra categoria e, desde então, não deu mais notícias sobre o que irá fazer neste ano.

Ainda da geração 2010, Felipes Appezzato e Vini Alvarenga da mesma forma que não apareceram na pré-temporada de nenhuma categoria também não retornaram ao certame de Felipe Massa para mais um ano. Dessa forma, dos sete que disputaram a temporada inaugural do campeonato, quatro, até agora, não deram continuidade na carreira.

Os outros dois que ainda não foram citados optaram por fazer um segundo ano na categoria menor: Johilton Pavlak e John Louis (que, apesar dos nomes, são brasileiros). Pavlak, nascido no Rio Grande do Norte, parece ser o principal nome do início da temporada 2011 ao liderar quase todos os testes. Louis, por sua vez, deixou o posto de caçula e sensação de 2010 para precisar correr atrás da reabilitação da carreira mesmo estando apenas no segundo ano nos monopostos. Se no ano passado o paulista era tratado como uma das principais promessas do país, hoje já foi ultrapassado por quase uma dezena de nomes e precisa mostrar resultados para provar que a péssima adaptação aos carros não irá custar a carreira.

Johilton e John recebem em 2011 a companhia de 12 pilotos (segundo o site do Racing Festival, ou nove de acordo com a pista de Interlagos) na segunda temporada da F-Futuro. São recém-saídos do kart que tentarão desbancar os veteranos na briga pela vaga na Ferrari e pela bolsa para correr de F-Abarth no próximo ano.

Felipe Donato F-Futuro
Felipe Donato é um dos favoritos e candidato a revelação de 2011

O grid da nova temporada parece ser fortíssimo. Além dos dois citados, alguns dos principais nomes do kartismo brasileiro nos últimos anos estão presentes. Esse é o caso de Felipe Donato, André Pedralli e Guilheme Salas. Os três, aliás, vem mostrando rápida adaptação aos monopostos e a princípio justificam a alcunha de promessas que receberam. Nos treinos de hoje, Donato foi segundo; Pedralli, quarto e Salas, quinto.

O segundo colocado foi Victor Franzoni, que, assim como Nicolas Costa, já havia participado do torneio de inverno na F-Abarth e sondado a possibilidade de fazer a o certame italiano logo em 2011, mas que optou por ficar aqui no país devido à bolsa (80% do orçamento da F-Futuro pago) que recebera com premiação de uma conquista no kart no ano passado.

Por fim, Guilheme Silva aparece como uma surpresa na categoria. O atual líder da F3 Sudamericana, competindo pela poderosa Hitech é o primeiro piloto desde Luiz Razia a disputar simultaneamente duas categorias de níveis diferentes no Brasil. Mesmo com a sétima posição hoje, o mineiro disse estar se adaptando ao carro e, quem sabe, poder ter chances de brigar pelo título nas duas categorias. De todos, é o que apresenta a maior experiência internacional tendo competido e superado os principais nomes das gerações /94 e /95 do kartismo mundial.

Com os pilotos devidamente apresentados, as regras da F-Futuro em 2011 são as mesmas da última temporada. Como a palavra de ordem é o corte de custos, são disputadas apenas seis rodadas duplas, com uma série de treinos livres em todas elas. Ainda é pouco para quem quer fazer a transição do kart para os monopostos, mas é a melhor oportunidade que esses pilotos têm no Brasil se não optarem por passar o ano fazendo testes privados.

Guilherme Silva F-Futuro
Nem mesmo o currículo extenso de Guilherme Silva evitou que o piloto cometesse um erro em Interlagos

O grid de 11 carros  (14 segundo o site oficial) reflete o crescimento da categoria. Mesmo com o kartismo em baixa nos últimos anos, a F-Futuro terá ao menos nove novatos este ano. Não é um grid assombroso, mas é competitivo em relação aos demais campeonatos do mundo. Levando em conta apenas os certames que abrigam pilotos saídos do kart, o número de participantes não é tão pequeno assim.

A F-Ford inglesa tem 16 participantes. A F2000 americana tem 28 inscritos, mas a metade disputa na categoria Masters (para senhores amadores experientes). A F-Abarth emplacou 20 no certame italiano e apenas 14 no europeu. A nova F-BMW tem 15 representantes. A F-BMW da Suíça compete com os mesmos 11 carros. Na F-Renault inglesa são 12 os inscritos. A F-BMW Asia (JK) tem 15 atletas, enquanto a USF2000 os mesmos 11 daqui do Brasil. Apenas campeonatos maiores como a ADAC Masters (24), F-Renault Europeia (36), F-Renault BARC (22) e F4 Francesa (21) apresentam um número muito maior de inscritos.

Com esses aspectos explicados, fica claro que o grande desafio da temporada 2011 da F-Futuro será permitir que os meninos saídos do kart tenham condições de se estabilizar nos monopostos e consigam ganham experiência ao mesmo tempo em que consigam construir os próximos passos da carreira já pensando no futuro. Afinal, não adiante nada termos um grid competitivo comparado aos dos demais campeonatos mundiais se nossos pilotos ficam a pé depois de apenas um ano.