A.J. Allmendinger
A.J. Allmendinger finalmente encontrou a boa fase na Nascar. Mas antes...

Final de semana sem a Nascar é difícil para o blog porque segunda-feira não tem assunto nenhum para escrever aqui. Aí eu acabo tendo que enrolar um pouco aqui e fingir que realmente teve algo de útil ou relevante.

Antes que alguém alerte que teve a corrida Truck Series com os brasileiros, eis um rápido comentário. A corrida foi ruim. A única diversão foi ver Cole Whitt disputar com Kasey Kahne. O novato foi bem, mas a péssima paradas nos boxes acabou com as chances do garoto, assim como a diversão da prova. Os brasileiros, por sua vez, foram bem. Bem mal. Miguel Paludo foi envolvido em um acidente, enquanto Nelsinho Piquet se envolveu em outro(s dois).

Pronto, agora que já falamos da corrida, vamos ao que não interessa. Como esse post já está cheirando a Red Bull (com Kahne e Whitt), o jeito é continuar pelos lados rubrotaurinos.  Depois de três corridas da Nascar Sprint Cup, um dos destaques da temporada tem sido A.J. Allmendinger, que corre com o simbólico carro número 43, usado por Richard Petty, que, aliás, é patrão do piloto.

Allmendinger tem uma carreira cheia de altos e muito baixos. Ele começou bem. Venceu a Skip Barber e a F-Atlantic, na sequência, e descolou uma vaga na Champ Car, em 2004, pela fraca RuSport. Na ocasião, a categoria era carente de ídolos americanos e dominada por Sebastien Bourdais. Se ninguém dava nada pelo piloto, rapidamente ele impôs respeito. Levando em conta o desempenho em média, A.J só não era melhor que Bourdais.

 

A.J. Allmendinger
O legal do carro do Allmendinger na RuSport é porque era impossível não ver na pista. Imagina amarelo e branco iluminado

Na primeira temporada, A.J. conquistou dois pódios e terminou na sexta colocação. Mesmo com um time modesto, finalizou na frente de gente como Jimmy Vasser, Ryan Hunter-Reay e o também novato Justin Wilson, além de ter destruído o companheiro de equipe, o experiente Michel Jourdain Jr, somando 44 pontos a mais que o mexicano.

Depois desse ano de alta, claro, um momento de baixa. Em 2005, a equipe trouxe Justin Wilson para o lugar de Jourdain e o inglês deu uma surra no garoto. Na verdade, o desempenho do Allmendinger no geral foi melhor, mas ele abandonou demais e, para piorar, o ex-piloto da F1 venceu duas vezes e terminou na frente na tabela.

No ano seguinte, as coisas se normalizaram. A Forsythe teve a ‘brilhante’ ideia de contratar Mario Domínguez. Em três corridas decidiram dispensar o rapaz e trouxeram o Allmendinger. Foram quatro vitórias e ele virou ídolo americano. Praticamente a ChampCar, que sempre foi esquecida nos EUA, principalmente depois da ida das principais equipes para a IRL, passou a ter um grande interesse. Sabendo disso, A.J. fez a decisão mais sensata do mundo: falou que ia para Nascar – correr pela equipe da Red Bull que estrearia no turismo ameicano no ano seguinte – uma etapa antes de terminar a temporada.

Só que é claro que o piloto anunciou essa mudança de categoria em plena negociação de renovação de contrato. Como resultado, foi barrado pela equipe antes da etapa final e é claro que Greg Forsythe não o quer ver pintado nem de dourado. Para piorar, na Nascar, o piloto não se classificou para as primeiras quatro corridas e a situação foi assim ao longo do ano de 2007. Correu somente 17 das 36 etapas, menos da metade portanto. Só que uma melhora nas últimas corridas fez parecer que em 2008 seria mais promissor.

Não foi. Novamente ele não se classificou para as primeiras três  provas e, como consequência, recebeu um gelo da Red Bull, que o afastou. Allmendinger ficou longe da pista até a nona etapa e voltou com um belo sorriso e duas batidas seguidas. Claro que isso não agradou em nada os energéticos.

Então teve a corrida do All Star Open, que é a preliminar do Nascar All Star – um evento milionário que acontece em Charlotte. E como tudo acontece com Allmendinger, ele ganhou o Open. Foi a primeira vitória da Toyota na Sprint Cup, ainda que não tenha valido pontos.

A.J. Allmendinger wins Sprint Showdown
Ninguém esperava, mas A.J. Allmendinger conquistou a primeira vitória da Toyota na história da Sprint Cup

O triunfo o garantiu na Red Bull por mais um tempo, só que no final da temporada não teve jeito. Com Scott Speed já contratado para substituí-lo, ele foi chutado depois da etapa do Kansas, quando conseguiu um bom nono lugar. E a demissão pesou bastante porque aquele momento de boatos e negociações já tinha passado, então as equipes estavam com os planteis formados para a temporada seguinte.

Só que meio inesperadamente, Allmendinger recebeu uma proposta para correr no lugar do Patrick Carpentier na Evernham, nas últimas corridas de 2008, porque o canadense havia brigado feio com o chefe de mecânicos. Para entrar na vaga, A.J. não receberia nada, mas teria um lugar para correr na categoria.

Lembra aquela coisa de alto e baixo na sequência? Então. Ele fez as melhores corridas do carro número 10 no ano e algumas das melhores da carreira. A Gillete-Evernham foi negociar a renovação com o Allmendinger e eles foram bastante pontuais. Se tiverem patrocínio, renovam, caso contrário ele estará desempregado.

O pior nem era isso. A possibilidade de ficar sem emprego em 2008 era tamanha, que na família Allmendinger até o cachorro estava fazendo sucesso e ele não. Para quem não sabe, o Marley, do filme ‘Marley e Eu’, é a Misty Allmendinger, cachorrinha do piloto. É o cão grande do filme, mas não tão velho – quem viu vai entender a descrição.

AJ Allmendinger e Misty
Ignorem a mensagem engraçada, não tinha como apagar. Mas aí estão o astro de Hollywood e o piloto quase-desempregado

Aí a situação é bem interessante. O seu cachorro pode ganhar o Oscar e você foi dispensado por falta de patrocinador. Só que a sorte novamente mudou para o piloto. Meio que protegido por Richard Petty, ele conseguiu os investimentos necessários e completou o ano.

O desempenho no total foi tão bom que, em 2010, Allmendinger foi o escolhido para assumir o carro número 43. De quebra, conseguiu a primeira pole-position do número em dez anos, brigou pela vitória em algumas corridas e terminou o ano como principal piloto da equipe de Richard Petty, sendo um dos pilotos que mais pontuaram nas últimas dez corridas. Somado à isso, a Best Buy passou a investir no piloto, assim como a Valvoline.

Agora, em 2011, ele está em nono na tabela e mesmo que esteja cedo já está cotado para ser um dos participantes do Chase. Como a gente conhece o Allmendinger e os altos e baixos, melhor se preparar né…