O ano -1 de Fernando Alonso na F1

 

Fernando Alonso
Carro usado por Fernando Alonso na temporada 2000 da F3000. Tempos difíceis aqueles (clique para aumentar)

Um tempo atrás, eu fiz um post aqui no blog que falava o caminho percorrido pelos pilotos do grid da temporada 2010 da F1 até chegar à categoria – que você pode ler clicando aqui. Um dos destaques era Fernando Alonso, que, por diversos motivos, estreou no certame correndo pela Minardi ao lado do brasileiro Tarso Marques. Claro que pela fraca equipe italiana, o hoje bicampeão Alonso sofreu todos os tipos de problema de um time pequeno, como, por exemplo, um incêndio antes da largada de um GP.

Fernando estreou na F1 em 2001 e completou, na última semana, dez anos de categoria. Ele recebeu muitas homenagens – principalmente espanholas – e comemorou bastante a importante marca. Só que as dificuldades do asturiano para se estabelecer como um grande piloto começaram antes mesmo de chegar à F1 pela Minardi. Esses percalços do então ainda apenas promissor jovem das Astúrias é o motivo desse post. Falo do ano -1 da carreira do espanhol, isto é, a temporada que ele disputou na F3000 antes de fazer história na categoria principal

Em 2000, Alonso era o atual campeão da World Series by Nissan, que hoje corresponde à World Series by Renault. Só que o equipamento era bem diferente. Hoje a categoria espanhola corresponde a um caminho alternativo até mesmo a GP2, na ocasião, dificilmente levava alguém diretamente à F3000, a categoria de acesso à F1 na época. Ainda mais um garoto que mal tinha 18 anos, como era Fernando Alonso.

O espanhol saiu do kart, fez um ano de automobilismo e foi campeão da World Series pela Campos (sim, a mesma equipe que deu origem à Hispania). A Astromega, um razoável time da F3000, acabou contratando o garoto para fazer dupla com o experiente Fabrice Walfisch. Alonso  tinha alguns motivos para ser a escolha da equipe sediada na Bélgica: era promissor – e a Astromega gostava de apostar em garotos assim – e tinha um belo patrocínio da Telefónica.

 

Fernando Alonso Minardi
A Minardi de Alonso pegando fogo. Quem diria que ele sofreu para chegar aí

A F3000, na época, estava no auge. A categoria não só era o campeonato de acesso da F1, como também contava com inúmeros times da categoria principal. McLaren, Prost e Arrows tinham equipes junior. Apesar de não ser oficial, a Red Bull Junior funcionava com uma equipe escola da Sauber e a Petrobras Junior era uma espécie de Williams B. Curiosamente, essas duas equipes só tinham brasileiros. Enrique Bernoldi e Ricardo Maurício na primeira e Bruno Junqueira e Jaime Melo na segunda.

Junqueira, aliás, era o favorito para o campeonato e deveria ter o francês Stéphane Sarrazin, da McLaren Junior, como principal rival. Na realidade, Sarrazin mandou muito mal ao longo do ano e, em plena temporada, foi dispensado pelo time, que contratou Thomas Sheckter para o lugar. Já o brasileiro confirmou o favoritismo e entrou numa apertada disputa com Nicolas Minassian, da Super Nova, pelo título.

Curioso que Junqueira e Minassian não só eram companheiros de equipe, afinal a Petrobrás Junior era operada pela própria Super Nova, como os dois se tornaroam parceiros de fato, no ano seguinte, na Chip Ganassi, da CART.

Voltando a Alonso, o espanhol teve uma estreia bem difícil. É verdade que o nono lugar na prova de abertura, em Ímola, não foi ruim e a sexta posição no treino classificatório de Silverstone foi realmente positiva, embora o piloto tenha sido desclassificado da corrida por um irregularidade no motor. Em Barcelona, o apático 15º lugar na realidade mostrou um piloto bastante agressivo, mas muito longe da briga pelas primeiras colocações. Na corrida seguinte, em Nürburgring, o resultado foi um abandono e nova frustração.

Alonso começou a se destacar na difícil pista de Mônaco, quando terminou em oitavo e marcou a volta mais rápida da corrida. Na etapa seguinte, em Magny-Cours, o espanhol manteve o bom momento ao largar em terceiro e poderia conseguir um bom resultado se não fosse uma falha mecânica. O desempenho foi semelhante em Hockenheimring, mas o motivo do abandono foi um erro do próprio piloto na pista molhada.

Fernando Alonso F3000
O desempenho de Fernando Alonso na F3000 não era ruim. Só que não era diferente de nenhum outro jovem promissor

Nas primeiras oito etapas, o atual piloto da Ferrari só conseguiu somar um mísero ponto ao terminar a etapa da Áustria na sexta colocação, segurando justamente o líder do campeonato, Bruno Junqueira, que já havia vencido três vezes.

Como visto até agora, o desempenho de Alonso não era nada ruim para um novato, mesmo estando nas últimas colocações do campeonato com apenas um ponto. O que pesava contra o espanhol era o fato de outro novato, Mark Webber, da Arrows, ter somado 21 pontos nas mesmas oito etapas, com três pódios e uma vitória – logo na segunda corrida da carreira na categoria.

Vamos ser francos. Depois de oito corridas, Fernando Alonso não tinha feito nada demais que justificasse uma eventual contratação para subir à F1, levando em conta que devido à presença das montadoras na categoria, os pilotos pagantes não eram tão requisitados por equipes medianas. Por outro lado, claro que o bom desempenho colocou o asturiano em alta em equipes como a Prost, a Benetton e a Ferrari, mas isso é algo rotineiro que acontece com qualquer jovem com algum talento.

Histórias como essa de Alonso, a gente vê quase sempre no automobilismo. Por exemplo, Nick Heidfeld, campeão da F3000 de 1999, fez uma temporada bastante razoável quando estreou na categoria, no ano anterior, mas ficou mais um ano no certame para conquistar o campeonato. Esse seria o caminho natural do espanhol, até porque foi o de Webber. Entretanto, a temporada ainda não havia acabado.

A penúltima etapa foi disputada em Hungaroring e trazia a disputa pelo título rigorosamente empatada com tanto Junqueira quanto Minassian, com 38 pontos. Alonso aparecia um pouquinho mais atrás, com apenas um único ponto somado. A corrida teve a vitória do brasileiro, que precisou se segurar dos ineficazes ataques do espanhol – afinal estamos falando da travada pista da Hungria – que conquistar o primerio pódio na categoria. Minassian terminou em quarto e levou a decisão para Spa-Francorchamps.

 

Fernando Alonso
Este troféu, obtido na etapa da Bélgica, mudou a carreira de Alonso

Na etapa final do campeonato, na Bélgica, o clima na Astromega era outro depois do pódio de Alonso. O alto-astral predominava e a equipe parecia muito mais confiante. Walfisch já havia sido substituído pelo também veterano Marc Goosens, que iria correr em casa na prova decisiva.

Goosens estava impossível no treino classificatório. Correndo na frente da torcida e em uma equipe belga, o piloto conseguiu um excelente segundo lugar no grid de largada. Uma festa para Astromega a não ser um pequeno detalhe: Fernando Alonso foi o pole-position. Com a dobradinha, o time estava efusivo.

Na briga pelo título, Junqueira teve problemas no motor e não foi além do sétimo lugar. Minassian precisava vencer a corrida e estava muito agressivo. Largou em oitavo e rapidamente avançou ao terceiro posto, precisando apenas superar os carros da Astromega. O francês até tentou alcançar Goossens, mas não teve jeito e a torcida brasileira pôde comemorar o título. A vitória, claro, ficou com Alonso.

Na batalha entra os dois novatos, como dito anteriormente, Webber vencia por 21×1 depois de oito das dez etapas do campeonato. Com as duas provas finais, o australiano ainda se manteve em vantagem, mas o placar ficou em um apertado 21×17. O atual piloto da Red Bull terminou o campeonato em terceiro, enquanto o rival da Ferrari surgiu para o mundo e encerrou em quarto.

Webber assinou com a poderosa Super Nova para substituir Minassian em 2001. Alonso, por sua vez, intermediado por Briatore, falou com uma equipe aqui, outra ali e acabou acertando com a Minardi para estrear na F1, embora uma transferência para a Prost em caso de bom desempenho não estivesse descartada.

Como a história conta, o bom desempenho de fato garantiu uma mudança de equipe, mas o asturiano foi para a Renault, onde seria piloto reserva e, anos mais tarde, conseguiria o bicampeonato. Curiosamente, Webber foi o substituto do espanhol na Minardi e teve um desempenho um pouco melhor correndo para os italianos.

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Um comentário sobre “O ano -1 de Fernando Alonso na F1

  1. Ainda me lembro daquelas corridas maravilhosas de Alonso, sempre largando no fundo do grid com a fraca Astromega, assim como Bernoldi, com a fraca Red Bull Jr., e faziam corridas maravilhosas. Lembro, inclusive, da pole em Spa, corrida que daria o título ao Bruno Junqueira, com uma temporada apagada, um título sem brilho. Esta vitória foi a mais tranquila da vida do Alonso, mesmo tendo outras na F1, nenhuma foi como aquela em que ele abria pelo menos 0,5s por volta daquela turma que ficava brigando por posição enquanto o Junqueira fez a corrida de marcação pelom título. Engraçado que a temporada fulminante do Heidfeld, no ano anterior, teve mais brilho do que este título do Junqueira. E qe a temporada do Junqueira no ano do título do Heidfeld também.

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