Luiz Razia e Davide Valsecchi podem ficar fora da F1 em 2013

Campeão e vice da temporada 2012 da GP2, Luiz Razia e Davide Valsecchi estão encontrando dificuldades para fazer a transição para a F1 no próximo ano. O número de vagas abertas é pequeno, e dezenas de pilotos se digladiam por elas.

Se os dois quiserem correr em 2013, as poucas chances são negociar com Force India, Sauber (onde Esteban Gutiérrez deve ser anunciado) e Williams (que deve fechar com Valtteri Bottas).

Embora os pilotos pagantes sejam sempre apontados como culpados pela falta de vagas na F1, essa é apenas metade da história. A verdade é que o grid da categoria nunca esteve tão forte. Praticamente todos os pilotos das equipes medianas, como Nico Hülkenberg, Paul Di Resta, Daniel Ricciardo, Jean-Éric Vergne, Romain Grosjean e até mesmo Bottas e Gutiérrez têm currículos lotados de títulos e vitórias nas categorias de base e foram classificados como acima da média muito antes de estrearem na F1.

Ou seja, não estou dizendo que Razia e Valsecchi sejam maus pilotos. Pelo contrário, eles mais uma vez demonstraram que podem brigar pelas primeiras colocações. O problema é que enfrentam pilotos melhores na briga pela F1. Desse jeito, a eles só sobram as vagas destinadas aos pagantes – algo que eu escrevi esses dias –, e por isso são obrigados a levantar uma elevada quantia se quiserem correr.

Às vezes, competir por Marussia e Caterham não é tão ruim

Por isso não entendo essa rejeição pelas equipes menores. Se Razia e Valsecchi têm currículos inferiores, seria de certa forma natural buscar equipes pequenas para poder continuar no esporte. É verdade que o ritmo de prova de Caterham, Marussia e HRT não agrada, mas acho que são muito mais rápidas que ficar no sofá de casa.

Outra coisa que precisa ser levada em conta é que os pilotos nunca sabem o dia de amanhã. Ninguém sabe o que vai acontecer em 2013. Vai que algum competidor dos times intermediários sofre um acidente de helicóptero, perde o braço e obrigue a escuderia a buscar alguém nos times menores.

Não estou desejando o mal a ninguém, mas isso já aconteceu na F1. Em 1990, Alessandro Nannini sofreu um grave acidente aéreo e foi obrigado a encerrar a carreira. Para a vaga do italiano, a Benetton contratou o brasileiro Roberto Pupo Moreno, que estava na pequena EuroBrun.

Agora veja como as coisas se encaixam. Moreno foi campeão da F3000, em 1988, depois de quatro temporadas (apenas duas completas) na categoria. No entanto, o brasileiro não encontrou nenhuma vaga em equipes de ponta na categoria principal e acabou fechando com a Coloni, antes de se transferir para a EuroBrun.

Por esses dois times, o piloto se inscreveu para participar de 30 GPs, dos quais sequer passou da pré-classificação em 16. Em outros sete, não conseguiu se classificar. E a única vez que conseguiu terminar uma corrida foi no GP dos EUA de 1990. Ou seja, correr hoje por Caterham, Marussia e HRT é uma situação muito, mas muito melhor que essa.

Moreno e a terrível EuroBrun

Claro que Moreno deu sorte e conseguiu sair dessa situação ao acertar com a Benetton. Pelo time italiano, o brasileiro subiu ao pódio em uma oportunidade e ainda conquistou outros três top-5.

Obviamente, Moreno é uma exceção. A maior parte dos pilotos que correram por times pequenos acabou se afundando antes de conseguirem ir para uma equipe maior. No entanto, eles tiveram coragem e souberam admitir quando era preciso começar de baixo para crescer na F1.

Claro que ninguém precisa de uma tragédia para ser dar bem. Por exemplo, em 2013, a HRT, pode surpreender e construir um carro rápido. Não para somar pontos, mas ao menos para brigar com Marussia e Caterham. Com isso, em uma próxima temporada, os pilotos do time espanhol vão estar em melhor posição para negociar com as demais escuderias.

Vendo o que aconteceu com Moreno – e com tantos outros campeões e vices da F3000/F2 – talvez a F1 não tenha mudado tanto assim nos últimos anos. Algumas coisas ainda são bastante parecidas. Talvez o que tenha mudado seja a mentalidade dos pilotos.