Kamui Kobayashi pode ser defenestrado da F1. No seu caso, foi o desempenho na pista que contou

Kamui Kobayashi pode estar fazendo as últimas corridas da carreira na F1. Sem um investidor, o piloto japonês tem a vaga para 2013 ameaça, já que a Sauber deve optar por uma reformulação total do plantel, trazendo Nico Hülkenberg e, provavelmente, Esteban Gutiérrez. Ou seja, mais uma vez a infestação de pilotos pagantes tira um atleta comprovadamente talentoso do campeonato para a chegada de alguém mais rico, certo?

Não é bem assim. Nos últimos anos, os pilotos pagantes ficaram conhecidos na F1 por abocanhar algumas das vagas mais desejadas na categoria. Nomes como Vitaly Petrov, Pastor Maldonado e Sergio Pérez só conseguiram estrear no certame porque dispunham de uma grande bolada e alguém disposto a investir na categoria.

O que muita gente ignora é que nesses casos, mesmo pagantes, esses pilotos tinham currículos dignos para chegar ao campeonato. Petrov e Pérez foram vice-campeões da GP2, enquanto Maldonado conquistou o título do campeonato de acesso. Ou seja, dificilmente havia alguém mais qualificado que eles para ficar com a vaga.

Aliás, mesmo que eles fossem atletas poucos talentosos, ainda assim a ameaça dos pagantes está restrita apenas a algumas equipes. Para começar, as quatro grandes escuderias – Red Bull, McLaren, Mercedes e Ferrari – não têm necessidade de escolher um competidor apenas pelo dinheiro que traz.

É verdade que a McLaren contratou Pérez para 2013 de olho na grana que o mexicano pode levar, principalmente em um momento em que a escuderia inglesa vai precisar voltar a pagar pelos motores, algo que deve comprometer o orçamento. No entanto, essa decisão também tem um lado esportivo. Poucos pilotos brilharam tanto quanto Sergio na F1 na atual temporada, portanto a escolha é mais do que justificada.

Descendo um pouco mais no grid, Lotus e Force India também não tem pagantes. Romain Grosjean conta com o apoio da Total, mas a situação é similar à de Pérez. Estamos falando do campeão da GP2 de 2011, que teve um desempenho muito bom nos treinos livres antes de ser promovido a titular.

Levando em conta o currículo, alguém chama Hulkenberg de pagante?

Na escuderia indiana, Paul Di Resta tem cadeira cativa, já que a Mercedes prometeu fazer um precinho camarada nos motores enquanto o escocês for titular. Essa prática sempre foi algo comum na categoria, principalmente com relação a pilotos nipônicos. No caso da fabricante alemã, exigir Di Resta ainda é um ponto positivo, já que o escocês é um piloto talentoso, que não teria chances se dependesse apenas de recursos próprios.

Assim como Grosjean, Nico Hulkenberg também têm alguns pequenos patrocinadores alemães, mas estão longe de fornecer uma grande quantia ao time indiano.

A última escuderia a não contar com pagantes é a Toro Rosso, por motivos óbvios. Ou seja, das 12 equipes da F1, apenas cinco têm vagas destinadas a quem puder pagar mais: Williams, Sauber, Caterham, HRT e Marussia.

Vamos deixar Williams e Sauber para mais tarde. Falo antes das três nanicas. Não seria nada absurdo que elas recorressem aos pilotos endinheirados para aumentar o orçamento da temporada. Porém, a realidade é que isso não acontece completamente. Em cada um dos três times, um piloto – Heikki Kovalainen na Caterham, Timo Glock na Marussia e Pedro de la Rosa na HRT – até recebe salário para correr sem a contrapartida de precisar descolar um investidor para o time.  A segunda vaga nessas escuderias realmente é de quem pagar mais.

Por fim, chegamos à Williams e Sauber. São duas tradicionais equipes do automobilismo, que nasceram no contexto dos garagistas, mas que, com a chegada das montadoras e a escalada vertiginosa de custos, viram que pouco poderiam fazer. Por isso, logo se juntaram a uma fabricante – coincidentemente ambas com a BMW – para tentar ter uma chance na categoria.

Com a saída da BMW – assim como da Honda, Toyota… –, o custo da categoria continuou elevado, já que as equipes grandes não baixaram o ritmo da gastança, portanto a solução encontrada por eles, em um contexto de crise econômica, foi buscar grana dos próprios pilotos para a própria sobrevivência dos times.

Mesmo assim, a Sauber se mantém fiel à filosofia de dar chances a jovens promissores. Foi assim com Pérez e com Kobayashi e agora com Hulkenberg e Gutiérrez. Já a Williams tem mostrado menos pudor e aceitado o apoio de qualquer um.

No entanto, é difícil criticar a decisão desses times. Com os tais pagantes, a Williams venceu em 2012, enquanto a Sauber conquistou quatro pódios. Por outro lado, a Lotus ainda sequer conseguiu subir no degrau mais alto, ao passo que Force India e Toro Rosso ainda sonham com o fim do jejum de pódios.

Algums equipes não se importam e fazem um verdadeiro leilão com seus carros

Com todas as equipes contabilizadas, apenas 5 das 12 oferecem vagas a pagantes e isso levando em conta que em cada uma das nanicas um piloto recebe salário. Só que a impressão que passa é que esse tipo de atleta está impregnado na categoria.

Isso acontece porque são eles que dominam o noticiário. Nas equipes mais estabelecidas – as quatro grandes, além de Lotus e Toro Rosso –, não há troca de pilotos todos os anos, por isso eles têm mais tempo para desenvolver o trabalho. Assim, somente a cada dois ou três anos ouvimos mudanças nas escalações dessas escuderias.

Por outro lado, entre aquelas equipes que abrem espaço para os endinheirados, todos os anos há um leilão pelas vagas. Até porque é difícil para um piloto conseguir um investidor disposto a gastar cerca de US$ 10 ou 15 milhões a cada temporada. Assim, quando o dinheiro de um atleta acaba, logo surge um bando de riquinhos querendo assumir o posto.

Voltando a Kobayashi, eu até acredito que o principal motivo da demissão dele na Sauber não é a falta de dinheiro, mas, sim, a reformulação da equipe para o próximo ano. Eles entenderam que a geração Pérez/Koba chegou ao auge e conseguiu quatro pódios para a equipe. Agora é hora de pensar em algo novo e por isso acreditam que Hulkenberg seja o piloto ideal para liderar a escuderia.

Quando o nipônico fala que precisa de dinheiro para seguir correndo, não é na escuderia suíça, mas  para entrar no já citado leilão para pilotos pagantes.