Dean Stoneman
Dean Stoneman é exemplo de carreira bem sucedida para jovens britânicos

Na sexta-feira, dia 21, saiu a notícia de que Dean Stoneman, atual campeão da F2 e confirmado pela ISR para a disputa da World Series by Renault, estava se afastando do automobilismo por tempo indeterminado para se curar de um recém-descoberto câncer no testículo.

Como a doença foi diagnosticada ainda nos primeiros estágios, são grandes as esperanças de uma recuperação. Claro que essa situação é chata para o mundo do automobilismo, afinal, ninguém que ficar doente. Só que Stoneman deixou muita gente triste pois ele sempre foi utilizado como exemplo para jovens do Reino Unido – e talvez do mundo – que quisessem seguir carreira, mas não tivessem muito dinheiro.

Ao assinar com a ISR – uma dos lugares mais cobiçados do grid da World Series by Renault – Stoneman estava no auge da carreira. Ao contrário dos principais pilotos britânicos da geração a qual pertece, como Dean Smith, James Calado e Oli Webb, Dean Stoneman era um piloto sem muitos recursos financeiros e que precisou batalhar na pista para garantir onde correr.

Quem acompanha o automobilismo é capaz de citar vários e vários nomes de pilotos vindos do Reino Unido que, por falta de dinheiro, somem depois de uma ou outra temporada. Como lá é mais fácil começar a correr do que por aqui, não precisa ser um ricaço para iniciar a carreira. Muita gente consegue um investimento inicial e espera que os resultados dêem certo e tragam algum investidor.

Brian Vickers
Abatido, Brian Vickers evitava aparições públicas durante o tratamento. Em Bristol, ele anunciou que retornaria à categoria em 2011 depois de uma cirurgia bem sucedida

Com alguns, essa tática dá certo. Basta ver, por exemplo, Sam Bird indo para o segundo ano na GP2 depois de rodas algumas categorias desde a estreia na F-BMW do Reino Unido. Por outro lado, outros, como Oliver Turvey, Riki Christodolou, Jonathan Kennard e Oliver Oakes, tiveram que se despedir das pistas quando o dinheiro acabou.

Como a F2 é uma opção mais barata que campeonatos como F3 e GP3, Dean Stoneman foi para lá ao sair da F-Renault. Sendo mais talentoso que o restante do grid, o britânico conquistou o título da categoria com uma vantagem de 42 pontos para o rival mais próximo, ganhou um teste na Williams e ainda chamou a atenção de gente na World Series by Renault.

Era o exemplo perfeito não só para quem começa a carreira sem muitos recursos, mas também para a F2 se promover como uma opção viável e de sucesso para quem não pudesse pagar por algo melhor.

Com o câncer, Stoneman vai poder servir de inspiração a outro grupo de pilotos: aqueles que também sofrem com doenças ao longo das carreiras. Mas durante o tratamento, o britânico pode aproveitar que está do outro lado da situação e pegar outro piloto para se espelhar. Um bom exemplo seria o caso recente de Brian Vickers, que se recuperou de coágulos no sangue para voltar à correr.

Jimmie Johnson e Brian Vickers
Depois do tratamento, Brian Vickers está de volta às pistas

Em 2010, o piloto da Nascar foi diagnosticado com coágulos nas pernas e no pulmão enquanto fazia uma visita à Casa Branca. Como a causa da doença era desconhecida e ela continuava a se alastrar, os médicos suspeitaram que pudesse ter a ver com o fato de passar horas e mais horas dirigindo um carro. Então, até que tudo fosse descoberto e curado, Vickers foi impedido de correr.

O tratamento foi longo e o americano evitava aparições públicas por conta do abatimento físico. Durante o processo, para evitar que as veias se fechassem, o piloto tomou medicamentos pesados para a limpeza do sangue. Por fim, uma cirurgia para fechar um buraco no coração terminou encerrou o tratamento.

Recuperado, os médicos deram o sinal verde a Vickers que retornou à Red Bull para a temporada 2011 da Nascar. Nesta semana, nos testes de pré-temporada em Daytona, ele é o piloto que mais completou voltas. Talvez tentando tirar o atraso por ter ficado tanto tempo fora. Mas enfim, recuperado.

Claro que não é possível, medicamente falando, comparar os casos de Brian Vickers e Dean Stoneman. Só que como nessas horas os pilotos se lembram de que são humanos, talvez ter um exemplo positivo para se espelhar – justamente como os jovens britânicos fazem com Dean na hora de seguir a carreira – não seja de todo ruim.